Burn!

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TW: Vilão

Não demorou muito para que a lua, com sua pátina de prata antiga, desse lugar ao sol que rasgava o horizonte em tons de brasa e ouro. O grande dia da Reunião de Preparação para o Festival dos Reinos finalmente chegou, trazendo consigo uma atmosfera carregada de uma eletricidade invisível, mas quase palpável.

O grande salão de reuniões da Casa Central, um monumento de mármore e colunas colossais que testemunhou séculos de tratados e tradições, estava consideravelmente mais cheio do que o normal. Nobres de alto escalão, embaixadores e cortesãos vestindo suas sedas mais finas enchiam as galerias secundárias. O burburinho era incessante; sussurros abafados e conspirações de corredor ecoavam antes que a sessão principal de fato começasse. O festival aconteceria dali a exatos cinco dias. Para o povo, era uma celebração de trégua e opulência; para os monarcas, um jogo de xadrez geopolítico onde qualquer passo em falso poderia desencadear uma guerra continental.

Aos poucos, as pesadas portas de carvalho e bronze se abriam, anunciando a chegada dos líderes dos Quatro Reinos. Cada um deles entrava ladeado por comitivas estritas de cavaleiros de elite e servos pessoais. A segurança havia sido triplicada; os eventos recentes de instabilidade mística haviam deixado a todos em estado de paranoia constante. Cumprimentavam-se com inclinações de cabeça rígidas, sorrisos ensaiados que não alcançavam os olhos, antes de ocuparem seus assentos designados ao redor da imensa mesa redonda de madeira maciça. Todos aguardavam o conselheiro-chefe da Casa Central ditar o primeiro e único assunto do dia.

Obviamente, Claude de Alger Obelia participava daquela farsa política. Sentado com uma elegância aristocrática que beirava o insulto, ele soltava bufares entediados e impacientes. Atrás de sua cadeira, Félix Robane sentia o suor frio escorrer por sua nuca. O cavaleiro ruivo murmurava súplicas desesperadas, implorando com os olhos para que seu Imperador mantivesse as aparências. Era quase impossível suportar as encaradas julgadoras e os olhares de soslaio que os outros nobres disparavam contra eles; afinal, os escândalos e desastres mágicos recentes em Obelia ainda eram o assunto favorito das cortes estrangeiras.

Mas o loiro de olhos de safira não dava a mínima. Ele apenas apoiava o queixo no dorso da mão, encarando a paisagem através da imensa janela de vidro, contando mentalmente cada segundo que faltava para ordenar o retorno imediato ao seu império.

"Vossa Majestade, por favor..." Félix choramingava num sussurro quase inaudível, juntando as mãos sob o tecido de seu uniforme imperial, em puro desespero. "Apenas um pouco mais de paciência, sim?! Logo tudo isso acabará e iremos para casa!"

"Estou contando os minutos com precisão cirúrgica, Félix. Só de pensar que sou obrigado a dividir o mesmo ar que aquele..."

Antes que Claude pudesse concluir sua frase cortante, o som pesado das trombetas ecoou pelo salão. O anúncio oficial foi feito pela guarda heráldica, e as imensas portas se abriram de par em par para dar passagem ao próximo governante.

Era Dice Ernest, o Imperador de Arlanta.

Só de fixar os olhos naquela figura ruiva, o sangue de Claude ferveu instantaneamente, subindo pelas suas veias como fogo líquido. Uma vontade avassaladora de desembainhar sua espada e cortar a garganta daquele homem ali mesmo tencionou cada músculo de seu corpo. Ao lado de Dice, caminhando com uma lentidão calculada e teatral, vinha um homem inteiramente trajado em vestes negras da mais pura seda escura, ostentando orgulhosamente o título de Mago Real e conselheiro pessoal do trono arlantino.

O manto negro que ele usava possuía um capuz profundo que cobria quase a totalidade de seu rosto, lançando sombras densas sobre suas feições. No entanto, não foi o suficiente para esconder o sorriso vitorioso, sádico e repugnante que dançava em seus lábios quando seu olhar, negro como o próprio abismo, cruzou diretamente com o de Claude.

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