The Devil within

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TW: Vilão + Morte brutal

Cabel Ernest ainda sentia o calor residual do abraço protetor de Ijekiel e o peso reconfortante, quase divino, do pequeno Eric em seus braços. Era um momento de paz meticulosamente conquistado no meio do caos. No entanto, sem qualquer aviso prévio, seu núcleo mágico pulsou com uma violência ensurdecedora, enviando uma onda de choque que reverberou por cada terminação nervosa de seu corpo.

Não foi uma dor física convencional; foi um puxão gravitacional avassalador, um chamado primal, urgente e irrevogável que ecoou diretamente no âmago de sua herança arcanista. Era o solo sagrado da Torre Negra exigindo sua presença imediata através do pacto de sangue. Uma convocação de emergência que não admitia atrasos, hesitações ou contestações.

Ijekiel, que havia acabado de se afastar por alguns instantes para buscar panos limpos após uma troca de fraldas do pequeno Eric, retornou ao aposento com passos leves e um sorriso sereno no rosto. Ele ergueu os olhos dourados, mas o que viu o fez paralisar no lugar, o ar escapando de seus pulmões. Cabel estava de pé, mas sua fisionomia estava transfigurada. Sua aura expandia-se em espirais frenéticas de luz purificadora misturada ao éter escuro e denso da Torre Negra, criando um redemoinho de energia que fazia os móveis do quarto tremerem e os vidros das janelas vibrarem em protesto.

"Ijekiel... eu preciso ir. Agora!" Cabel balbuciou. Sua voz saiu entrecortada, sufocada pelo esforço sobre-humano de conter a energia arcanista que tentava tragá-lo para o vácuo espacial.

Antes que Ijekiel pudesse dar um único passo à frente, formular uma pergunta ou sequer estender a mão para segurá-lo, o próprio tecido do espaço ao redor de Cabel distorceu-se de forma grotesca. Com um estalo seco e agudo que fez o oxigênio do quarto estalar, o jovem Ernest simplesmente sumiu no ar. Ele deixou para trás apenas o rastro flutuante de partículas mágicas luminescentes e o eco de sua respiração apressada.

A transição espacial foi um borrão de pura força e descompressão mágica. Quando os pés de Cabel tocaram o chão firme de pedra novamente, o impacto quase o fez cair de joelhos. Ele se viu nos limites externos do domínio sagrado e isolado da Torre Negra. O vento ali uivava com um som quase humano, um lamento fúnebre que cortava a névoa, e a vegetação retorcida ao redor da imensa estrutura de pedra parecia se curvar e gemer sob uma pressão invisível e esmagadora.

Seus instintos estavam em puro alerta; a adrenalina corria por suas veias em um fluxo frenético e febril. O medo paralisante de que algo terrível, definitivo e sangrento tivesse acontecido com Lucas pesava em seu peito como uma bigorna de ferro.

Cabel não fazia a menor ideia dos detalhes do confronto titânico que acabou de se desenrolar nos céus e nos aposentos reais do império de Sycansia. Ele não testemunhou a fúria devastadora de Hades, tampouco a possessão que o mestre sofreu à distância. No entanto, a ligação direta, intrínseca e espiritual estabelecida pelo pacto de mestre e pupilo operava como um farol de pura agonia em sua mente. A conexão mística vibrava em uma frequência caótica e agonizante, informando-o, sem a necessidade de uma única palavra, que algo de proporções catastróficas e terríveis havia abalado a estrutura mental e o núcleo místico de Lucas.

Correndo com toda a velocidade que suas pernas podiam impulsionar, ignorando o cansaço e o vento cortante que castigava seu rosto, Cabel aproximou-se da imensa entrada. Diante dos portões de ferro negro, minuciosamente entalhados com símbolos arcanos da era antiga, ele travou por um breve, porém agonizante, segundo. Um receio repentino e uma insegurança infantil morderam seu calcanhar: o medo paralisante de ser rejeitado pela própria estrutura viva da Torre, de ser considerado um intruso indigno daquela herança sagrada agora que o mestre parecia enfraquecido.

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