O jantar é em uma megaestrutura montada dentro do Jockey Club. Depois de Henri estacionar o carro e decidirmos que não iríamos entrar de mãos dadas no evento. Aliás, acho até que tudo não passou de uma brincadeira dele de cogitar isso, mas por via das dúvidas eu pedi para causarmos o menos possível. Ele concordou rindo e eu me senti um pouco mais relaxado. Nós entramos lado-a-lado conversando sobre um caso hilário que Henri me contou da época em que estudava na escola de aviação e queria fazer uma pegadinha com um colega, mas se deu mal.
– Aí eu simulei correr em direção ao carro em movimento do Joel, quando de repente o carro freia e eu vejo uma senhora com os olhos arregalados segurando o volante com todas as forças.
– Meu Deus! – Digo, boquiaberto. – Não acredito que não era ele!
– Pior que não. Era uma das professoras.
– E aí?
– Eu fiquei morrendo de vergonha e saí de fininho, pedindo desculpas.
– Que mico! – Gargalho.
– Nem me fale! – Ele ri. – Depois disso, eu me comportei bem o resto do ano.
– Você é fogo, Piloto! – Dou uma esbarrada nele com o ombro.
– Ei! – Ele se volta para mim e fala baixinho no meu ouvido. – Evita me encostar, senão você sabe o que acontece.
– Só de te encostar? – Seguro um riso.
– Pedro... – ele olha para os lados – só de a gente estar no mesmo ambiente eu já fico daquele jeito.
Dou uma risada alta.
– Você é um tarado!
– E você adora isso que eu sei! – Ele me olha com cara de safado.
– Adoro mesmo! – Pisco para ele.
Chegamos na entrada do evento. Henri apresenta os nossos convites aos seguranças e entramos. Quase perco o ar dos pulmões quando entro. A decoração é finíssima, com lustres gigantes de luzes amarelas, debaixo de um teto feito de panos brancos entrelaçados aqui e ali, dando um ar de tenda árabe. No fundo há um palco com uma iluminação baixa e um microfone preparado. O lugar cheira a rosas – já que tem de todas as cores enfeitando o salão – e o clima é muito agradável. Assim que entramos, uma moça de vestido preto e cabelo louro perfeitamente alinhado e finalizado em um coque nos recebe e nos guia em direção à uma mesa, mas no meio do caminho escuto alguém gritar o meu nome.
– Pedro! Henri! Aqui!
É a Carla, de vestido vermelho gritando por mim. Ao seu lado está Ralph, sorrindo e acenando. Não há mais ninguém na mesa com eles, o que significa que podemos todos sentarmos juntos. Olho para Henri, que está com uma expressão neutra e faz um movimento positivo com a cabeça.
– Senhorita, agradeço pela ajuda. Mas vamos nos sentar ali com nossos amigos. Pode liberar a nossa mesa para outras pessoas.
– Obrigado. – Sussurro para ele.
Fico empolgado por ficarmos na mesma mesa e por Henri não criar caso logo de início para que fiquemos juntos. Carla sai do seu lugar e vem ao nosso encontro. Ela me dá um abraço demorado enquanto sussurra no meu ouvido.
– Espero que não dê nenhum B.O.
– Eu também. – Sussurro de volta.
– Encheu ele de sexo, pra ele ficar bem calmo? – Ela diz e dá uma risadinha.
– Carla!
Ela me solta sorrindo e me dá uma piscadela. Eu fico vermelho como sempre e vou em direção ao Ralph, que já está de pé esperando para me cumprimentar.
– Oi Ralph. – Dou-lhe um abraço rápido.
– Fala P.O!
Saio da frente para que Henri o cumprimente. Eles dão um aperto de mão bem formal e dizem "tudo bem?" um para o outro. Até agora tudo normal. Espero que não dê B.O. – como diz a Carla.
Sentamos na mesa redonda, com uma toalha de seda cor de salmão, pratos e talheres postos para quatro pessoas e algumas velas e flores. A mesa é bem grande e cabe nós quatro com folga. Sentamos eu, Henri, Carla e Ralph ao seu lado. Fico grato, assim posso fofocar com Carla. Rio internamente com esse pensamento. Você não vale nada, P.O.– meu cérebro me provoca. – Pior que eu sei.
