Impostor

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TW: Vilão = Lukathy

Lucas encontrava-se em seus aposentos reais, completamente imerso em seus estudos complexos sobre a magnitude sem precedentes do poder do pequeno Lucius. Foi nesse exato momento que ele sentiu uma pontada estranha, um sobressalto incômodo e doloroso em seu próprio núcleo mágico. A conexão cortou seu foco, trazendo de forma abrupta pequenos fragmentos borrados de uma imagem mental distorcida, uma cena que ele, por mais que tentasse, não conseguia decifrar com clareza.

Um calafrio violento passou por sua espinha, eriçando cada fibra de seu corpo; ele soube instantaneamente que Luke estava tramando algo perverso. Mas antes que pudesse se aprofundar na tentativa de rastrear aquela visão ou iniciar uma fórmula de resolução para o problema, o choro alto e agudo de Lucius ecoou pelo quarto, arrancando Lucas de seus pensamentos caóticos.

Lucas soltou um suspiro pesado, tentou afastar o mau pressentimento da mente e aproximou-se do berço ornamentado. No momento em que pegou o bebê em seus braços, o choro cessou quase que imediatamente, mas o mago franziu o cenho ao notar que o corpinho do recém-nascido estava assustadoramente quente, queimando como uma brasa viva. Sem saber exatamente como lidar com aquela temperatura febril de origem mágica - já que já havia tentado praticamente tudo -, Lucas pegou um paninho limpo, embebeu-o em água fria e começou a passá-lo com extrema delicadeza no rostinho miúdo do bebê. Para sua surpresa e leve pânico, no instante em que o pano tocava a pele de Lucius, a água evaporava instantaneamente, soltando uma fumaça branca e espessa, como se o bebê estivesse tão quente por dentro que precisasse ser resfriado de forma urgente por uma força externa.

Lucas franziu o cenho, e se lembrou do que Cabel o informou sobre Eric; que o albininho portava o núcleo de gelo e sempre ajudava Lucius nesse momento. Pensando rápido em algo totalmente inusitado para resolver a situação antes que o núcleo do garoto entrasse em colapso. Ele envolveu o bebê firmemente em seus braços e caminhou a passos rápidos para o lado de fora do castelo, onde o vento cortante e gélido do inverno de Sycansia se chocava com violência contra as pedras da fortaleza.

Lá fora, sob o céu escuro, os floquinhos de neve aos poucos começaram a despencar de forma suave sobre os dois. Alguns flocos derretiam no ar antes mesmo de tocar a pele de Lucius, enquanto outros repousavam suavemente sobre o rostinho aquecido dele, criando um contraste térmico perfeito.

Sentindo o resfriamento natural do ambiente, o bebê aos poucos relaxou os músculos miúdos e pareceu se sentir imensamente mais confortável, soltando um suspiro aliviado.

"Garoto, mesmo com um selo de alta classe restringindo sua mana, parece que você vai se cozinhar vivo com esse poder absurdo todo se não tomar cuidado." Lucas disse em um tom baixo, sua voz carregada de um encantamento genuíno que ele raramente demonstrava.

O grande mago mal percebia que estava esboçando um sorriso aberto e sincero ao ver a fofura dos olhos carmesins mágicos de Lucius aos poucos mudarem de tonalidade. A cor avermelhada e intensa foi diminuindo até que as orbes voltaram a ser uma pedra esmeralda profunda, mas com uma característica extraordinária: a íris parecia rachada por brilhos carmesins eternos, e aqueles filetes vermelhos de mana pura pareciam pulsar continuamente desde o centro da pupila. Era algo absolutamente magnífico de se testemunhar.

 Era algo absolutamente magnífico de se testemunhar

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