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Sempre soube que o destino do meu filho seria como meu

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Sempre soube que o destino do meu filho seria como meu. Um líder, assumindo a Genovese como era de direito dele.

Mesmo que eu tivesse dado escolhas a ele. Tive esperança que ele abrisse mão dessa vida, que ele tivesse algo convencional, que ele tomasse a decisão que eu não pude tomar.

Ele teve escolhas que eu não tive.

Quando Leo tinha treze anos, eu deixei a decisão em suas mãos. Eu perguntei: "Você quer fazer parte da Genovese ou você quer seguir um caminho diferente? Eu posso te ajudar a fazer o que quiser, Leo. Eu te dei liberdade, e isso foi minha maneira de garantir que você fosse mais do que eu fui."

Ele me olhou com aqueles olhos implacáveis, e, ao mesmo tempo, tão distantes. Como se ele já soubesse que o destino dele estava traçado. Não havia um pingo de dúvida em seu olhar. Ele escolheu a Genovese, escolheu continuar o legado, seguir as sombras. Não porque ele fosse forçado a isso, mas porque, de alguma forma, ele já carregava isso dentro de si. Ele sempre teve a mesma força, o mesmo peso nos ombros que eu senti desde muito jovem.

Eu dei escolhas, porque queria que ele sentisse o que eu não senti. Eu queria que ele sentisse que eu valorizava sua opinião e que ele estava no controle de sua própria vida.

Mas parte disso porque eu temia com o que poderia acontecer com ele, temia que esse mundo o tornasse uma pessoa quebrada, eu temia que ele se perdesse na mesma escuridão que me consumiu por anos, e temi por ele passar pelo que estava passando.

Eu conhecia perfeitamente essa dor de perder o controle, de sentir que as escolhas que você faz não são mais suas, que o peso da responsabilidade te esmagaria de uma forma que você nunca poderia antecipar. Eu conhecia a dor de pensar que estava perdendo quem amava, e que nunca mais iria ver essa pessoa sorrir, viver. Essa dor que consome, que engole tudo ao redor e faz você questionar sua própria sanidade. Eu sabia o que Leo estava sentindo naquele momento, e por mais que eu quisesse ser o pai forte e imperturbável, por mais que eu quisesse assumir o controle da situação, uma parte de mim também estava em pedaços. Não por mim, mas por ele.

Olhei para a minha esposa, lembrando da sensação de sufocamento que senti quando pensei que a perderia.

Naomi sempre foi o pilar que eu nunca soube como agradecer, a âncora que manteve minha sanidade em meio ao caos. Mas, ao vê-la ali, com os olhos marejados de preocupação pelo nosso filho, sentia que estava vivendo mais uma vez o pesadelo de perder alguém importante, de vê-lo se afundar na mesma dor que eu vivi.

Eu queria poder protegê-lo disso. Queria poder tirar Leo dessa situação, poupar ele dessa pressão esmagadora que nos é imposta por esse mundo. Mas ele já havia feito sua escolha, assim como eu fiz a minha.

— Você precisa ficar calmo. — Naomi disse, segurando a minha mão — Não vai ajudar se ele voltar e perceber que você está mais nervoso que ele.

Dívida do Prazer - 1Onde histórias criam vida. Descubra agora