Os olhos carmesim de Lucas mantinham-se fixos no embrulho nos braços de Cabel. Um formigamento elétrico e arrepiante subia por sua espinha. Aquele eco de energia mística vindo do bebê... o ritmo compassado daquela respiração pequenina... despertaram algo perigoso no âmago de seu novo núcleo. O poder imenso e destrutivo que agora possuía empurrou um instinto sombrio e místico para a superfície: a necessidade absoluta de consumir aquela fonte transbordante de mana negra para saciar o vazio de seu próprio núcleo recém-desperto e bagunçado.
Lucas deu um passo à frente. Seus olhos perderam temporariamente a faísca da humanidade, brilhando como duas fendas de puro sangue sob a luz cinzenta de Sycansia. Ele retirou as luvas e estendeu a mão na direção do bebê de forma predatória, os dedos curvados como garras, avançando como se estivesse prestes a devorar um alimento místico de valor inestimável.
O pânico distorceu o rosto de Cabel. O horror de ver seu próprio mestre olhando para uma criança indefesa com aquela expressão de êxtase faminto ativou todos os gatilhos de seu estresse pós-traumático.
"Não toque nele!" Gritou Cabel, a voz rompendo em fúria e puro pavor.
Em um movimento desesperado, Cabel se levantou rapidamente e recuou um passo longo, interpondo seu próprio corpo entre Lucas e o recém-nascido. Com um estalo de energia, o Escudo Arlantino expandiu-se diante dele - uma barreira de luz defensiva que vibrava intensamente.
Cabel olhou para Lucas com os olhos arregalados, o peito arfando, o coração disparado. Uma dúvida terrível e dilacerante corroeu sua alma: Será que Lucas havia se tornado um monstro? Será que vir até aqui sozinho, entregando o bebê nas mãos de um ser com tanto poder destrutivo, foi o pior erro da minha vida? Eu...não posso mais confiar em meu próprio mestre?
O choque da barreira e a fúria nos olhos de Cabel atingiram a mente de Lucas como um balde de água fria. O mago piscou, balançando a cabeça abruptamente enquanto forçava seu próprio instinto primal a recuar para as profundezas de sua consciência. Suas pupilas voltaram ao normal, e o horror de suas próprias ações quase o fez vacilar. Ele olhou para as próprias mãos e depois para o escudo de Cabel. Ele sentiu o desejo de consumir aquela força, mas o amor e a promessa implicitamente ligada àquela energia o forçaram a lutar contra si mesmo.
Ele engoliu em seco, reprimindo a fome de seu núcleo.
"Cabel-" A voz de Lucas falhou, sua garganta instantaneamente seca pelo pânico.
Antes que pudesse iniciar sua frase, o som metálico e estridente de armaduras pesadas ecoou por todo o vasto pátio de treinamento imperial. Passos sincronizados, firmes e esmagadores marcharam em suas direções. Em questão de segundos, uma guarnição inteira de soldados sycansianos, vestindo armaduras escuras que reluziam como poços de gravidade e empunhando lanças apontadas diretamente para o pescoço do príncipe de Arlanta, cercaram-no em uma posição de ataque implacável. A intenção de matar daqueles homens era palpável, uma pressão física e espiritual tão esmagadora que fez Cabel se encolher protegendo Lucius em seus braços.
Foi nesse momento que Lucas se deu conta que havia se perdido naquele estado de descontrole. Mas mal teve tempo de entender o que acontecia, já que a princesa Agnes deu um passo à frente junto de Taran, colocando-se em sua frente como se fizessem uma barreira para protegê-lo.
Os olhos acinzentados de Agnes estavam afiados e brilhando em desconfiança mútua na direção de Cabel, enquanto ao seu lado, o General Taran ergueu sua imensa espada de execução.
"Um intruso usando um escudo arlantino nas dependências mais sagradas de nosso pátio!?" Rugiu o General Taran, sua voz ecoando como o estrondo de uma montanha desmoronando. "Sua audácia será paga com sangue, verme arlantino!"
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Find You
Fanfiction"De olhos fechados, o que consegue ver, Athy? (...) Se for a escuridão, saiba que essa é a minha vida sem você. E a beleza que vê agora... (...) É como está começando a ser minha vida ao seu lado." "Está vendo as estrelas, Lucas? (...)Quando olhar o...
