Trabalhar é muito bom, você se sente útil, se sente ágil, sente que pode mudar o mundo, fazendo a sua parte. Meu consultório está cada vez mais lotado, muitas pessoas estão vindo pra cá. Estou me sentindo totalmente realizada. Tudo esta se encaixando na medida certa.
— Desculpas, entrar assim Dr. Carla, é que eu bati na porta e você não me respondeu. — Falou a Renata toda envergonhada.
— Não precisa se desculpar Rê, e não me chame de doutora, me sinto uma velha de 50 anos. — Rir para descontrair e ela sorriu.
— O seu primo esta aí, posso mandar ele entrar? — Ela perguntou toda calma com o seu jeitinho doce. Assenti e ela saiu da minha sala.
Já vi que tinha algum problema, quando o Jr me procura é porque as coisas estão " brabas " pro seu lado. Suponho que ele aprontou e veio me procurar para ver se eu tinha alguma alternativa pra resolver o seu problema.
— Eu sei que não convém você ser minha psicóloga por que somos parentes, mas eu acho que estou ficando louco. — Ele falou sentando em meu sofá e abaixando a cabeça.
Eu estava bastante preocupada com o Jr ele nunca reagiu dessa forma ele sempre foi confiante em suas atitudes.
— Eu não vou ser a sua psicóloga, irei ser sua amiga. — Disse enquanto saia da minha cadeira para sentar ao seu lado. — Lembra de antigamente, quando nós éramos tão unidos? E não tinha a Clarinha para sentir ciúmes? — Perguntei rindo para quebrar aquela situação. O abracei confortamente, dando-lhe um beijo em sua testa e ele retribuiu com um sorriso abafado.
— Carla. — Ele começou a falar atenciosamente olhando em meus olhos. — Eu preciso mudar, eu quero ser um homem de verdade, cansei de ser um moleque, eu quero que a minha mãe comesse a sentir orgulho de mim. — Ele falou e me abraçou. — Me ajuda.
Sabe aquele momento no qual o seu coração não aguenta de tanta felicidade e transborda pelos seus olhos? Não contive minhas lagrimas. Essa mudança do Junior não somente iria faze-lo bem mas iria deixar minha Tia Claudia feliz.
— Porque você esta chorando Carla? — Perguntou o Jr preocupado com a minha reação. — Você é estranha.
— Eu estou muito feliz por você. — Sorrir e limpei as minhas lagrimas. — Até que fim você resolveu amadurecer.
Não que o Jr era um homem ruim, ele era mimado e irresponsável. Não queria compromisso com a vida e era muito mal agradecido com a sua mãe que fazia e faz de tudo por ele.
— A situação está me obrigando a isso. — Ele falou desconfiado coçando a sua cabeça. — Por onde eu começo? — Ele perguntou convicto de que eu teria a resposta certa e eu comecei a rir.
— Por acaso eu sou algum manual de instruções? — Perguntei tirando sarro.
— Se você é psicóloga, você aconselha as pessoas, estou correto? — Perguntou todo sarcástico, cheio de si.
— Por favor apenas me responda se você terminou o ensino médio. — Falei com muito medo de sua resposta, pelo o que eu me lembrava ele mal frequentava a escola.
— Sim, fiz um supletivo de cinco meses. — Falou com a maior naturalidade possível e eu rir dessa situação.
— Infelizmente não tem faculdade de cinco meses. — Falei lamentando. — Você poderia começar arrumando um emprego, já sabe o que quer ser profissionalmente?
— Emprego. — Ele repetiu essa palavra três vezes. — Dói? — Ele perguntou de um modo tão engraçado que me fez rir mas tive que me conter para responde-lo.
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Chora Menina
RomanceEla uma menina cheia de sonhos que teve sua adolescência interrompida por um abuso sexual. Ele um menino comum. Ela cresceu e se tornou uma mulher infeliz. Ele cresceu e se tornou um homem comum, com pensamento comum. Ela luta dia após dia para esqu...
