Capítulo quinze

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Deixamos o momento consulta com a amiga psicóloga para trás ao resolvermos tomar um bom sorvete antes de voltar para a academia. Eu até cheguei a protestar para não comermos besteira, mas Carla me ignorou totalmente. Ela saiu rebolativa na frente e já foi comprando logo duas casquinhas. Andamos conversando e tomando nosso sorvete, nosso horário de repente ficou bem apertado. Apesar de não haver nenhuma fiscalização por parte do Ralph, nós tínhamos aula marcada em breve e ainda queríamos praticar os novos passos mais algumas vezes.

Uma pessoa na porta do shopping me surpreende com um gritinho quando passamos por ele. Me viro e vejo um rapaz de pele morena claro, de cabelo loiro encaracolado preso em um coque e uma roupa meio... afeminada. Paro de súbito com o susto e olho para Carla, que me olha igualmente sem entender nada. O rapaz pede que nós esperemos por ele e sai correndo, encontrando mais dois amigos, um rapaz branco e magrelo e um outro rechonchudo com bochechas rosadas. Eles parecem ter não mais de vinte anos. O primeiro fala alguma coisa com seus dois amigos, que voltam correndo em nossa direção.

– Ai meu Deus! São vocês! Os dançarinos da formatura! – O loiro dá um gritinho. – Podemos tirar uma foto?

Foto?!– Fico surpreso. – Olho para os outros dois que estão dando pulinhos de alegria e o menino gordinho está batendo palminhas. Carla se lança ao meu lado me abraçando.

– Claro, meninos! – Ela abre o outro braço, cheio de sacola. – Venham!

O menino loiro de cabelo encaracolado intercepta uma mulher passando por nós e pede para que ela bata a foto.

– Obrigado. – Ele entrega o celular para a mulher e se junta aos seus amigos que estão abraçados em nós.

Fico paralisado sem saber o que falar ou fazer. Meu cérebro está congelado. Como assim, foto? Comigo? Isso é coisa da Carla. Eles fazem algumas poses e trocam de posições antes de o menino loiro pegar de volta o celular da mão da mulher.

– Deixa eu ver se ficou boa! – Carla sai toda empolgada como se já conhecesse o menino há anos. Eles futucam no celular por um momento e dão risadinhas juntos.

Carla volta para o meu lado e me abraça pela cintura, ainda sorrindo. Eu ainda estou paralisado sem entender o que acabou de acontecer. Os meninos verificam as fotos e vem ao nosso encontro. O loiro se adianta, dando pulinhos de alegria.

– Obrigado pela foto! Nós adoramos. Quando vai ter mais um vídeo daqueles? Queremos mais!

– Vídeo? – Viro para Carla, confuso, falando entredentes.

– O vídeo da formatura. – Carla sussurra no meu ouvido.

– Ah é...

– Vamos fazer mais um em breve. Agora estamos inaugurando o nosso grupo de dança. O Sol & Lua. – Carla fica toda pomposa. – Vai ser lá na academia Body Move.

– Na Body Move?! – O menino arregala os olhos.

Percebo que ele se assusta com o nome da academia e a julgar pelos trajes dos três eu diria que seria um sonho entrar lá. Até para mim, que já frequento a academia, acho aquele lugar um sonho. Se Ralph não tivesse me deixado entrar lá de graça eu nunca iria pisar em um lugar como aquele. Pelo visto, os meninos também não.

– Claro! – Carla continua sorrindo. – Ah... espera um pouco.

Ela me entrega as sacolas e eu quase deixo tudo cair no chão, mas consigo segurar a última pela pontinha dos dedos. Ela enfia a mão na bolsa e remexe, tentando encontrar alguma coisa.

– Estava aqui em alguma lugar. – Diz, enfiando a cabeça dentro da bolsa.

Fico olhando a cena por um momento e depois me viro para os meninos que sorriem para mim ao mesmo tempo que olham curiosos para Carla mexendo na bolsa.

– Ai... ele é tão lindo pessoalmente. – O menino gordinho cochicha com o magrelo.

Fico vermelho. Ele estão falando de mim. Olho para o outro lado, disfarçando minha vergonha.

– Achei! – Carla dá um grito e todos assustamos.

– Achou o quê? – Digo com o coração disparado pelo susto.

– Eu tenho aqui três convites para assistir à aula inaugural do Sol & Lua. – Ela abre a mão com os ingressos e os oferecem para os garotos. – Vocês gostariam de ir?

Eles colocam a mão na boca, assustados.

– Claro que queremos! – O menino loiro pega os ingressos da mão de Carla e os outros dois se juntam a ele, comemorando.

– É daqui a pouco! Não se atrasem! – Carla diz, sorrindo.

– Ai, vamos daqui mesmo! – O magrelo diz.

– Precisamos comprar roupa de dança. – O gordinho diz.

– A gente compra rapidinho e vai. – O loiro conclui.

– Obrigado. – Eles se viram e saem correndo. – Estaremos lá sem falta!

Me viro para Carla.

– O que foi isso? – Digo, ainda incrédulo.

– Ai, P.O.zinho! Você nunca foi parado na rua antes? – Ela faz uma cara de deboche.

– Eu não!

– Nem eu! – Ela dá uma risada. – Mas o nosso vídeo tem muitas visualizações, mais do que normal termos fãs por aí.

– Tô chocado até agora. – Digo.

– Você choca muito fácil P.O.zinho. – Ela joga as sacolas por cima do ombro e sai andando. – Fosse você ia se acostumando. Grupo Sol & Lua vai bombar!

– Meu Deus! No que eu fui me meter?! – Digo mais para mim mesmo do que para Carla.

Minutos depois entramos na academia, fizemos um pitstopno banheiro e voltamos a treinar os passos para a nossa primeira aula. Já me consegui fazer tudinho sem errar, inclusive minha pernas parecem estar mais soltas, pelo menos foi o que Carla falou. Não consigo deixar de sentir um frio na barriga quando Ralph passa pela gente e diz que as vagas para a primeira aula do grupo estão esgotadas. Ele também chamou Carla e a mim para conversamos sobre a quantidade de gente dentro da academia e a necessidade de termos um lugar só para o grupo. Na verdade, eu estava na conversa de intrometido, porque Carla que era sua sócia, mas ela fez questão de me levar junto para essa conversa. Ralph ficou de estudar a melhor opção para resolver isso e disse estar bem otimista quando ao grupo.

E por fim, hora da aula. Estou uma pilha de nervos. Fico mais ansioso e nervoso ao ver um fluxo anormal de pessoas entrando no salão principal. Minha barriga começou a doer e minhas mãos estão suadas. Carla olha de relance para mim, percebendo meu nervosismo.

– Você está bem?

– Sim. – Tento sorrir.

– Tá nervoso né? – Ela se vira para mim.

– Muito.

– Não se preocupe. – Diz, colocando uma mão no meu ombro. – Eu vou conduzir a aula, vai ser tranquilo para você. Além do mais, você é o meu par, se você ficar nervoso eu também vou ficar e vou acabar errando a aula.

– Ai, Carlitcha...

– Para de show P.O! As pessoas te adoram. Vai dar tudo certo.

– Tudo bem. – Respiro fundo. – Vou dar o meu melhor, igual no dia da formatura.

– É assim que se fala! – Ela levanta a mão e nós fazemos um high five. – Agora... hora de botar pra quebrar!

E lá vamos nós, para meu primeiro dia de trabalho.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora