Capítulo trinta e sete

1.6K 235 15
                                        

A apresentação foi um sucesso! Estou até agora ofegante e com lágrimas de satisfação nos olhos. Foi surreal o que acabamos de fazer e acho que algumas pessoas concordam comigo. A melhor parte de tudo foi a surpresa quando uma pessoa começou a dançar depois outra seguiu seus passos e depois outra e outra até que éramos dez pessoas fazendo o mesmo movimento. E no ponto alto da nossa apresentação, o DJ perguntou ao microfone: Quem são vocês? E nós gritamos Sol & Lua! As pessoas aplaudiram por vários minutos sem parar. Foi surreal!

Agora que nos sentamos um pouco na área VIP, estávamos ocupados conversando com gente aqui e ali e Carla ainda deu um jeito de distribuir material promocional do grupo. A ideia foi genial, acho que nem Ralph poderia ter previsto um sucesso tão grande que um simples flashmob poderia fazer em uma boate no Rio, acho que foi ponto para Carla.

– Ainda não estou acreditando no que fizemos. – Digo, tomando um gole do meu drinque.

– Você foram ótimos. – Henri diz no meu ouvido. – Estou até agora com o coração acelerado. Acho que o melhor foi ter sido surpresa.

– Pois é, a Carla não me deixou contar nem para você.

– Fez bem. – Ele beija meu pescoço.

– Este lugar está ocupado? – Um homem alto de cabelos grisalhos aponta para um lugar em nossa mesa.

– Não – Henri responde – por favor. – Ele faz um gesto para que o cara se sente.

– Eu sou Jô. – Ele oferece um aperto de mãos para mim. – Sou o dono daqui.

– Ah sim! – Sorrio. – Eu sou o Pedro Otávio.

– Henri! – Eles se cumprimentam.

– Estava ali conversando com a Carla, sua amiga. – Ele se recosta na cadeira e toma um gole da sua cerveja longneck. – Não é todo dia que temos um flashmobpor aqui... eu adorei! Parabéns, vocês dançam muito!

– Obrigado! – Não consigo parar de sorrir. Não sei se é efeito do álcool ou da adrenalina que ainda corre nas minhas veias. – Carla escolheu um excelente lugar também.

– Também gostei daqui! – Henri diz. – É cem por cento gay ou tem festa hétero também?

– Então – ele cruza as pernas – na verdade era do meu pai este lugar. Aí pedi para fazer uma festa gay aos domingos, foi o dia de maior bilheteria da história da boate. Depois passamos a fazer sábado e domingo e depois meu pai passou o lugar para mim e mudei para todos os dias.

– Muito bacana. – Henri diz, passando a mão pela minha cintura e chegando mais perto. – Não conheço tantos lugares assim. Nós viemos do interior.

– De Juiz de Fora. – Completo.

– Ah, conheço! – Ele descruza as pernas, faz sinal para um garçom e pede outra longneck. – Faço parte da organização da parada LGBT de lá.

– A parada lá é bem grande! – Penso por um minuto. – Quando é a parada daqui?

– Ih – ele faz uma careta – o Rio de Janeiro está passando por um momento muito conservador. Muitos políticos evangélicos que não são a favor das paradas fazem de tudo para dificultar.

– Que saco! – Henri diz. – As empresas privadas deveriam ajudar.

– Pois é, mas ainda assim é muito difícil conseguir patrocínio. – O garçom entrega outra longneckpara ele. – O povo não entende que a parada LGBT é muito mais sobre luta do que sobre shows e festas.

– É uma pena. – Digo triste. – Achava que o Rio fosse uma cidade tão evoluída. Não imaginei que tivesse esse conservadorismo todo.

– Infelizmente nossa sociedade ainda é bem conservadora em sua maioria. Mas tenho esperanças de que um dia tudo vai mudar.

– Deus te ouça. – Digo.

– Mas é isso! – Ele volta a sorrir e se levanta – Vocês dançaram lindamente. Voltem aqui sempre que quiserem. E se eu conseguir recursos para a parada deste ano, quero vocês lá!

– Obrigado! – Henri e eu nos levantamos para cumprimentá-lo.

– Vocês são um casal lindo! – Ele pisca para nós. – Agora deixe-me ir lá resolver umas coisas. Até mais pessoal! Foi um prazer conhecê-los!

Voltamos a nos sentar e Henri me abraça. A festa toda ele não tirou os olhos de mim, como se o mais desejado do lugar não fosse ele próprio. Eu senti os olhares em cima dele a noite toda, mas ele parece nem querer ver de onde eles vêm.

– Tem um cara olhando para você. – Brinco.

– Deixa olhar. – Ele responde seco.

– Não vai nem querer saber se é bonitinho?

– Duvido que seja mais bonito que você.

Ele se afasta e me beija. Depois volta a me abraçar e sussurra no meu ouvido:

– Quando vai perceber que eu só quero você?

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora