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A vingança e o passado se cruzaram

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- Mãe? - minha voz saiu fraca.

Ela estava amarrada e inconsciente. Eu estava desesperada. Minhas mãos estavam dormentes, pois, estava amarradas a bastante tempo. Tentei me mover, mas falhei. Ele havia me amarrado muito bem. O quarto estava escuro e a porta trancada. Eu nunca vi aquele cômodo daquele jeito. Agora, ele me deixava assustada.

Finalmente ele entrou, com um sorriso sarcástico estampado no rosto.

- A princesinha acordou? Opa, acho que fiz estrago. Já olhou seu rosto? - ele aproximou-se, tocando no meu rosto machucado.

- Você é um idiota! Me tira daqui agora! - gritei batendo os pés no chão.

- Olha aqui - ele puxou meu cabelo com força -, você não manda em nada, okay? E pode baixar o tom, mocinha. Aposto que se acha esperta, não é mesmo? Eu odeio quando falam assim comigo, sinto vontade de... Deixa para lá. - ele caminhou até mamãe.

- Você acha que vai escapar? Não vai, porque eu não irei deixar. - sorri.

- Hum, é mesmo? - ele gargalhou. - Eu sinto muito por estragar suas expectativas. Eu vou escapar.

- O que quer de mim? - perguntei com a voz trêmula.

- Você vai descobrir.

Ele saiu. Eu fiquei muito preocupada. Achei até que não fosse escapar. Até meu celular tocar. Senti ele vibrando e então, com muita dificuldade, consegui pegá-lo. Era o Maurício ligando. Eu fiquei tão feliz. Atendi imediatamente.

- Onde você está? Eu liguei várias vezes. - ele estava preocupado.

Do nada, Tatu entrou pela porta e pegou o celular.

- Devolve! - gritei numa tentativa frustrada de impedi-lo. Como eu disse, frustrada.

- Maurício, meu caro amigo. Lembra de mim? - Ele pegou um canivete no bolso e arranhou a parede como se Maurício estivesse alí.


Maurício

O que ele estava fazendo com o celular dela? Fiquei alguns segundos mudo. Eu não acreditei que ele estivesse com ela, ou melhor, por aqui.

- O que está fazendo? - minha voz saiu fraca.

- Sabe, ultimamente tenho pensado bastante no passado e acabei lembrando do nosso passado, meu caro amigo. Enfim, eu só quero paz! Eu desconheço essa palavra desde quando entrou em minha vida.

- Deixa ela em paz, Nicolas! Essa história não tem nada a ver com ela. Se você ousar tocar nela.... -ameaçei-o.

- Ah, resolveu falar meu nome? Relaxa, eu não vou fazer nada... Ainda! Desculpe, mas vou ter que desligar. Tchau.

- Alô? Nicolas? Filho da mãe!

Quando ouvi aquilo, fiquei desesperado. Tirei tudo que estava pregado ao meu corpo e sai correndo do hospital. Estava correndo quando vi minha mãe sentada na recepção tomando uma xícara de café borbulhante. Fiquei atrás da coluna para ela não me ver. Entanto esperava, não consegui pensar em outra coisa a não ser em Vitória. Aquilo estava deixando-me desconfortável. Passou-se alguns minutos e então, ela saiu. Corri rapidamente até a portaria, mesmo com a perna machucada.

Estava fazendo muito frio lá fora. Minha moto não estava lá. Peguei meu celular e chamei um Uber. Ele chegou imediatamente. Entrei e mandei ele ir rápido, já que era caso de vida ou morte.

Vitória

Eu estava morrendo de frio e não usava nenhum casaco ou coisa parecida. Mamãe continuou desmaiada. Gritei, gritei e ninguém me ouviu. Comecei a pensar direito e vi um taco de basebol atrás da mesa. Joguei-me e fui arrastando-me até a mesa. Aquele chão era muito duro e muito frio. Peguei o taco com a ponta dos pés e joguei no meu colo. Logo após, trouxe-o até minhas mãos amarradas e escondi. Tatu entrou e quase pegou-me no flagra.

