Capítulo cinquenta e oito

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A primeira coisa que reparo é o seu sorriso torto. Ah, como sou apaixonado nesse sorriso.Não consigo não abrir um sorriso também. Ele se aproxima devagar, tímido, como se não pudesse acreditar no que está vendo. Então, de repente, ele dá um passo brusco e um segundo depois está em cima de mim, me esmagando. Ele enfia a cabeça no meu pescoço e começa a chorar copiosamente. Fico emocionado com a reação dele, meu sorriso se esvai. Ah, Henri! Não consigo te ver chorando assim.Dou a ele todo o tempo que ele precisa para colocar para fora a preocupação gigante que ele devia estar sentindo. Minha mãe e seu tio saem de mansinho do quarto e fecham a porta. Ele para de chorar e fica com a cabeça apoiada em mim. Chego a pensar que ele está dormindo, mas ele se afasta, senta na beirada da cama e me olha profundamente. Seus olhos negros, vermelhos de chorar, seguram o meu olhar como imãs.

– Por que você fez aquilo, Pedro? – Sua primeira frase me pega de surpresa. E sua expressão é séria.

– Você me salva, eu te salvo. Lembra? – Respondo.

– Lembro. – Sua expressão séria se torna pacífica. Ele segura a minha mão e dá um beijo. – Eu tive tanto medo de te perder. – Ele limpa uma lágrima desajeitadamente com sua mão grande.

– Você não vai me perder tão fácil, Piloto. – Tento sorrir para descontrair, mas ele continua sério.

– Eu não sei viver sem você, Pedro. – Ele se aproxima de mim e me dá um beijo bem devagar. Seus lábios estão tão quentes. É tão reconfortante poder beijá-lo depois de tudo.

– Eu te amo, Henri. – Digo quando ele se afasta. – Eu morreria por você quantas vezes fossem necessárias.

– Não diga isso, amor. – Ele beija minha testa. – Preciso de você vivo aqui comigo. Foram os dois piores dias da minha vida.

– Dois dias?! – Fico surpreso. – Eu fiquei apagado dois dias?!

– Sim. – Ele sorri. – E deu muito trabalho também.

– Me conta tudo o que aconteceu.

– Bem... – ele faz uma expressão de pensativo – ... você foi baleado e quase morreu.

– Engraçadinho. – Dou um cutucão nele.

– Ai... isso dói! – Ele faz drama, o que me faz sorrir.

– Conta logo! Quero detalhes!

– Aquele cara atirou em mim, o tiro pegou em você. Depois tudo virou um pandemônio. Ele atirou mais uma vez, mas errou, aí o seu segurança deu dois tiros nele.

– Ele morreu?! – Minha boca se escancara.

– Sim. – Ele fica sério. – Ambos foram socorridos juntos, mas ele não resistiu.

– Caramba...

– Aí você inventou de querer partir dessa para melhor, mas o David não deixou. – Sua expressão fica triste. – Você perdeu muito sangue, Pedro. O seu coração parou duas vezes e cada vez que ele parava o meu parava também. Foi a pior sensação da minha vida. – Ele segura firme minhas mãos. – Me promete que não vai morrer.

– Eventualmente eu vou... – começo a me esquivar, mas sua expressão é séria e triste ao mesmo tempo. – Bem... eu prometo que não vou morrer tão cedo. Tá bom assim?

Ele abre um sorriso.

– Muito melhor.

– Agora me promete. – Eu peço.

– Eu prometo que não vou te deixar viúvo tão cedo. – Ele sorri. – Como é bom ter você de volta.

– Obrigado por não desistir de mim. – Digo de coração.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora