Preparativos

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Os dias que se seguiram ao terrível e profano incidente nos aposentos da princesa herdeira foram marcados por uma atmosfera de extrema opressão e silêncio sepulcral dentro do Palácio Imperial de Obelia. O ar, outrora leve e perfumado pelas roseiras dos jardins internos, parecia ter se transformado em chumbo líquido, sufocando cada servo, guarda e nobre que ousasse caminhar pelos longos corredores de mármore branco. Os sussurros haviam morrido; o mero ato de respirar alto demais parecia um crime de alta traição sob o teto do reinado Alger Obelia.

O Imperador parecia caminhar constantemente sobre o fio gilete de sua própria sanidade mental. Cada passo do soberano ecoava como um prenúncio de tempestade, um trovão contido que fazia as estruturas estruturais e decorativas do palácio vibrarem em um terror silencioso. Para Claude de Alger Obelia, foi necessário um esforço hercúleo, um esvaziamento quase sobre-humano de seus impulsos mais primitivos e um controle emocional sem precedentes na história de seu reinado para não mobilizar imediatamente toda a frota de guerra do império, convocar os cavaleiros de elite da Guarda Real e marchar em direção às fronteiras de Arlanta.

A audácia inaceitável de Luke — aquele clone maldito, uma aberração corrompida e desprovida de emoções — em profanar o solo sagrado de seu palácio, enganar sua filha preciosa sob o disfarce daquele que ela amava e tocá-la de forma tão sórdida inflava o sangue do loiro com um desejo ardente, quase incontrolável, de aniquilação completa. Claude não queria apenas uma execução pública; ele desejava, do fundo de suas entranhas imperiais, apagar a própria existência daquela criatura da história viva e escrita do continente. Sua mandíbula permanecia travada dia e noite, e o brilho azul-joia de seus olhos oscilava em uma tonalidade opaca e assassina.

Félix Robane permanecia como uma sombra vigilante, incansável e compassiva ao lado de seu amigo de infância e soberano. Suas mãos calejadas pelo cabo da espada permaneciam constantemente próximas ao punho da arma, com os músculos das costas e dos ombros tensos, sabendo que qualquer faísca negligenciada, qualquer olhar torto ou palavra dita fora de hora por algum nobre insensato ou diplomata descuidado, poderia desencadear um conflito continental de proporções catastróficas. Claude queria ver a cabeça daquele impostor cravada em uma estaca na entrada principal do império, exposta aos corvos, mas a iminência do Festival dos Reinos o forçava a engolir temporariamente sua fúria assassina em prol da geopolítica e da diplomacia internacional.

A raiva de Claude não era do tipo que gritava, que quebrava móveis caros ou esbravejava ordens coléricas aos quatro ventos; era a fúria gélida, silenciosa, comprimida e concentrada. Era uma pressão espiritual tão densa e cortante que secava o ar ao redor, transformando a brisa primaveril do palácio em um hálito ártico que congelava a espinha de qualquer um que se aproximasse a menos de dez metros dele. Até mesmo as plantas da estufa real, outrora vibrantes, verdejantes e cheias de vida sob os cuidados de Athanasia, começaram a murchar, perder o viço e deixar cair suas pétalas sob o peso sufocante de sua intenção assassina.

Enquanto o imperador lutava contra seus próprios demônios internos no isolamento de seu trono de ouro, Cabel Ernest não se permitia um único segundo de descanso. Utilizando com total maestria e reverência o poder herdado diretamente da linhagem de Calvin, o jovem príncipe trabalhou exaustivamente junto aos magos mais poderosos da corte imperial de Obelia para reajustar, amplificar e fortificar a grande barreira de proteção que envolvia as terras obelianas.

Com os olhos focados, veias levemente salientes em suas têmporas devido ao esforço e as mãos brilhando em uma tonalidade mística e hipnotizante, ele teceu sua própria mana ciana e purificadora — agora magnificamente imbuída e estabilizada pelo poder arcanista primordial que Lucas lhe compartilhou — diretamente nas runas antigas esculpidas nas fundações de Obelia. Cabel criou um escudo mágico de proporções monumentais, uma cúpula invisível a olhos nus, mas dotada de uma assinatura de rastreamento tão refinada, implacável e cirúrgica que transformou as fronteiras do império em uma armadilha intransponível para as forças das trevas.

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