- Você me parece nervosa. - arrastou uma cadeira e sentou a minha frente.

- Impressão sua! E então... Como tudo começou? - tentei distraí-lo enquanto manuseava o taco.

- Por que quer saber? - ele parecia desconfiado.

- Sabe, eu não sei sobre o passado dele e ele nunca comentou também, então... Quero saber o que tanto esconde.

- Tá. Eu e Maurício nos conhecemos na 7° série. Sempre fomos amigos, até ele me abondonar.

- Isso não parece ser o Maurício.

- Vic, pelo visto não o conhece mesmo, hein? O Maurício é mau. Não é esse anjo que você pensa. Ele já fez coisas terríveis. - Tatu levantou e rodeou a cadeira.

- Tipo?

- Humm... Ele já matou um homem. Acredita ou acha q estou mentindo?

Estava incrédula. Não consegui dizer nada. Maurício nunca faria isso... Ou faria?

- Você é um mentiroso!

- Ele matou o amante da sua própria mãe e depois, livrou-se do corpo. Por anos ele foi "odiado" por sua família. E foi aí que entrou a Eliza. Ela uniu novamente a família e Maurício fez as pazes com sua mãe. Por que você acha que todo mundo gosta dela? Ela passou muito tempo ao seu lado. Até ele gostar de outra... Você! Ele mudou sim, um pouco, mas isso não adianta. A Eliza não vai desistir dele. Ela já fez coisas terríveis por ele. Acredita? Matou a melhor amiga dele e adivinha quem levou a culpa? Isso mesmo, ele! Logo após isso, ele nunca mais olhou na cara dela.

- Por que a mãe dele continua defendendo-a? - eu não consegui entender.

- A mãezinha dele atropelou uma garota e saiu sem prestar socorro. Ela falou com Eliza e ela assumiu a culpa em troca da fidelidade. E diversas vezes, ela tentou juntar os dois. Elas são melhores amigas, praticamente. Maurício voltou a estudar e começou a namorar com você.

- E o pai dele? Eles brigaram?

- Sim! Maurício sempre defendeu a mãe e o pai dele sempre odiou isso. Mas eles fizeram as pazes quando ele soube que sua mãe estava bancando um homem 23 anos mais novo. Maurício ficou furioso e decidiu deixá-la de lado.

Esse era o seu passado? Tudo aquilo parecia ser loucura. Por que nunca falou sobre isso? Essas perguntas já estavam me deixando louca.

- E onde você entra nisso? Eu era o cara que ela bancava. Quando Maurício descobriu que era eu, ele fez questão de fazer da minha vida um inferno. Ele deixou minha mãe numa droga de uma cadeira de rodas! - ele gritou. - Ela não merecia isso! Agora entende o porquê?

Eu chorei com ele. Maurício era um monstro e eu, ingênua, não percebi. Mas apesar disso tudo, eu estava correndo perigo por causa dele. Peguei o taco e bati na cabeça dele. Ele caiu, inconsciente.

- Desculpe! - chorei. - Eu não queria fazer isso! Desculpa!

Desamarei mamãe e apoiei seu braço no meu ombro. Levei-a até o meu quarto e deixei-a lá. Eu precisava acabar com Tatu. Cheguei no quarto, mas ele já não estava lá. A tensão percorreu minha espinha. Estava apavorada. Não havia luz, ele desligou. Corri no escuro e fiquei em baixo do balcão. Segurei as lágrimas e os soluços. Meu celular tocou e fez um barulho estridente. Desliguei rapidamente. O silêncio invadiu a cozinha e junto a ele, minhas lágrimas. Olhei para o lado e Tatu estava na cozinha. Perto da geladeira. Arrastei-me até o sofá e levantei rapidamente. Tatu correu atrás de mim. O som de seus botas eram apavorantes. Tropeçei no tapete e Tatu segurou pelos braços. Pôs sua mão na minha boca e disse:

- Peguei você! Agora eu vou te mostrar como bater em alguém. - gargalhou.

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⏰ Última atualização: Sep 29, 2018 ⏰

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