22 Capítulo - E a Semente da Discórdia foi Plantada por Jessica D.

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Se eu afirmasse que nada mudou estaria mentindo, o que mudou foi de ter tirado um peso de minhas costas ou pelo menos a metade dele. Sei que deveria ter contado toda história para o Felipe sem deixar de contar nenhum detalhe, mas eu não me senti pronta, mais uma vez fui uma covarde. 

O fato que me tornei uma covarde desde quando fui estuprada. O Pedro, meu padrasto, conseguiu levar minha inocência e de presente ganhei o medo e a fobia. Tudo isso já faz parte de mim, como se estivesse vida própria junto aos meus atos e por mais que eu tentasse deixar tudo isso pra trás eu não conseguia. Tudo isso sempre vai ser um degrau na minha frente. 

Segundo a Clara eu estava alucinada, vendo coisas aonde não tem, afirmando e tirando conclusões precipitadas, mas não era, eu tinha a certeza. Eu o conhecia tão bem para julga-lo sem medo. Afinal por qual motivo o Felipe estava fugindo dos encontros a dois, uma vez que ele nunca negava um pedido meu. Trabalho? O trabalho nunca vai ser uma justificativa, ele sempre dava um jeito. Só sei que estou eu aqui com o celular na mão esperando a sua ligação pois já passa das oito da noite e nenhum sinal de vida dele.

— O Felipe deveria da noticias. — Falei encarando o meu celular para transparecer que não estava dando muita importância.

— Deixa o coitado respirar, Ca. 

— Falou quem não fica vinte e quatro horas em cima do namorado. — Forcei minha voz para soar engraçado.

Mas não adiantava, meu espirito não estava nada pra brincadeiras, não agora sem noticias dele.

— Mas isso não combina com você, deixa isso pra mim. — Justificou-se com o sorriso nos lábios. — Liga pra ele. 

Tirei meus olhos do celular e a encarei profundamente em seus olhos. Ela sabia que eu não iria ligar pra ele. Preferia morrer de aflição e ansiedade, mas eu não correria atrás dele, uma vez que não fiz nada.

— Jamais. Pois estou tranquila enquanto a isso.

Me levantei rapidamente do sofá derrubando o meu celular e os travesseiros decorativos no chão. Droga! Esbravejei mentalmente e suspirei profundamente para me manter calma, em passos curtos e delicados caminhei até a escada e segui ainda calma para o meu quarto. Eu tinha que transparecer pelo menos pra Clarinha que eu não estava desesperada, que estava tudo bem, enquanto na verdade não estava, mas no meu quarto eu poderia ser eu, apenas no meu quarto posso da voz nos meus sentimentos.

Minha cama era meu maior consolo, eu me sentia completamente confortável e quando eu estava nela fico livre de qualquer aborrecimento. Meu segundo canto de paz, pois o primeiro sempre será os braços dele. Fechei meus olhos enquanto me deitava na cama e fui criando cenas lindas em minha mente, momentos que no fundo, bem no fundo, eu tinha a esperança que ia acontecer. A medida que os minutos iam se passando eu pensava ainda mais nos meus sonhos e quando dei por mim uma hora tinha se passado. Virei ainda na cama dando de cara a porta e quando abri os olhos tive uma surpresa.

— Você por aqui. — Abrir meus lábios mostrando meu mais verdadeiro sorriso.

— Estava com saudades de você.

O Jr falou entrando no meu quarto sentando na minha cama.

— Estou surpresa com sua visita ilustre, quem é vivo sempre aparece. — Brinquei e o Jr soltou o riso forçado.

— Muito engraçada você. — Ele mostrou sua língua e eu rir o que o fez rir junto comigo.

Eu estava com saudade do som da risada do Jr, estávamos tão perto e tão distante um do outro ao mesmo tempo, devido a correria do dia-a-dia, mas independente de qualquer coisa o carinho que sinto por ele só faz aumentar.

Chora MeninaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora