Capítulo quarenta e quatro

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Fim do ensaio do dia e ainda não consigo me sentir bem com tanta pressão em cima de mim. Viemos tomar um açaí na cantina da academia, como de costume. Puxo uma cadeira e me sento, pegando o cardápio. A cantina está vazia, já é bem tarde da noite, está quase na hora de fechar. Ela me olha por cima do próprio cardápio e quebra o silêncio entre a gente.

– O que foi? Por que você está estranho?

– Eu? – Fico surpreso pela pergunta. Afinal, só comentei com Ralph sobre o meu estresse com a apresentação.

– Sim. – Ela coloca o cardápio na mesa. – Eu reparei que você se estressou algumas vezes por causa do diretor.

– Não foi por causa dele, foi por causa de mim mesmo. – Suspiro. – É muita responsabilidade, amiga. E eu ainda tenho que cantar, dublar, enfim... aquela parte super rápida. Não to conseguindo acertar.

– Calma, amigo. Ainda temos mais tempo de treino, relaxa. – Ela se vira e chama o garçom. – Dois açaís com banana e morango. – Ela olha para mim e eu concordo com a cabeça.

– Eu sei. – Fico quieto.

– Tá sabendo que Ralph vai embora? Ele te contou? – Ela muda de assunto.

– Sim. Acabou me contando no intervalo. – Faço um muxoxo.

– Eu estou bem impactada com isso... – Ela se recosta na cadeira. – Não sei se consigo dar conta de tudo sem ele.

– Você consegue, sim. – Sorrio. – Você praticamente organizou essa confusão toda sozinha. Vai conseguir fazer qualquer coisa.

– Obrigada. – Ela sorri. – Você não vai querer mesmo entrar nessa comigo? Minha proposta ainda está de pé.

– Obrigado, Carlitcha. Mas esse é o seu sonho. – Eu a olho nos olhos. Seu olhar é de apreensão. – Quero voltar para a engenharia. Fazer o que gosto. Estava conversando com Ralph no intervalo e disse para ele que quero me aposentar.

– Como assim, aposentar, criatura?! – Ela quase se levanta da cadeira.

– Depois dessa apresentação do grupo eu vou sair. Vou dedicar o meu tempo a me aperfeiçoar e procurar um emprego. Henri vai me ajudar.

– Ai amigo... – ela chega sua cadeira mais perto de mim – nem acredito. Estou tão acostumada com você por perto.

– Eu também. – Sorrio. – Mas prometo que vou aparecer para dançar com você de vez em quando. Mas como hobby, não como trabalho.

– Poxa, que pena! – Ela passa um braço por cima dos meus ombros. – Mas se você quer assim, eu vou te apoiar. – Ela me dá um beijo. – Saiba que a minha proposta estará sempre de pé.

– Obrigado, gata!

Os açaís chegam e eu vou com muita sede ao pote. Na primeira colherada o meu cérebro se congela e eu fico abanando minha cabeça. Carla volta para o seu lugar e fica rindo da minha cara. Era tudo o que eu precisava. Contar a ela sobre o que havia decidido e que ela não ficasse triste.

– Congelou o cérebro é? – Uma voz humorada vem de trás e eu abro um sorriso.

Ele chega de lado e me dá um selinho.

– Será que dá tempo de pedir um também? – Ele se abaixa e beija o rosto de Carla.

– Oi, lindão! Como foi o treino?

– Pesado. – Diz, puxando uma cadeira e se sentando ao meu lado. – E os ensaios?

– Pesado! – Carla e eu dizemos em uníssono.

Henri ri. Ele levanta o braço e o garçom já sabe que ele também quer um açaí igual ao nosso.

– Pedro te disse que vai viajar comigo amanhã? – Ele coloca a mão na minha perna.

– Uma folga é uma folga né? – Ela diz com cara de deboche. – Pra onde vocês vão?

– Folga só pra ele, porque eu vou trabalhar em pleno final de semana. – Ele pega a minha mão e entrelaça na dele. – Mas ele tinha me prometido voar comigo uma dia. Vamos para São Paulo.

– Foi mesmo. – Sorrio e dou uma cutucada nele. – E ele já estava me atazanando pra voar com ele tem mais de um mês.

– Ai que romântico! – Carla faz uma cena engraçada. – P.Ozinho vai viajar de avião com o Piloto pela primeira vez.

– E não é qualquer piloto não, viu? – Chego com o rosto perto do ouvido dele. – É o meu piloto favorito.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora