In the shadows

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TW: Sangue | Violência | Mortes
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Como já era esperado por suas capacidades místicas, Dice não encontrou a menor dificuldade para ludibriar a segurança mental dos poucos guardas que patrulhavam os subsolos úmidos e escuros do palácio. Ele permitiu que sua estrutura física se dissolvesse, transformando-se em uma densa massa de sombras vivas que deslizou em alta velocidade pelo solo em direção às masmorras subterrâneas - uma informação geográfica extraída cirurgicamente da mente de um dos sentinelas antes de apagá-lo.

O rastro escuro serpenteou silenciosamente por entre as frestas das rochas, contornando a luz trêmula das tochas, até se rematerializar de forma imponente diante das grades de ferro reforçadas da cela de segurança máxima.

"Simplesmente deplorável." Dice sibilou. Sua voz ecoou como um sussurro gélido pelas paredes de pedra, quebrando a penumbra que envolvia o Alger mais velho.

"Dice?!" Anastacius sobressaltou-se na escuridão. Seu coração deu um salto violento ao reconhecer a silhueta inconfundível do Imperador de Arlanta. Impulsionado por uma onda repentina de esperança, ele se colocou de pé num ímpeto ávido, correndo até as grades e agarrando-se aos ferros frios. Ele realmente acreditava que aquele seria o seu resgate.

"Ah... O que eu deveria fazer com uma criatura tão inútil?" Dice indagou, a voz impregnada de um deboche cortante. Ele encostou as costas displicentemente contra a parede oposta, cruzando os braços. "Deixar você apodrecer neste buraco infecto como um rato de esgoto que implora por reles migalhas de misericórdia?"

"Por favor! Eu imploro que me tire deste lugar!" Anastacius forçou o corpo contra as grades, o desespero nublando seu julgamento. "Você sabe que eu seria capaz de executar qualquer tarefa, de ir até os confins deste mundo para auxiliá-lo em tudo o que preci-"

"ENTÃO ME EXPLIQUE POR QUE INFERNOS VOCÊ OUSOU TENTAR ME TRAIR?!" Dice esbravejou, a fúria rompendo sua fachada desleixada como um vulcão.

Em um movimento rápido como o raio, ele desferiu um chute brutal contra as grades. O metal ressoou em um estrondo ensurdecedor. Sem dar tempo para qualquer reação, Dice enfiou a mão direita por entre os vãos e cravou os dedos no pescoço de Anastacius com uma força descomunal, suspendendo-o levemente do solo.

"Por acaso a sua mente insignificante acreditou que eu não descobriria?" O rosto de Dice se aproximou das grades, os dentes arreganhados. "Você utilizou aquela sua magia nojenta e parasitária para sabotar o fluxo de mana daquela vagabunda! Fez com que o núcleo dela entrasse em colapso total e explodisse como um ovo podre ao chocar-se contra o chão.

"Eu... Por favor... Perdão..." Anastacius engasgava, o ar escasseando rapidamente enquanto seus pés chutavam o vazio.

Naquele milésimo de segundo, o pânico do receptáculo deu lugar à frieza do parasita. Aethernitas assumiu o controle da voz, tentando salvar o corpo que o abrigava de uma execução óbvia:
"Eu... Eu fui completamente subjugado e controlado pelos anseios biológicos deste corpo corrompido... Eu não tive escolha..."

Aquela desculpa pífia apenas inflamou os instintos homicidas da alma maligna de Lucas dentro de Dice. A vontade de fechar o punho até que as vértebras se rompessem era quase irresistível. Quão gratificante seria assistir àquelas íris da realeza obeliana saltarem das órbitas diante de seus próprios olhos que, naquele exato instante, começaram a arder.

"Sangrando! Os seus olhos... Eles estão sangrando!" Anastacius conseguiu balbuciar. O horror em sua voz era genuíno ao notar o fluido que escapava da face do opressor.

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