Who will save your soul?

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"Toc, toc..."

O som suave e ritmado ecoou pelas paredes do aposento, quebrando o silêncio sepulcral que se instalara ali dentro. Athanasia ergueu os olhos instantaneamente em direção à porta de madeira maciça. Seu coração deu um salto descompassado. Ela reconheceu aquele timbre de imediato, mesmo que a voz estivesse disfarçada de forma brincalhona por trás daquela onomatopeia infantil. Uma onda misturada de alívio puro e ansiedade a dominou por completo. A princesa desejava, com todas as suas forças, levantar-se em um ímpeto, correr até a entrada e estreitar o dono daquela voz em um abraço terno e apertado, apenas para aplacar o terror de quase tê-lo perdido.

No entanto, ela se forçou a permanecer estática. Olhou para baixo e contemplou o pequeno embrulho que descansava em seus braços. Afastar-se agora parecia quase um sacrilégio, um crime cruel contra o conforto daquele pequeno e indefeso bebê dorminhoco que repousava tão serenamente sob seus cuidados.

Para garantir que o sono da criança não fosse interrompido por nenhum ruído brusco, Athanasia espalmou suas delicadas mãos sobre o ouvidinho coberto do pequenino. Só então, modulando a voz em um sussurro carregado de urgência e afeto, ela autorizou a entrada daquele que aguardava do outro lado:

"Cabel? Pelos céus, entre logo de uma vez! Preciso ver com meus próprios olhos que você está inteiro."

A porta rangeu de leve quando Cabel colocou a cabeça lentamente pela fresta entreaberta. Seus olhos encontraram os dela e, de imediato, ele esboçou um sorriso radiante e caloroso. A visão daquela expressão familiar agiu como um bálsamo milagroso, acalmando as batidas frenéticas do coração de Athanasia.

"Você não vai se livrar de mim tão facilmente, Athy." Murmurou ele, com um tom leve e brincalhão.

Ao empurrar a porta por completo e revelar sua silhueta por inteiro, Athanasia prendeu a respiração. Era inacreditável. O corpo de Cabel, outrora tão castigado pelo confronto, agora parecia envolto por uma aura brilhante, translúcida e de uma pureza celestial incomparável. A simples presença dele no recinto emanava uma sensação avassaladora de paz e serenidade, como se o próprio ar estivesse sendo purificado ao seu redor. Os olhos dela se encheram de lágrimas quentes, que marejaram sua visão antes de rolarem por suas bochechas. O alívio era quase doloroso. Tudo o que ela sabia até minutos atrás era que seu querido amigo fora levado às pressas para a enfermaria imperial, sob os cuidados mais intensivos dos hualanos, após sofrer uma fratura terrível na costela e uma hemorragia interna devastadora. Ela também tinha ciência de que Ijekiel não havia saído do lado dele por um único segundo, o que a poupara de sucumbir ao desespero total de enfrentar mais uma perda irreparável naquele fatídico dia.

"É tão bom ver você, Bel..." Ela finalmente conseguiu articular, deixando escapar um suspiro tão profundo e carregado de angústia acumulada que o ar morno chocou-se abruptamente contra o rostinho do recém-nascido.

O bebê moveu-se, incomodado com o súbito fluxo de ar, soltando um murmúrio baixinho. Uma onda instantânea de culpa atingiu a princesa, que começou a se desculpar em um sussurro frenético, ninando-o com os braços trêmulos:

"Oh, céus, me desculpe, meu pequeno... Desculpe, desculpe, desculpe..."

Cabel piscou os olhos, preenchido por uma imensa curiosidade ao testemunhar a cena. Ver a imponente Princesa de Obelia desculpar-se tantas vezes seguidas para aquele minúsculo pacotinho de pano fez seu peito se aquecer. Ele se aproximou com passos lentos e calculados, quase flutuando. Um brilho de profunda admiração e orgulho reluzia em seu olhar. Ele compreendia o tamanho do zelo da amiga; ela estava tentando, contra todas as probabilidades, ser o porto seguro daquela criança, apesar do caos e do luto que desabavam sobre suas próprias costas. Athanasia estava demonstrando uma resiliência sobre-humana, uma força que Cabel pôde decifrar no âmago daquele longo suspiro.

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