"De olhos fechados, o que consegue ver, Athy?
(...) Se for a escuridão, saiba que essa é a minha vida sem você. E a beleza que vê agora...
(...) É como está começando a ser minha vida ao seu lado."
"Está vendo as estrelas, Lucas?
(...)Quando olhar o...
Nas profundezas mais obscuras do continente, onde a própria luz parecia hesitar antes de entrar, a masmorra de contenção da Torre Negra exalava uma atmosfera de opressão quase insuportável. Ali, confinado por correntes imbuídas de runas antigas e selos de supressão absoluta, jazia Luke. O monstro que desafiou a ira do Mago da Torre Negra estava subjugado, mas sua mera presença mantinha o ar denso, impregnado com o miasma residual da necromancia que quase dizimou o mundo.
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No controle total daquela vigília implacável estava Cabel Ernest, o pupilo leal e resiliente de Lucas, e atual Guardião da Torre. Sempre que ia à fortaleza para verificar a contenção, os olhos cianos de Cabel, cansados, mas afiados, não se desviavam um segundo sequer da sela do prisioneiro. Ele sabia que qualquer deslize seria fatal. No entanto, o verdadeiro peso daquela prisão não recaía apenas sobre sua guarda, mas sobre o mestre que estava exilado de seu próprio domínio.
Lucas estava temporariamente impedido de acessar a Torre Negra. A razão era uma verdade cruel e matemática: a ressonância de alma entre ele e Luke. Após a colisão devastadora no Festival dos Reinos, o tecido espiritual de ambos havia se entrelaçado de forma perversa. Quanto mais Lucas se aproximava de seu domínio, mais forte se tornava a estática mágica, ameaçando iniciar uma fusão irreversível de suas existências.
Se Luke morrer, eu morro com ele.— Lucas constatou naquele dia, com uma frieza que gelou o sangue de seus aliados.
Não havia escolha. Como a execução de Luke significaria a morte instantânea de Lucas, restava apenas a tortura da cautela extrema. Lucas, o mago mais poderoso do mundo, estava privado de seu próprio santuário, forçado a caminhar pelas bordas de seu domínio pelo simples receio de que a proximidade com o prisioneiro desencadeasse o fim de sua individualidade. Cada dia de isolamento era um lembrete silencioso de que, embora a guerra estivesse pausada, a linha que o separava da destruição total continuava fina como um fio de cabelo.
Sete dias após a guerra, a imagem da destruição parecia ainda mais evidente e impiedosa. O vento que soprava pelas planícies arruinadas de Arlanta já não trazia o aroma de folhas secas e terra fértil; em vez disso, carregava o cheiro corrosivo de ozônio, fuligem e o eco fúnebre de uma devastação sem precedentes na história do continente. Aquele lugar, outrora aclamado em todas as crônicas como o orgulhoso "Império do Outono" por suas florestas perenemente douradas e colinas tingidas em tons de cobre vibrante, agora não passava de um deserto cinzento, um cemitério a céu aberto coberto por camadas espessas de poeira e ossos de pedra.
No topo da colina mais alta, onde as imponentes fundações de pedra branca da antiga capital haviam sido pulverizadas até virarem cascalho miúdo, uma silhueta permanecia perfeitamente estática.
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