O começo da noite foi bem tranquilo. Basicamente nós conversamos e comemos até não podermos mais. Henri se comportou melhor do que eu esperava com Ralph. Aliás, Carla e eu trocávamos olhares assustados quando eles engatavam em assuntos como carros e futebol americano. Henri segurava a minha mão em seu colo, não sei se por reflexo ou por estar marcando território, mas ao meu ver não me parecia nada forçado. Todo esse clima leve entre a gente me fez muito mais feliz e me deixou confortável para entrar nos assuntos. Depois do jantar, Henri puxou o assunto sobre eu trabalhar na academia, me deixando um pouco tenso.
– Então, Henri. – Ralph diz calmamente. – Vai ser muito simples. Nada que o P.O. já não tenha feito a maior parte antes. – Ele toma um gole de vinho branco em uma taça gigante. – Ele vai dançar com a Carla e nós vamos fazer um marketing em cima disso.
– Simples assim? – Pergunto.
– Simples assim. – Ralph diz, sorrindo.
– E você acha que isso vai fazer o interesse pela academia crescer? – Henri pergunta.
– Sim. – Ralph sorri. – Na verdade, Carla e eu temos uma coisa para contar para vocês. – Ele olha para Carla. – Você conta ou eu conto?
– Ai, essa eu quero contar. – Ela pigarreia. – Então... – ela faz um ar de mistério – acontece que Ralph e eu vamos fazer uma parceria. Vamos ser sócios, melhor dizendo. – Ela sorri.
Fico boquiaberto com o anúncio.
– Nós vamos montar uma academia de dança, que vai ser vinculada à Body Move. – Ralph completa. – Carla vai ser a responsável por toda a organização e eu farei acontecer.
– Ralph teve essa ideia há um tempo, mas tudo se encaixou quando ele viu que as aulas lotaram quando você passou para dançar comigo aquele dia. – Ela diz olhando para mim.
– E depois, quando você foi demitido. – Ele sorri. – Foi a peça chave para eu te convocar para essa aventura.
– Vocês são fogo! – Eu digo, sorrindo.
– E o marketing? Como vai funcionar? – Henri pergunta.
– Vamos aproveitar o vídeo da formatura para colocar Carla e P.O para convocar as pessoas para as aulas. Já está quase tudo pronto. Só falta a equipe de marketing da empresa dar o aval.
– Ah, por isso você me deu o resto da semana de folga.
– Isso mesmo. – Ralph concorda.
– Como você concordou com isso, se não gosta de exposição? – Henri me pergunta me olhando de esguelha.
– O que eu posso fazer? – Dou de ombros. – Estava desempregado, precisava de alguma coisa para fazer. – Tomo um gole de vinho branco. – Essa proposta chegou na hora certa.
– E eu tenho certeza que o P.O.zinho vai arrasar! – Carla diz, animada, levantando a taça. – Ao grupo Sol e Lua!
Todos nós levantamos nossa taça juntos.
– Ao grupo Sol e Lua! – E nós brindamos.
Olho para Henri e ele não pareceu nada incomodado com esse assunto, o que me deixa extremamente feliz. Aperto a sua mão e ele aperta de volta, depois se solta e olha no relógio.
– Agora vou ter que ir lá na frente falar sobre a ONG que eu indiquei e pedir para que os meus colegas ajudem com um pouco do seu rico dinheirinho. – Ele sorri.
– Vai lá. – Eu digo.
Ele se abaixa e fala baixinho:
– Até daqui a pouco. Se comporte na minha ausência. Estarei de olho lá de longe.
Ele dá um sorrisinho, me dá um beijo rápido e sai em direção ao palco. Henri me deu um beijo no meio de todo mundo como se fosse a coisa mais normal do mundo! E o pior... eu gostei!
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Última Chamada (Amor sem limites #3)
RomansaQuando Pedro conheceu o piloto Henri, teve início um caso de amor que mudou a vida dos dois para sempre. Tudo era novidade para ambos, já que nunca haviam se envolvido com pessoas do mesmo sexo. A curiosidade, o desejo e por fim o amor aproximaram o...
