Capítulo cinquenta e dois

1.5K 219 26
                                        

Prendo a respiração. Minha cabeça começa a latejar e meu queixo começa a tremer. Olho para Carla e ela está com os olhos arregalados. Tento respirar, mas não consigo. Minha barriga dói e meu corpo começa a dar sinais de que vai ceder a qualquer momento.

– Você quer morrer? – Ele pergunta, encostando o cano da arma na minha cabeça.

Começo a soluçar quando o metal frio toca a minha pele. As lágrimas continuam rolando pelo meu rosto, mas nenhum som sai da minha boca. Eu nunca fiquei tão impotente em toda a minha vida. Fechos os olhos por um segundo, torcendo para que tudo seja um pesadelo, mas quando volto a abrir, percebo que ele realmente está aqui.

– Responde, veado desgraçado! – Ele dá um chute na minha perna e se afasta um pouco para me olhar de frente.

– Não... por favor... – Minha voz sai embargada.

– Então implora pela sua vida. – Ele sorri e quase que imediatamente fecha a cara. – Eu quero ver você implorando pela sua vida e a daquela piranha!

– Por favor...

– Vai ter que fazer muito melhor que isso. – Ele encosta a arma novamente na minha cabeça. – Implora!

– Por favor... – engulo as lágrimas e tento conter os soluços – por favor não me mate.

– Isso mesmo! – Ele sorri. – Agora diz quem é o seu mestre.

Não penso duas vezes. Preciso fazer o jogo dele até que ele se dê por satisfeito.

– Você é meu mestre. – Digo entre soluços. – Por favor, mestre não me mate.

Ele dá uma gargalhada. Observo a arma na sua mão. Se ao menos eu conseguisse... Troco um olhar rápido com Carla e ela faz um sinal negativo para mim. Mas se eu conseguir pegar...

– Era disso que eu estava falando. – Sua atenção se volta para mim. – Me chama de mestre mais uma vez.

– Mestre. – Digo, tentando me acalmar e planejar alguma coisa ao mesmo tempo. Preciso fazer alguma coisa.

– Agora beija os meus pés. – Ele coloca um pé na minha frente. Sinto uma mistura de medo com ansiedade. O que mais esse cara pretende?

Faço o que ele manda sem pestanejar. Me prostro na sua frente e começo a dar beijo seu tênis sujo. Ele dá outra gargalhada mas para de repente.

– Esse é o lugar que você merece, seu veadinho de merda!

Ele me pega pelo cabelo, me joga para trás com força. Coloco uma mão para me proteger e acabo torcendo o pulso. Ótimo, agora estou com um pé uma mão torcidos, não tem nem como correr para chamar ajuda. Começo a me levantar quando escuto uma voz.

– Carla! – A voz se aproxima. – P.O! – Carla, o Personal e eu olhamos ao mesmo tempo. Ele arregala os olhos por um segundo depois fica com uma expressão de ódio.

– Você contou pra alguém seu filho da puta?! – Ele vem até mim, me puxa pelo braço, me levanta e me agarra por trás, colocando a arma atrás de mim e tapando a minha boca com a outra mão. Ele dá um passo para trás, claramente tentando se esconder nas sombras e me carrega com ele.

– Pedro! – Outra voz se aproxima e uma chama se acende dentro de mim, uma mistura de sentimentos. Medo e esperança. É ele! Henri. Aliás, a outra voz... é... David! Henri e David estão nos procurando. Obrigado meu Deus!

– Pedro! – Você está aí? – A voz de Henri se aproxima ainda mais. Ele está entrando na rua. Tento gritar, mas o Personal aperta minha boca com força.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora