— Dr. Carla, seu último paciente chegará em trinta minutos.
A Renata falou assim que entrou em minha sala do consultório.
— Tem certeza, que ainda tenho mais um? — Arqueei minha sobranselha em duvida e ela afirmou. Ambas estavam cansadas e isso era nítido. — Rê, se você quiser pode ir, já está tarde e você está cansada.
— E você, vai ficar sozinha? — Ela me olhou preocupada.
— Daqui a pouco, o meu amor chega. — Sorrimos juntas. — E me ajuda a fechar o consultório, pode ir. Se cuida.
— Você nunca esteve tão bem.
Ela piscou seu olho e eu neguei envergonhada. Olhei no relógio que estava no meu pulso e marcava seis e trinta da noite. Respirei profundamente, pois o meu dia tinha sido totalmente cansativo e eu nem acreditava que só faltava apenas mais um paciente para finalmente poder descansar. Ergui minha cabeça e a Renata já não se encontrava em minha sala.
Comecei a organizar todos os meus matérias apenas deixei um bloco de notas em cima da minha cadeira e eu notebook ligado caso precisasse.
Em um dos nichos que participava da decoração clássica da minha sala tinha um pequeno Micro System, fazia tempo que eu não ouvia nada. Eu gostava de músicas para relaxar e nada como uma boa música pelo menos para sair a minha expressão de cansaço. Conectei o Pen Drive e comecei a selecionar as musicas: Caetano Veloso não, Elis Regina não, Djavan não, Marisa Monte não, Tom Jobim SIM.
Estava cansada de ouvir criticas negativas sobre meu estilo de música, mas eu só conseguia parar e ouvir um bom MPB e de preferência os meus antigos, pois não se fazem mais musicas como antigamente. Coloquei um som ambiente e comecei a cantarolar e apreciar verdadeiras musicas boas. E a hora em instantes se passou.
Para Felipe Amor: "Dispensei a Renata, estou atendendo o meu ultimo paciente, quando você chegar me espera na recepção. Te amo "
Recebi logo uma confirmação de entrega e sua resposta.
De Felipe amor: "Ok. Amo mais"
Por precaução e por alguma eventualidade que pudesse existir deixei duas chaves extras com o Felipe do meu consultório e da minha casa, pois nunca sabemos o que pode acontecer.
Um som ambiente e agradável permanecia na minha sala e graças a uma câmera de segurança que ficava depois da recepção e uma pequena TV me possibilitava vê quem estava na porta e assim que vi o meu mais novo paciente esperando na porta fui recebê-lo.
— Pode entrar. — Falei simpaticamente dando espaço para o mesmo passar.
Ele sorriu mostrando os seus dentes brancos e uniformes, ele aparentava ter seus trinta e poucos anos, com meus cabelos despojados, com um acentuado terno escuro e gravata e com os olhos da mesma tonalidade que o do Felipe, mas não tinha um olhar intenso como o dele, porém não tinha como negar o seu charme.
— Obrigado, Dra. ... — Ele esperou eu que eu o ajudasse com o meu nome.
— Carla, Dra. Carla.
— Isso. — Novamente ele mostrou os seus dentes. — Dra. Carla.
— Você é.. — Eu também não sabia o nome dele, era a sua primeira vez aqui. Ele era um dos sócios do supermercado da minha Tia Cláudia. Logo fui até a mesa da recepção e peguei a sua ficha e procurei rapidamente o seu nome.
— Arthur. — Pronunciamos o seu nome na mesma hora.
— Minha sala fica logo ali.
Apontei para porta e caminhei até a minha sala e o Arthur me seguiu. Dei-lhe espaço para ele se sentar no sofá e eu sentei em na cadeira em sua frente.
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Chora Menina
RomansaEla uma menina cheia de sonhos que teve sua adolescência interrompida por um abuso sexual. Ele um menino comum. Ela cresceu e se tornou uma mulher infeliz. Ele cresceu e se tornou um homem comum, com pensamento comum. Ela luta dia após dia para esqu...
