"De olhos fechados, o que consegue ver, Athy?
(...) Se for a escuridão, saiba que essa é a minha vida sem você. E a beleza que vê agora...
(...) É como está começando a ser minha vida ao seu lado."
"Está vendo as estrelas, Lucas?
(...)Quando olhar o...
Se Lucas e Athanasia acreditaram que o momento da terma ametista seria o ponto de virada para uma rotina mais íntima, o destino provou o contrário. A promessa de mais toques e momentos a sós desmoronou rapidamente diante da realidade, sufocada por duas presenças constantes: o pequeno Lucius e o Imperador Claude.
Lucius demandava os cuidados minuciosos devido às suas oscilações de energia densa pelo crescimento de sua mana; sua magia sanguínea estava cada vez mais poderosa, sempre a ponto de romper o selo que Lucas havia lhe colocado. E embora o selo estivesse lá, normalmente impedindo qualquer pessoa "normal" de utilizar mana, com Lucius já era diferente. O selo mantinha apenas a magia sanguínea no controle de não causar uma explosão, mas a mana do bebê continuava a vazar. Com isso, as febres mágicas retornavam com mais intensidade, junto do nascimento dos dentes, causando problemas entre as babás que não conseguiam cuidar do pequeno — ou tinham medo de ficar perto dele.
Já Claude, independente de ser um adulto, era quem realmente consumia a energia da princesa herdeira. O Imperador de Obelia havia se tornado uma sombra do homem dominante que um dia foi, exigindo presença e suporte constantes. Athanasia dividia seus dias em viagens exaustivas entre os reinos para manter a estabilidade diplomática.
O peso dessa rotina tornou-se ainda mais denso devido ao estado de Félix. O cavaleiro enfrentava uma dolorosa adaptação à sua prótese. E Claude permanecia carregando o remorso como um fardo físico.
Às escondidas, o imperador observava as sessões de fisioterapia de Félix por trás das colunas do palácio. Mas sempre que o cavaleiro percebia uma presença e tentava procurá-lo, Claude recuava e fingia ter partido para Lucasia. Ao "retornar" tarde da noite, evitava qualquer contato, alegando indisposição.
Restava a Félix aceitar em silêncio o abismo que se erguia entre os dois — uma distância que destruía não apenas a dinâmica entre imperador e guarda-real, mas a antiga amizade. Somado a isso, Claude se punia pelo sentimento de abandono, vendo Athanasia construir sua própria vida ao lado de Lucas, prestes a oficializar a união.
Em Lucasia, os palácios secundários terminavam de erguer suas estruturas majestosas, reluzindo sob o trabalho constante em mármore e pedras preciosas.
Contudo, longe da poeira e do ruído dos canteiros de obras, o verdadeiro desafio daquela tarde se concentrava no silêncio relativo de uma saleta privada da tenda de comando.
Lucas permanecia de pé ao lado do berço duplo, com os braços cruzados sobre o peito e as sobrancelhas unidas em um vinco profundo de pura insatisfação. Seus olhos vermelhos fitavam as duas crianças, que brincavam lado a lado.
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À direita, o pequeno Lucius exibia seus fios morenos e curtinhos. O menino, adotado por Athanasia, era o filho órfão de Jennette e "Dice" — na época, possuído por Luke. Para Lucas, porém, era impossível não começar a nutrir um afeto profundo, possessivo e quase territorial pelo bebê. Ele enxergava o garoto praticamente como seu próprio sangue, motivado pelas semelhanças físicas gritantes e pela intensidade vulcânica daquela energia caótica. Afinal, Luke era sua contraparte, seu reflexo sombrio; no fim das contas, Lucius carregava sua genética.