Preludio dos Herdeiros de Sangue Pt.2

9 3 10
                                        

Em Lucasia, Cabel olhava pensativo para as quatro janelas portais do Escritório Obsidiana, tentando decifrar a profecia — duas, em específico — que Oberon havia lhe entregado.

Cabel lembrou-se de ver todos serem teleportados aos seus respectivos Impérios, mas apenas ele permaneceu lá. Oberon o havia mantido não apenas como Mago Guardião, mas como pai.

"Você carrega a pureza, Mago de manto branco." A voz de Oberon ecoou na mente de Cabel, soando como o tilintar de sinos e o estrondo de uma avalanche ao mesmo tempo. "Mas a pureza que você guarda não será suficiente para o caos dos Herdeiros de Sangue."

"Herdeiros de Sangue..." Cabel experimentou aquelas palavras na ponta da língua, tentando decodificar a misteriosa profecia em sua mente, a mão no queixo e o cenho franzido. Seus olhos estrelados deslizavam pelas janelas até pararem na miragem mágica de Obelia. "Oberon se referia a mais de um..."

Ele suspirou, tentando decifrar a primeira profecia, sua mente brilhante dando um estalo de alerta.

Nesse mesmo instante, sua mente foi engolida por uma onda de frequência mágica estridente; um alarme que soava como um trovão mental, sinalizando uma emergência de nível cataclísmico que demandava o Guardião da Torre Negra.

Em menos de três segundos, as vestes brancas de mago transmutaram no corpo de Cabel, como se a essência arcana da torre o guiasse à urgência do chamado.

Ele não precisava de instruções; mesmo não sabendo o que aconteceu de fato, após decifrar aquele enigma em partes e sentir aquele alerta, ele identificou imediatamente que o alerta vinha de Obelia.

Sem esperar por um pedido de ajuda, ele estendeu a mão sobre a janela portal e abriu o canal mágico, passando pela imagem que tremulava como um espelho de águas plácidas.

Foi quando Cabel se assustou ao ver o rosto desfigurado de pânico de Félix, que estava todo coberto de sangue.

Instantaneamente, a mente de Cabel descodificou que a profecia estava, de fato, se cumprindo naquele exato momento.

"Cabel! Graças aos deuses!" Félix ofegou, a respiração curta. "Eu estava tentando contato e-"

"Félix... Apenas diga o que aconteceu!" Cabel o cortou de forma urgente, a postura instantaneamente mudando do príncipe histérico que todos conheciam para um mago pronto para o combate.

"É o Lucius!" A voz do cavaleiro ruivo falhou. "Ele explodiu, Cabel. Houve uma tempestade mágica de sangue... As mãos de Sua Majestade estão carbonizadas e... Ninguém consegue chegar perto!"

"Félix... Calma." Cabel usou sua purificação para acalmar o padrasto, aproximando-se até que o encarou de perto. Uma atitude totalmente diferente do passado, quando Félix foi quem precisou acalmá-lo de seu surto de pânico. "Respire e me diga... onde eles estão?"

Mais calmo devido a aura purificada de Cabel que varreu todo o pânico e pavor da situação que viu, Félix respirou fundo e respondeu: "No Cemitério da Família Real."

No cemitério de Obelia, o tempo parecia ter se arrastado como cacos de vidro na pele do Imperador. Trinta minutos. Meia hora exata e agonizante havia se passado desde a explosão mágica que varreu o santuário dos mortos, e Claude permanecia exatamente no mesmo lugar, estoico e miserável.

O homem que governava um império implacável estava sentado no chão de mármore destruído. Suas roupas imperiais outrora luxuosas estavam esfarrapadas, manchadas de fuligem e cobertas por uma fina camada do sangue escarlate que havia chovido do céu. Suas mãos, as ferramentas com as quais moldava nações, estavam severamente queimadas, cobertas de bolhas purulentas e carne exposta, tremendo sobre os joelhos.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: 4 days ago ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

Find YouHistórias para pegar e não largar. Descubra agora