Capítulo 49 - Almost accidentally

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O pedido dele ainda estava ali.

Não como uma ordem.
Mas como algo mais difícil de ignorar.

Um pedido sincero.

Anahí caminhava de volta pelo corredor, mas não estava exatamente ali. O corpo ainda carregava o calor do toque dele, o gosto do beijo, o peso das palavras que tinham vindo baixas, quase como uma confissão.

Fica fora disso.

Ela podia. Era claro que podia. Por ele, por seu filho, por ela. 

Pela primeira vez, a ideia não soava absurda.

Alfonso não tinha mentido. Ela conhecia bem demais cada nuance dele — os silêncios errados, os desvios, o cuidado exagerado nas palavras quando escondia algo, a agonia que transbordava de seus olhos quando algo o perturbava em silêncio.

Mas ali não havia nada disso. Só o medo.

E não era por ele.

A mão dela subiu, quase sem perceber, repousando sobre o ventre.

Um gesto automático. Instintivo.

Talvez... só dessa vez pudesse ceder.

O pensamento veio inteiro. E por um segundo, ficou. 

Atrás deles, um estranho e repentino som.

Baixo. Arrastado. Quase inexistente.

Mas errado.

Anahí parou, Alfonso também.

O ar mudou de densidade entre os dois.

Não houve troca de palavras. Não precisava. O corpo dele já tinha entendido antes da mente acompanhar.

— Você ouviu... — Ela começou, virando levemente o rosto na direção do som. Mas a mão dele fechou no braço dela. Firme, contendo aquele impulso.

Alfonso: Volta pra mesa — Disse, baixo, direto. O olhar dele não tinha dureza, tinha precisão.

Anahí: Alfonso... — Tentou, suspirando. 

Alfonso: Fica com o Arthur e Annabelle — Continuou, o rosto apontando levemente o caminho pelo qual ela devia seguir. Agora havia urgência.

Ela sustentou o olhar dele por um instante a mais, avaliando. Medindo. Pesando o que estava em jogo.

Então assentiu, sem discussão. Era o que precisava ser feito por ele naquele momento.

Se virou e começou a caminhar de volta, mas os passos desaceleraram sem que ela percebesse. Algo dentro dela já estava alerta demais pra simplesmente ignorar.

E ainda assim... ela foi, cruzando a porta que separava aquele corredor do movimentado pub.

Alfonso esperou até que ela sumisse porta a fora, que estivesse na área dominada por Arthur, em segurança.

Só então se moveu.

O silêncio ali atrás parecia mais espesso, como se o som do pub não conseguisse atravessar aquelas paredes. Restava apenas o som da própria respiração — controlada, mas mais presente do que deveria.

Um passo, depois outro. De forma lenta, quase meticulosa, como uma sombra. 

O corpo levemente inclinado, atento, absorvendo cada detalhe ao redor. A madeira sob seus pés, o ar frio vindo do fundo, as sombras desenhadas de forma irregular nas paredes.

O som não se repetiu, e isso só piorava tudo.

Seu olhar se voltou com urgência para o final do corredor, a porta batendo com uma força desproporcional.

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⏰ Última atualização: 12 hours ago ⏰

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