O Festival dos Reinos, que outrora prometia ser uma celebração de alianças e opulência, transformou-se no epitáfio de uma nação. Onde antes erguiam-se as torres majestosas e os jardins suspensos de Arlanta, agora restava apenas o silêncio fúnebre do nada. O reino foi completamente dizimado, reduzido a uma vasta planície de destroços e poeira cinzentos que dançavam ao vento como fantasmas desolados.
Não havia sobreviventes nas ruas outrora lotadas; os palácios derreteram sob o calor da magia apocalíptica, transformando-se em poças de pedra vitrificada e ruínas enegrecidas. O cheiro de enxofre e morte impregnava o ar rarefeito.
Arlanta não havia apenas caído; sua existência foi cirurgicamente arrancada do mapa, deixando uma cicatriz fumegante no continente e um eco de desespero que atormentaria os vivos para sempre.
Tudo era culpa daquele monstro...
O monstro que agora seria encarcerado na Torre Negra.
A Torre Negra guardava seus segredos com uma ferocidade viva. Para o resto do continente, ela não passava de um fantasma arquitetônico, uma miragem que recuava a cada passo e distorcia o espaço. Ninguém — nem mesmo o sangue Sycansiano, hereditário de Yuri, o fundador da Torre — era capaz de cruzar seus umbrais sem ser esmagado pelas defesas automatizadas do lugar.
Apenas duas pessoas conheciam a pulsação real daquela fortaleza. E ali, liderando a marcha fúnebre pelos corredores claustrofóbicos e descendentes de obsidiana, estava Cabel, o pupilo de Lucas, atual Guardião da Torre Negra.
O último Imperador de Arlanta avançava com passos pesados usando seu manto de pureza herdado por Yuri; sua mão direita firmemente apoiada nos nós rúnicos das paredes a cada bifurcação. Ele não podia simplesmente abrir os portões e recuar; seu selo precisava permanecer ativo sob sua própria assinatura biológica durante todo o trajeto. Deixar a torre aberta ou desacompanhada significaria o colapso do isolamento. Cabel precisava guiar a Princesa Agnes de Sycansia, seus três generais de guerra e um implacável Ijekiel Alpheus até a câmara de contenção mais profunda do subsolo.
Arrastado pelas correntes de ferro estígio, Luke sibilava. Seus pulsos estavam rigidamente presos pelas algemas anula-magia da Casa Alpheus. O metal pulsava em um tom dourado asfixiante, sufocando o núcleo do clone, mas sua mente distorcida continuava operando com uma malícia venenosa.
De repente, diante do imenso portal de ferro que guardava a cela de isolamento absoluto, Ijekiel parou. Seus olhos dourados, geralmente serenos, fixaram-se nos arabescos mágicos que ganhavam vida nas paredes, refletindo uma dúvida latente.
"Cabel, espere." Ijekiel chamou, a voz baixa ecoando no ambiente úmido. "Há um risco biológico aqui. Luke foi criado a partir da carne e da própria mana de Lucas. Ele possui o mesmo mapa genético do Mago da Torre. Por que a fortaleza vai aceitá-lo como um prisioneiro em vez de reconhecê-lo como seu mestre e protetor? Se os sistemas de defesa da torre confundirem a assinatura dele com a de Lucas, nós seremos os encurralados."
Agnes e seus generais tensionaram-se instantaneamente, as mãos repousando sobre os pomos de suas espadas. A dúvida era cirúrgica.
Luke sorriu no chão, os dentes manchados de escarlate, deliciando-se com a hesitação de seus captores.
Cabel, no entanto, não hesitou. Ele virou-se ligeiramente, revelando um semblante exausto, mas endurecido pela perda.
"A torre não é um mecanismo cego, Ijekiel. Ela não lê apenas a assinatura da mana; ela responde ao vínculo espiritual de proteção e à intenção da alma." Cabel explicou, a voz rouca, mas carregada de certeza absoluta. "Lucas é o mestre absoluto porque a alma dele está ancorada ao dever de proteger a Torre. Já Luke... Luke é uma anomalia vazia, um parasita feito de ódio e rejeição. A energia dele é uma distorção corrompida. E é por isso que a minha inscrição mágica de guardião é a chave. Quando eu cravar o meu selo na cela, a torre reconhecerá a minha autoridade para rotular a assinatura biológica dele como uma ameaça externa perigosa, e não como o dono."
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Find You
Fanfiction"De olhos fechados, o que consegue ver, Athy? (...) Se for a escuridão, saiba que essa é a minha vida sem você. E a beleza que vê agora... (...) É como está começando a ser minha vida ao seu lado." "Está vendo as estrelas, Lucas? (...)Quando olhar o...
