Lucas Reudh de Sycansia!

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TW: Vilão +18 | Mortes

Minutos antes da crise mágica dos bebês no Palácio Esmeralda...

O crepúsculo caía sobre Sycansia, tingindo o céu com nuances de um roxo denso e fios de ouro velho, como se a própria atmosfera do império reconhecesse a gravidade monumental daquele dia. Desde as primeiras horas da tarde, um silêncio pesado, carregado de uma ansiedade quase palpável, havia se instalado do lado de fora dos portões do palácio imperial. O burburinho contido de milhares de vozes subia como fumaça em direção às janelas altas da Sacada Real. Eles sabiam. Todos os habitantes já sabiam.

A imagem de uma semana atrás ainda estava nitidamente gravada na mente e na alma de cada cidadão sycansiano: o Imperador Hades, uma figura historicamente inabalável, fria e imponente, cruzando os portões principais do palácio carregando o jovem desacordado em seus braços. A fragilidade inédita daquela cena e a quebra absoluta do protocolo real haviam acendido uma faísca de esperança e curiosidade que nenhum boato ou tentativa de abafamento foi capaz de apagar. E hoje mais cedo, após a demonstração espalhafatosa de Lucas, era impossível manter o segredo por mais um dia. Aquele era o herdeiro legítimo que finalmente havia retornado. Mas, apesar dos sussurros incessantes que ecoavam pelos corredores de pedra, o povo necessitava de uma confirmação formal. Precisavam ver com seus próprios olhos para finalmente crer na promessa de um novo amanhecer para o reino isolado.

O vento uivava fustigante, cortando a pele como lâminas de gelo, mas nem mesmo o frio eterno e implacável daquele Reino foi capaz de esvaziar a praça central do castelo. Milhares de sycansianos se amontoavam milimetricamente, formando uma massa compacta de cabelos negros e mantos de pele pesados, todos com os olhos fixos, famintos, na sacada. Abaixo deles, a neve cobria o chão como um manto imaculadamente branco, contrastando violentamente com a lava incandescente que circulava o reino. Os rios de fogo rugiam nas fossas profundas, lançando um brilho alaranjado, quente e sinistro contra os floquinhos de neve que caíam incessantemente do céu plúmbeo. No centro exato da praça, a imensa estátua da Deusa do Amor parecia observar a multidão com uma melancolia pétrea e milenar. O gelo espesso acumulado em suas mãos de pedra parecia representar as lágrimas congeladas que ela derramou outrora pela salvação de sua amada família e de seu povo sofrido.

Lucas estava parado atrás das pesadas cortinas de veludo carmesim, que ele havia afastado um pouco para observar o horizonte. Ele sentia suas mãos suarem frio dentro das luvas de couro fino e bem ajustado. Seu coração batia em um ritmo desalentador. Uma frustração profunda corroía seu peito. Se dependesse de sua real vontade, ele jamais estaria ali, prestes a se submeter a um espetáculo público. Ele queria partir. Cada fibra de seu ser clamava para que ele saísse daquela ilha vulcânica e retornasse imediatamente para Obelia, para os braços de sua amada Athanasia. No entanto, ele estava tragicamente preso.

Ele compreendeu, tomado por um choque frio de realidade, que seu poder atual era grande demais, uma magnitude devastadora e sem controle que, se forçada através do espaço sem a devida estabilização física e ritualística, rasgaria o tecido da realidade. Lucas não apenas falharia em se teleportar, como o retorno de energia vaporizaria tudo em um raio de quilômetros, correndo o risco de colapsar o ponto de chegada e destruir a própria Athanasia. Para não se tornar o arquiteto da ruína de sua amada, ele foi forçado a reprimir seus instintos, aceitar a farsa temporária e submeter-se aos termos de Hades para alcançar Obelia de forma segura e legítima através do iminente Festival dos Reinos.

Por isso, ele vestia trajes reais pesados, exatamente como aquele que o espírito de Aisha teceu em seu corpo assim que ele despertou de seu transe: um terno feito de um tecido absurdamente caro, deslumbrante e sob medida. Aqueles que o conheciam sabiam o quanto ele era vaidoso e meticuloso com suas roupas, sempre conjurando vestes espalhafatosas e impecáveis. Mas esse traje específico era o de um Príncipe Herdeiro, e ele nunca, em séculos de existência, havia ousado tentar algo do tipo, já que sempre atuou como um prestador de serviços de elite para famílias reais, mas jamais fez parte de uma. O pano principal era branco como a neve mais pura, magnânimo, cravejado com detalhes intrincados de ouro e rubis. Ao redor de seus ombros largos, onde havia um detalhe bordado mais elaborado, descia uma capa preta opaca que se estendia até o chão, terminando em recortes que lembravam as asas pontudas de uma criatura da noite.

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