TW: Sangue | Violência | Morte
Cabel não parecia estar em sua sã consciência naquele instante de agonia. Sentia seu próprio corpo flutuar de forma etérea, como se estivesse velejando sem rumo em direção a um lugar místico que sua visão completamente turva e embaçada não conseguia captar. Apesar da dormência que aos poucos tentava anestesiar seus sentidos, ele ainda sentia uma dor lancinante. Conseguia manter a sutil ciência de sua própria existência apenas porque o ponto mais alto de sua sensibilidade física concentrava-se na lateral de seu tronco, onde uma de suas costelas, obviamente fraturada, protestava a cada respiração curta.
Em sua mente enfraquecida, as engrenagens falhavam brutalmente ao tentar recordar o que havia acontecido minutos ou horas atrás para que se encontrasse naquele estado deplorável. Talvez aquela confusão mental fosse apenas uma alucinação decorrente do sofrimento físico, mas a verdade era que ele se sentia profundamente perdido diante de tudo o que ocorreu recentemente.
De repente, sentiu seu corpo ser depositado com cuidado sobre uma superfície macia. Ao seu redor, silhuetas distorcidas pela sua visão deficitária moviam-se freneticamente para lá e para cá, como sombras apressadas em um teatro de névoa. Cabel não conseguia ter noção real de absolutamente nada. Diante da forte dor de cabeça que começava a latejar em suas têmporas, pensou que talvez o melhor a se fazer fosse ceder ao cansaço e tirar uma pequena soneca; tinha a ingênua esperança de que, ao acordar, tudo estaria melhor.
Seus olhos por fim se fecharam por completo, entregando-o a um sono profundo e arrastando-o diretamente para aquele espaço inteiramente branco que ele, na maioria das vezes, já conhecia e ao qual estava tristemente acostumado. Diferente da dura e dolorosa realidade de seu corpo ferido, naquele plano Cabel encontrava-se completamente regenerado. Ele movia-se por conta própria, caminhando a passos lentos enquanto buscava, em algum canto daquele vasto lugar desprovido de cores, por algo, por alguém, por um resquício de esperança ou um vislumbre de liberdade. Era sempre assim. No passado quando era espancado por Calvin, toda vez que perdia a consciência, aquele limbo o recebia.
Dessa vez, contudo, ele se viu sentado. Suas mãos repousavam sobre as coxas, que estavam rigidamente prensadas contra o solo pelo próprio peso de seu corpo. Tomado por uma angústia crescente, ele girava o tronco e o rosto várias vezes seguidas, buscando freneticamente qualquer elemento que pudesse lhe atrair o mínimo de atenção. Nada era visto. Havia apenas o infinito nada, um deserto de existências deletadas. Sentia-se, por algum motivo poético e cruel, como uma figura esquecida em uma tela de pintura imaculada, intocada por qualquer tinta, implorando em seu íntimo para que alguma cor fizesse as honras de finalmente libertá-lo daquele eterno terror em branco.
"Você parece tão sozinho aqui..." A voz calorosa, aveludada e repleta de um carinho quase maternal ecoou pelo vazio, capturando totalmente a atenção do jovem Ernest.
Seus olhos, arregalados pelo sobressalto, conectaram-se imediatamente com as íris daquela bela e majestosa criatura que acabara de se materializar.
"Não devia estar aqui agindo dessa forma. Você precisa voltar imediatamente de onde veio."
Diante de Cabel, imponente, erguia-se um leão. Sua pelagem exibia um tom de branco gélido e impecável, mas eram seus olhos dourados e magnéticos que hipnotizavam o príncipe por completo, reluzindo como ouro derretido. As asas longas e plumadas repousavam espalhadas pelo chão alvo, conferindo-lhe um ar ainda mais honroso, celestial e protetor.
Era Phantom.
"...Phantom!?" O Ernest se espantou genuinamente ao notar que sua própria voz havia saído em um tom muito mais fino e infantil do que o normal.
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Fiksi Penggemar"De olhos fechados, o que consegue ver, Athy? (...) Se for a escuridão, saiba que essa é a minha vida sem você. E a beleza que vê agora... (...) É como está começando a ser minha vida ao seu lado." "Está vendo as estrelas, Lucas? (...)Quando olhar o...
