Quase caio no sono, mas Henri volta um instante depois.
– Vamos tomar um banho agora. – Ele me puxa e me leva no colo para o banheiro.
A água está morna o que me dá uma sensação boa de recuperação pós sexo. Tomamos um banho e depois nos sentamos um pouco para relaxar. Ele me envolvendo com seus braços por trás. Ficamos ali no nosso banho de espuma sem dizer nada. Me seguro para não cair no sono e imagino ele na mesma situação.
– Você está feliz morando comigo? – Ele me pergunta.
– Sim. – Suspiro. – Muito feliz. E você?
– Eu também.
Ficamos ali mais alguns instantes sem dizer nada e ele volta a quebrar o silêncio.
– Pedro, eu queria te pedir uma coisa.
– Pode pedir. – Ajeito minha postura e fico um pouco mais desperto com o tom de mistério que ele faz.
– Eu queria te pedir para ir comigo a um jantar beneficente. É um evento que tem todo ano, que reúne uma galera para ajudar algumas ONG's. Eu vou em todas as edições e este ano eles vão ajudar uma ONG que eu indiquei. É uma organização que ajuda crianças que perderam os pais.
– É claro que eu vou, Henri.
– Só que tem uma coisa... – Ele se ajeita dentro da banheira.
– O que é? – Me viro de lado e encaro seus olhos negros.
– Pode ser que o meu tio apareça por lá. – Ele fica tenso.
– Henri... – Começo.
– Pedro, não se preocupe, ele não vai fazer nada. – Ele passa a mão por uma mecha de cabelo na minha testa.
– Eu sei, Henri... eu só não queria provocar o dragão.
Ele ri, mas seu sorriso se esvai ao ver minha expressão séria.
– É sério. – Digo, fitando seus olhos tristes. – Eu queria muito evitar conflitos com ele.
– Eu sei, Pedro. Mas não quero deixar de fazer as coisas com você por causa do meu tio. – Ele suspira. – Este é um evento muito importante pra mim e quero levar você comigo. Você é o meu namorado, meu parceiro.
Meus sentimentos entram em conflito. Por um lado, meu cérebro não quer que eu vá porque o risco de encontrar com o tio de Henri é grande. Por outro lado, meu coração diz que eu deveria ir sim, fazer isso por Henri. É muito pouco perto do que ele faz por mim. Ele me observa enquanto eu debato isso na minha cabeça. Por fim, decido seguir meu coração.
– Tudo bem, eu vou. – Sorrio para ele.
Tudo vale a pena por um segundo quando ele abre um sorriso largo para mim. Ele me puxa de volta para ele e me abraça forte, encaixando seu rosto no meu ombro e me beijando no pescoço.
– Você é o namorado mais incrível do mundo! – Sua voz transborda felicidade.
Sorrio com sua empolgação e uma luz se acende dentro da minha cabeça. É mesmo! Como não havia pensado nisso?! Vou aproveitar que estamos conversando para colocar esse assunto em pauta.
– Henri... – Engulo em seco. – Eu queria saber...
– Diga.
– E o natal? O natal está chegando. Já decidiu o que vai fazer?
– Vou passar com você. – Ele diz sem pestanejar.
– É que... eu... – Suspiro. – É que eu vou para a casa da minha mãe. E... – não consigo.
– Você não quer que eu vá. – Ele afirma.
– Não! – Me afasto um pouco e me viro de novo para ele. – É que eu queria te apresentar para minha mãe... como meu namorado. Mas não sei como fazer... tenho medo da reação dela.
Ele fica pensativo e eu espero até que ele diga alguma coisa.
– Bom... vamos fazer o seguinte. A gente vai sem pretenção nenhuma. Eu não quero te pressionar para dizer nada a ela agora. Podemos ir como amigos dessa vez e quando você se sentir seguro para contar, você conta. O que acha?
–Hummm... não sei, Henri. Não queria ter que ficar mentindo para minha mãe.
– Eu sei como é. Mas é melhor fazer tudo aos poucos. Sem pressa. Deixa ela se acostumar comigo e depois você conta. – Ele dá de ombros. – Ou conta logo de uma vez, sei lá. O que você decidir eu vou te apoiar.
Suspiro fundo.
– Vou deixar isso para quando estivermos lá, então. Sem pressa.
– Isso. Sem pressa. – Ele sorri. – Afinal de contas. Foi sem pressa que nos conhecemos, que nos identificamos, que nos apaixonamos... – Ele dá um beijo no meu pescoço.
Fico vermelho com suas palavras. Ele coloca a sua boca perto do meu ouvido e continua:
– Foi deixando acontecer que eu percebi que o que menos importava era a nossa sexualidade.
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Última Chamada (Amor sem limites #3)
RomanceQuando Pedro conheceu o piloto Henri, teve início um caso de amor que mudou a vida dos dois para sempre. Tudo era novidade para ambos, já que nunca haviam se envolvido com pessoas do mesmo sexo. A curiosidade, o desejo e por fim o amor aproximaram o...
