Capítulo quatro

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Acordo cedo no dia seguinte. Estou deitado de lado, virado para a porta branca de madeira do quarto escuro. Está um silêncio aconchegante, escuto apenas o barulho do ar condicionado, o que quase me faz cair no sono outra vez. Me viro e percebo que estou sozinho na cama. Puxo meu celular da mesinha de cabeceira. – quase derrubando no chão – para conferir as horas. Ainda são sete da manhã. Por quê Henri acordou tão cedo e já se levantou? Ele geralmente acorda às sete com o despertador e ainda fica um pouco na cama antes de levantar. Hábito este que compartilhamos. Hoje nem sequer ouvi o despertador tocar. Bom, ele deve ter algum compromisso mais cedo e acordou antes do despertador.

Dou um longo bocejo e me viro para o lado, ficando na parte da cama onde Henri dorme. Pego seu travesseiro e o abraço. Consigo sentir o cheiro dele. – Sorrio. – Acordei de bom humor hoje. Henri tem se mostrado uma ótima companhia no dia-a-dia. A porta se abre e se fecha bem rápido, iluminando o quarto apenas por alguns segundos. Antes que eu me vire sinto seu peso sobre mim.

– Bom dia, dorminhoco! – Ele diz, mordendo minha orelha.

Eu me viro sorrindo.

– Bom dia, madrugador! – Ele se abaixa e me dá um beijo rápido. – Por quê acordou tão cedo e já está todo vestido? Tem algum compromisso a essa hora?

– Sim. – Ele se senta na beirada da cama e começa a mexer no meu cabelo. – Eu tinha um compromisso agora cedo, mas já resolvi. Hoje vou tomar café da manhã com você e só depois vou para o trabalho.

Hummm, adorei a ideia. – Sorrio.

– Na verdade... – Ele fica pensativo. Só consigo ver sua silhueta no escuro. – Eu tenho uma surpresa para você.

– Surpresa? – Me levanto, animado. – Pra mim?

– Sim. – Ele sorri. – Vou te esperar lá fora.

Ele se levanta e começa a sair.

– Ah, antes que eu me esqueça. – Ele se vira. – Vista uma roupa antes de sair do quarto.

– Ué, por quê? – Fico surpreso.

– Apenas se vista. – Ele acende a luz – quase me cegando – e fecha a porta.

– Henri e suas surpresas... – resmungo.

Levanto em um pulo, animado pela supresa anunciada. Desligo o ar condicionado, abro a janela e deixo o sol entrar. Vou ao banheiro da suíte e faço minhas necessidades, escovo os dentes, dou uma arrumada rápida no cabelo e visto uma roupa de ficar em casa. Estou fervendo de curiosidade, então não me demoro muito mais e saio do quarto. Paro na sala de jantar com os olhos arregalados. Há um café da manhã completo servido na mesa. Vários tipos de pães, biscoitos, torradas, geleias, leite, requeijão, manteiga, iogurtes, sucos naturais e outras coisas mais.

Fico boquiaberto com aquilo. Foi uma surpresa incrível, adorei. Me sento em um dos lugares e fico admirando tudo. Esse café da manhã me lembra muito o que a Lucinha fazia pra mim na minha casa. Tento não ficar triste com isso, não quero estragar a surpresa que Henri fez pra mim. Minha barriga dá sinais de que precisa experimentar um pouco de tudo. Mas cadê o Piloto?

– Henri? – Digo alto. – Você não vem? Estou te esperando.

Henri aparece na mesma hora e se senta ao meu lado.

– Gostou? – Ele sorri.

– Adorei a surpresa! Você é demais!

– Mas essa não é a surpresa. – Ele faz cara de pensativo.

– Como não? – Fico confuso. – Qual é então?

– Espera aí que eu vou buscar.

Fico esperando desconfiado. Henri volta um minuto depois com a verdadeira surpresa. Lucinha está ao seu lado, seus olhos estão cheios de lágrimas de emoção e não consigo também não ficar emocionado. Me levanto e vou ao encontro dela.

– Surpresa. – Henri diz sorrindo.

Eu abraço Lucinha forte e ela retribui. Ela parece estar segurando o choro e aparentemente eu também.

– Que bom que você está aqui Lucinha! – Eu a solto do abraço.

– Bom dia, menino Pedro! – Ela sorri. – O seu Henrique me chamou para trabalhar aqui. Só não sabia que você estaria aqui também.

– Esse seu Henrique, hein?! – Finjo uma cara feia para Henri, que está sorrindo atrás de Lucinha.

– Ele também é um menino de ouro. – Ela diz.

– Ele é sim. – Eu concordo, olhando para ele. – Mas me conta isso, Henrique.

– É simples. Eu estava precisando de alguém pra dar uma geral nessa casa de vez em quando e Lucinha aparentemente tinha tempo disponível. Então liguei para ela e chamei para vir aqui duas vezes por semana.

– Obrigado, Henri. – Agradeço sinceramente. Lucinha faz falta na minha vida.

– Mas vamos tomar o café. – Henri diz. – Acordei cedo e estou morrendo de fome.

– Vamos! – Comemoro e volto para o meu lugar. Henri se senta ao meu lado.

– Vou lá buscar um café fresquinho que eu acabei de passar. – Lucinha diz, indo em direção à cozinha.

– Obrigado. – Digo assim que ficamos sozinhos, segurando a mão de Henri e lhe dando um beijo.

– Não precisa me agradecer. – Ele dá um beijo na minha mão. – Como eu disse, estávamos precisando de alguém pra colocar as coisas em ordem por aqui.

– Eu sei que você fez isso por mim, Piloto. – Digo olhando nos seus olhos.

– Também. – Ele pisca para mim.

Lucinha volta com uma garrafa de café e eu puxo uma cadeira para ela. Nós ficamos conversando e tomando café por mais de uma hora. Por incrível que pareça, ela não estava apressada para fazer nada. Não consigo tirar o sorriso do rosto enquanto conversamos. Por um momento passa na minha cabeça o fato de que eu estou morando na casa de Henri e dormindo no quarto dele e não no quarto ao lado. Inclusive bem na entrada está o porta-retrato com a nossa foto saltando de paraquedas. Por um minuto fico meio paranoico e acabo pensando que minha mãe também não sabe das minhas últimas notícias. Tenho desconversado toda vez que ela me liga ou me manda mensagem.Começo a ficar ansioso com o dia em que vou ter que dizer tudo para ela e não tenho ideia de qual será a sua reação.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora