Extra 2

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— Tem certeza que pegou tudo? — perguntou Mattheo pela segunda vez enquanto carregava as malas de Adam.

— Sim, pai — respondeu ele, segurando a gaiola de sua coruja nos braços.

— Vamos, Madelyn — eu, Melinda, disse, puxando nossa filha mais nova. — Céus, parece que foi ontem que vocês nasceram.

Hoje era a primeira vez que Adam embarcaria para Hogwarts. Como mãe, meu coração estava a mil. Mattheo havia apostado comigo que ele seria um Sonserino, assim como nós.

— Vem cá... — Respondi, puxando-o para um abraço apertado. — Vamos sentir sua falta.

— Mãe... — Resmungou ele, tentando se soltar.

— Lembre-se, Adam, você é um Riddle. Algumas pessoas podem...

— Eu sei, pai — interrompeu ele. — Eu não ligo, vou ficar bem.

Eu podia sentir a preocupação de Mattheo. O peso de carregar o sobrenome Riddle... sobrenome que agora também era meu e de nossos filhos. A vida era boa, Mattheo havia se encontrado no âmbito profissional dentro do Ministério, apesar de não ser fácil quando o peso de ser filho de quem era recaía sobre seus ombros. Voldemort, aquele que não podia ser nomeado, hoje não passava de um fantasma distante em nossas vidas.

Quando chegamos à plataforma, o Expresso de Hogwarts já soltava fumaça, majestoso como sempre. Adam olhou para o trem com os olhos brilhando — a mesma expressão que Mattheo tinha quando falava de Quadribol.

— Você vai escrever, não vai? — perguntei, ajeitando a gola do seu casaco.

— Se eu lembrar — provocou ele, com um sorriso torto tão idêntico ao do pai que me fez suspirar.

Mattheo bufou.

— Lembre-se também das instruções — disse ele, numa voz firme de pai, mas com os olhos marejando. — Fique longe de confusão. Se precisar de algo, procure o professor Longbottom. Ele me deve uns favores.

Adam revirou os olhos, mas o sorriso permaneceu.

— Pai... eu vou ficar bem. Prometo.

Madelyn abraçou o irmão com a força de quem não queria deixá-lo ir.

— Traz doces pra mim! — ela pediu, soluçando.

— Trago sim, pestinha — respondeu ele, bagunçando o cabelo dela.

Então o apito do trem ecoou pela plataforma, cortando o ar como um lembrete cruel de que era hora.

— Vai lá, filho...— murmurei.

Adam subiu no trem. Antes de entrar no vagão, virou-se, levantou a mão e acenou. Um aceno simples. Mas eu senti como se meu coração tivesse sido puxado do peito.

O trem começou a se mover.

Mattheo colocou a mão na minha cintura, aproximando-se para me confortar.

— Acho que perdemos nosso garoto — sussurrou ele.

— Não — respirei fundo, com os olhos seguindo o trem até o fim da plataforma. — Só estamos vendo ele virar quem nasceu pra ser.

Mattheo sorriu de lado.

— Tomara que seja Sonserino. Eu disse que ele puxou mais pra mim.

Revirei os olhos, rindo baixinho.

— Veremos, Mattheo. Veremos.

Quando o trem finalmente desapareceu no horizonte brumoso, ficamos ali por um instante, só nós quatro, sentindo a ausência recém-criada.

Be with me - Mattheo Riddle Onde histórias criam vida. Descubra agora