E lá vamos nós!
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Feliz véspera de natal! Comam muito. <3
***
Primeiro, o choque em minha mão. Segundo, o riso de Ariana em plano de fundo. Muito além de um riso qualquer, uma gargalhada enfática e sarcástica. Era nítido que ela estava feliz pela minha desgraça.
Terceiro, o choque que percorreu todo meu braço.
Quarto, o sangue que escorreu de minhas mãos. Seco. Morto. Escuro.
Sacudi minha mão e meu gemido de dor foi involuntário.
— Agora diga! — Ariana ainda ria, mas tentava se conter para conseguir falar.
— O quê? — pulei pela sala sem deixar de sacudir minha mão que latejava.
Apesar de sua força, não entendia como Ariana conseguiu afundar a parede. Mesmo com suas mãos feridas, ela não fazia sequer uma careta de dor.
— Diga que você precisa de mim!
— Quando eu disse que não preciso? — gritei.
— Eu quero ouvir que precisa! — ela caminhou até me ficar cara a cara comigo e me empurrou para a parede afundada, chocando sua mão com meu ombro e fazendo minha cabeça bater na parede — É tão difícil assim, Luke?
— Você realmente se importa com isso?
— Eu larguei tudo para vir atrás de vocês! — os olhos dela brilhavam feroz próximos ao meu rosto — E não me diga que você não me pediu nada ou que eu queria vir para saber mais sobre minha família... Eu vim por vocês também e você sabe disso! É difícil admitir?
A empurrei para longe e me virei para a parede esmurrada novamente. Novamente não tentei pensar em nada e cerrei aquele mesmo punho já ferido.
Quando minha mão se chocou outra vez com a parede, eu pulei para trás sacudindo, dessa vez, ambas as mãos e ouvindo, novamente, o riso alto de Ariana.
Ela voltou a se encostar em uma parede e cruzou seus braços. Era sua forma de deixar nítido que ela não me ajudaria em nada até que eu falasse o que ela queria ouvir.
Dei mais um soco, ainda com a mesma mão. Sentia a dor e via o sangue pingar, quase em câmera lenta, já que ele era mais homogênio do que um sangue vivo, comum.
A dor que passava pela minha mão e subia para me braço era incomoda, mas, no quarto ou quinto soco, eu me sentia calejado.
Talvez eu tivesse quebrado alguns ossos.
A parede parecia intacta, se não fosse as marcas que já existiam dos esmurrões que Ariana tinha dado na parede.
No que deveria ser algo um pouco além de meu décimo murro, Ariana segurou meu cotovelo.
— Por que você é tão orgulhoso? — a voz dela soava baixa, não tímida ou assustada, mas, um pouco, desacreditada.
Eu não era orgulhoso, ao menos, não muito. Porém, ali, em Z-Mil, eu queria provar a mim mesmo que eu era capaz de sair daquele lugar sem precisar de ninguém. Eu era um Protetor. Mesmo que não de Ariana, mas eu era. Eu quem deveria nos ajudar. Eu quem deveria nos fazer sair daquele lugar, não ela.
Se eu respirasse, eu suspiraria; entretanto, eu nunca respirei para saber como era, mas, já tinha visto os movimentos que uma respiração profunda faziam.
— Eu preciso de você. — falei, de uma vez — É lógico que todos nós precisamos de você.
— Foi difícil dizer? — ela sorriu, triufante.
— Foi. — bati em meu peito com minha mão suja, fazendo o sangue manchar minha camisa branca — Eu sou um Protetor! Eu quem deveria nos ajudar!
— Mas você é útil. — era fora do comum ouvir uma frase, quase motivadora, vinda de Ariana.
— Em quê? O poder de todos servem para algo aqui, menos o meu.
Ela abriu a boca e fechou.
Eu normalmente não era esse tipo de pessoa que me diminuía. Na verdade, eu nunca fui esse tipo de pessoa. Eu era incrível. Eu me sentia incrível. Menos hoje. Menos dentro daquela sala.
— Não sei se você percebeu, — ela começou, abrindo seus braços em meio ao ambiente – mas, em Z-Mil, nossos poderes são inúteis.
— Ou foi, na maior parte do tempo. – maneei minha cabeça para a parede esmurrada.
Afinal, ela conseguia fazer aquilo, eu não.
— Ao menos as pessoas gostam de você. — Ariana se afastou de mim e encarou o chão por um momento antes de voltar o seu olhar para mim, com aquele brilho, levemente, psicótico, neles.
— E você acha que as pessoas não gostam de você?
Ariana bufou balançando sua cabeça.
— Eu sei que vocês precisam de mim. — no fim, ela disse — Já é o suficiente.
— Eu gosto de você. — pisquei para ela — E eu já sou o suficiente.
Ariana revirou seus olhos e me empurrou pelo ombro, mas, eu percebi seu segurar de um sorriso.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, Ariana me empurrou para o lado e passou suas unhas na extremidade da parede que ela estava há pouco, esmurrando.
Continuei parado a encarando quando ela puxou da parede algo que parecia ser um papel.
— O quê? — minha voz subiu uma nota — Você sabia disso há quanto tempo?
Ela deu de ombros, evitando me responder e eu continuei:
— Você me deixou bater várias vezes na parede sabendo disso?
— Eu tentei te parar. — ela virou sua cabeça para me olhar.
Eu sorri e balancei minha cabeça, pouco após encarar o que tinha atrás do papel de parede que Ariana rasgou.
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A Indomada
Ciencia FicciónTerceiro Volume da Trilogia "A Estranha" Claire e seus amigos tem mais um problema: conseguir sair de Z-Mil. Eles juntos são fortes, porém, teriam coragem e força - tanto mental quanto física - suficiente para vencer a batalha contra seus progenit...
