Se tudo der certo: volto semana que vem! Essa vai ser correria.
Mas não esqueça de deixar seu voto e comentário <3
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— Qual a sua teoria sobre essa sala? — perguntei enquanto Ash se levantava do chão.
— Não é óbvio? — ele estendeu uma mão para mim e eu a segurei, a usando como suporte para me levantar.
— Para mim nada é mais óbvio. — admiti.
Ash sorriu sem mostrar seus dentes e apontou de uma parede lisa, sem portas, para a outra.
— Nem tudo precisa ser visível a olho nu. — ele se virou de costas, caminhando para uma das paredes e eu me virei para a outra.
— Você realmente me explicou tudo aquilo para isso? — ele não respondeu, também não precisava porque seu risada foi o suficiente para eu saber que sim.
Ash olhava os cantos da parede, tentando puxar algo por aqueles cantos, me fazendo comparar aquilo a uma fita adesiva. Eu detestava perder as pontas da fita e, normalmente, passava a tesoura em uma parte aleatória apenas para fazer uma ponta nova.
Agora, encarando a parede lisa realmente tudo parecia fazer sentindo. Para que se esforçar tanto na saída óbvia quando deveríamos criar uma nova?
Estalei meus dedos, me concentrei por um momento em um ponto fixo na parede e tirei minha camisa de mangas compridas, enrolando-a em minha mão direita. Espalmei minha mão esquerda na parede e com a direita esmurrei aquele ponto ao qual eu fitava.
Uma e outra vez.
Uma e outra vez.
E imaginei aquela parede caindo enquanto percebia meu sangue não tão seco assim, umedecer minha camisa roxa.
Eu não sabia se meu poder se estendia a coisas matérias, mas continuava mentalizando que aquela parede cairia.
Parei a sequência de socos quando senti que minha mão já não batia com a mesma intensidade. A parede não estava perfeita, tampouco muito destruída. Apenas pouco afundada.
Tirei minha camisa de minha mão direita para enrolar em minha esquerda, mas, antes que eu desse um soco, Ash segurou meus cotovelos e me virou para ele.
Encarou minhas mãos e desenrolou minha camisa da minha esquerda, jogando sobre meu ombro e me mandando vesti-la sem dizer uma palavra. Minha mão direita não estava com uma aparência tão ruim e ele provavelmente percebeu isso também. Era apenas um pouco de sangue seco e poucas feridas expostas.
Na verdade, eu nem sequer sentia dor. Ou melhor, não sentia muita dor. Somente um incômodo como se batesse meu cotovelo na quina de algum móvel, fazendo um tipo ruim de eletricidade passar por todo meu corpo.
Vesti minha camisa rapidamente e Ash me puxou pelo pulso até a parede do seu lado. Ele apontou para uma ponta que parecia solta no canto superior dela.
— Eu não acredito... — sussurrei, mas para mim do que para ele.
— Desculpe. — percebi o olhar dele abaixar para minhas mãos — Doendo muito?
Sorri e bati aquela mesma mão direita no ombro dele.
— Não se desculpe. Você só não enxergou antes... E não, não está doendo. — aquele olhar cinzento continuou focado no meu e eu continuei, admitindo: — Não muito. Um pequeno, mas suportável, incômodo. Melhor assim?
Ele sorriu de canto e se ajoelhou a minha frente e eu fechei meus olhos por mais tempo que o necessário.
Apesar de minha mão realmente não estar doendo, eu precisava de um segundo para pensar. Eu tinha acabado de esmurrar uma parede, passei um tempo considerável pensando em teorias ilógicas, outro conversando sobre espectro eletromagnético — que eu, sinceramente, continuava sem entender o que era exatamente — e, no fim, tudo que tínhamos que fazer era subir no pescoço um do outro?
E o que era aquilo descolando da parede, afinal? Um papel de parede velho? Aquilo era nossa saída?
Me sentei no pescoço de Ash e ele se levantou, me erguendo junto.
— Consegue puxar? — perguntou enquanto eu esticava meu braço.
— Acho que sim...
Com uma certa dificuldade segurei aquela ponta solta e senti as mãos de Ash em minhas pernas, me dando apoio enquanto eu me remexia para puxar mais e mais.
Aos poucos o que realmente parecia ser um papel de parede estava se desgrudando. Ash parecia bem equilibrado, mesmo ao me ter sobre seus ombros. Porém, eu era quem não tinha tanto equilíbrio assim. Ele se mexia de um lado para o outro para eu conseguir puxar toda a ponta solta de cima, para depois apenas puxá-la toda para baixo de uma vez.
No meio da parede eu puxava o papel mais para baixo, tanto que estava virando meu corpo mais para baixo que o suficiente. Segurei com força naquele papel quando senti que Ash estava perdendo o equilíbrio e, pouco depois, estávamos caídos e eu amortecia a queda dele.
Aquele dia, definitivamente, não estava sendo o meu melhor.
Caída, com metade do corpo servindo de acolchoamento para Ash, eu não consegui deixar de pensar o quão irônico éramos. O desastre equilibrado nunca soou tão real.
— Claire...
— O quê?
Ash virou seu corpo para um lado, para sair de cima de mim, desentrelaçando minhas pernas de seu ombro e se deitando ao meu lado.
— Eu não acredito... — repeti e encarei a parede sem o papel nela, porque, na queda, eu o tinha puxado de uma vez.
— Por Hades?! — Ash imitou Misha e passou as costas de sua mão em sua testa enquanto eu ria de cansaço.
Atrás do papel de parede não era uma porta, mas uma janela.
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A Indomada
Science FictionTerceiro Volume da Trilogia "A Estranha" Claire e seus amigos tem mais um problema: conseguir sair de Z-Mil. Eles juntos são fortes, porém, teriam coragem e força - tanto mental quanto física - suficiente para vencer a batalha contra seus progenit...
