Bônus: Parede, parte 1

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AGORA VAI!

Gente, bem, uma atualização sobre minha vida pessoal: estou trabalhando; ou seja, estou sem tempo de vida útil hahah

Mas, sério, é praticamente isso. Passo em torno de 12h na rua e chego quebrada em casa, mas, passarei as próximas semanas me dedicando ao máximo a essa história e finalmente sim, eu voltarei aqui com tudo!

Este é o útilmo livro, então quando eu voltasse a escrever eu precisava definir determinadas coisas, e elas surgiram em minha mente. Não sei o fim aqui direito, mas sei o decorrer, que é agora o que importa.

Muito obrigada por estar aqui, terráqueo. Espero que nossa já-não-pequena Claire e seus amigos não decepcionem.


***



Marte; Z-Mil, Antes


Eu estava sentado, calmo, com minhas pernas cruzadas e costas encostadas para a parede enquanto Ariana tentava derrubar uma outra parede aos socos e pontapés.

— Você consegue! — eu falei sem muita animação, minha voz soava tão baixa e com pouco interesse quanto irônica.

Ariana parou e se virou para mim.

— E você, Luke, por que não faz nada?

— Estou cansado. — sorriu.

— Você não pode estar cansado! — ela esbravejou se ajoelhando a minha frente e agarrando minhas pernas com suas mãos cheias — Você não fez nada!

Revirei meus olhos e passei uma mão em meu cabelo, o arrumando — ou tentando.

— Eu não durmo há horas, não como há horas e ainda estou aqui com você, logo com você... Já não é demais para uma pessoa ficar cansada?

— Por que eu tive que ficar com você? — ela apertou minhas pernas e eu sentia vontade de chutá-la, mas me contive enquanto continuava com uma mão em meu cabelo.

— Por que eu tive que ficar com você? — rebati a encarando cara a cara.

Ariana se afastou de mim, ficando em pé ainda próxima e parecendo, enquanto eu a olhava com meu pescoço erguido, uma gigante. Ela apontou para mim e eu me encolhi para o lado quando vi, em minha visão de futuro imediato, que ela estava preste a pisar em mim.

— Claro que você queria outra pessoa aqui para mandar nela.

— Eu não mando em ninguém! — afastei minha mão de meu cabelo e relaxei minhas pernas, maneei minha cabeça de um lado para o outro ponderando quando Ariana ainda me encarava — Eu não tenho culpa se as pessoas me ouvem!

— Pedir e mandar são coisas diferentes, Luke!

— O que eu posso fazer se sou um líder nato? — eu pisquei e me deitei de lado no chão, em uma posição fetal ao perceber que ela me chutaria.

Ariana gargalhou e eu, ainda encolhido no chão, levantei minha cabeça devagar, olhando para ela que, aparentemente, não me chutaria porque seu pé estava no chão.

— Você é um lutador trapaceiro! — ela cruzou seus braços — Por que não aprende a lutar direito, como uma garota, por exemplo?

— Sou ruim demais para lutar como uma garota.

— Ainda bem que você sabe! — Ariana assentiu e estendeu uma mão para mim — Você nunca conseguiria se equilibrar em um salto alto.

— Como a srta. Pink? — aceitei a mão estendida de Ariana quando percebi que ela não me nocautearia.

— Exatamente como Merry! — ela sorriu — Ela consegue fazer tudo sobre um salto. Você conseguiria?

— Você já disse que eu não conseguiria... — continuei com minha mão entrelaçada a dela, a apertando e notando que ela também me apertava de volta, era uma competição não-verbal — Confio na sua palavra.

Ela esmagava minha mão e eu franzia meus lábios, tentando conter a dor que passava por todo meu braço.

— Como vai você e Merry, a propósito? — perguntei para tentar distraí-la.

— Não vai. — Ariana me encarava sem hesitar e era um pouco assustador como seus olhos brilhavam.

— Acabou tudo? — perguntei realmente curioso e Ariana deu de ombros.

— Praticamente não começou nada. Apenas flertes e fim. — ela assumiu, porque Ariana podia ser ódio exteriorizado da cabeça aos pés, mas também era sinceridade eternizada em suas veias — E você e Lia?

— Não que-queremos nada sério. — minha voz soou cortada pela força que ela colocava em minha mão.

— Mas, pelo visto, Claire e James; Ash e Misha, querem.

Eu sorri.

— Nunca pensei que veria Ash com uma pessoa da cor amarela.

Ariana deu de ombros.

— Os opostos se atraem?

— Talvez... — tentei afastar minha mão de Ariana quando notei que ela a apertaria com mais força, porém, não consegui me afastar e quando seu apertão se intensificou mais em minha mão eu cai de joelhos, reclamando — P-pare!

Ela a largou e eu continuei de joelhos segurando minha mão que latejava com a minha outra.

— Você queria quebrar minha mão? — levantei minha cabeça para encarar Ariana que sorria.

— Você sente isso? — ela pulava.

— Está louca?

— Você não sente? — Ariana correu pelo pequeno espaço que estávamos, com típicas quatro paredes, mas seis portas de cores diferentes.

— O quê?

— Tudo! — ela gritou pouco antes de socar uma parede, seu soco foi tão forte que a sala estremeceu.

E ela tinha razão. Eu sentia tudo. Não aquela força que ela deveria ter, mas meus próprios poderes. Conseguia ver com perfeição cada movimento que ela daria e cada estremecer na sala.

Pulei, ficando de pé, e estalei meus dedos. Aos poucos, minha mão parava de latejar.

— Você vai continuar esmurrando essa parede? — gritei para ela conseguir me ouvir sobre o barulho de seus murros e do estremecer.

Sem parar de esmurrar, Ariana virou sua cabeça rapidamente para trás, para me olhar e sorriu.

— Eu vou derrubar essa parede.

— Não pensou em abrir as portas? — ironizei apontando para as portas mesmo que ela já não olhasse para mim.

— Não pensou em ser útil?

Coloquei uma mão sobre meu coração.

— Se meu coração batesse, ele estaria quebrado agora.


***

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