Estou sentado na minha cama há horas, mas meu pai não me deixa sair do quarto. Já não estou tão animado assim a falar com ele. Acho que estou de castigo, mas não é justo! Eu fiz o meu dever todo da semana. Minha mãe também não quer voltar do supermercado. Meu pai disse que era para eu esperar que ela viria me buscar. Me levanto da cama e me aproximo devagar da porta. Já faz tanto tempo, ele nem deve estar mais olhando. Piso o mais devagar que posso, encostando os dedos no chão gelado e ficando na ponta dos pés. Talvez se ele não me escutar eu consiga sair daqui. Mais um passo, agora só falta um...
– Pedro, não dê mais nem um passo. – Sua voz brava vem lá de fora, do corredor iluminado.
Deixo os ombros caírem. Eu perdi. Ele sabe que eu queria fugir. Me jogo no chão, perto da porta e abraço os joelhos. Estou com vontade de chorar, mas homem não chora.
– Por que você não quer me ver? – Grito com todas as minhas forças, estou com raiva.
Ele demora um pouco, mas responde.
– Eu queria muito te ver meu filho. – Sua voz já não está mais tão brava, talvez ele deixe eu sair agora. – Mas não é a hora de você vir para cá.
– Para o corredor? – Pergunto, confuso.
– Isso não é o corredor, Pedro.
– É sim! Eu estava procurando você por aí e eu vi que é o corredor. – Digo, bravo.
Ele ri. Sua gargalhada é tão gostosa que me faz rir também.
– Eu queria brincar... e te contar do meu novo amigo, o Jefinho.
– Eu sei. – Ele ri mais uma vez. Talvez não esteja mais bravo. – Sabe, eu sempre gostei desse seu lado garoto, nós brincávamos tanto quando você era pequeno.
Não consigo entender o que ele quer dizer com isso. Eu ainda sou pequeno.
– Quando eu era bebê? – Pergunto.
– É. – Ele gargalha. – Eu sempre gostei tanto de te mimar.
– Por que eu não posso te ver? – Insisto.
– Você e essa sua cabeça dura de sempre. – Seu tom é de bravo de novo. Mordo um lábio. – Já disse que a sua mãe vai vir te buscar. – Ele suspira.
– Tá bom. – Espero um pouco. – Agora eu tenho um amigo novo na escola, ele se chama Jeferson, mas eu o chamo de Jefinho.
– Que legal! E vocês se dão bem? – Sua voz ainda vem do corredor iluminado. Queria ver seu rosto.
– Sim. Mas os meninos chamam ele de veadinho e ele chora às vezes.
– O mundo é realmente muito cruel, meu filho. Jefinho poderia ter se tornado uma ótima pessoa. Ele é inteligente e esperto, mas as pessoas acabaram tirando o que ele tinha de mais precioso.
– E o que era?
– A vontade de viver.
Fico calado. Meu pai está dizendo umas coisas tristes. Não gosto de conversar sobre coisas tristes.
– Mas o Jefinho não é assim, ele gosta de viver. – Retruco.
– Sim. Ele gostava. – Sua voz é calma.
– Como você o conhece? – Estou de frente para a porta do quarto.
– Ele veio para cá. – Ele faz uma pausa. – Agora é hora de ir dormir, Pedro.
Deixo os ombros caírem. Já sei que não posso discutir com meu pai sobre a hora de dormir, então me levanto, vou caminhando em direção à cama e me deito. Queria que ele viesse me dar um beijo ou contar uma história.
– Estou sem sono! – Grito para que ele me escute.
– Feche os olhos que seu sono vai chegar. Sua mãe está chegando para te buscar.
Fecho os olhos, mas o sono não vem. Viro para o lado, depois para o outro, aperto bem forte, mas nada.
– Ela vai demorar? – Grito para ele.
– Ela já está aqui. – Ele responde, calmo. – Boa noite, Pedro. Papai te ama.
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Última Chamada (Amor sem limites #3)
RomanceQuando Pedro conheceu o piloto Henri, teve início um caso de amor que mudou a vida dos dois para sempre. Tudo era novidade para ambos, já que nunca haviam se envolvido com pessoas do mesmo sexo. A curiosidade, o desejo e por fim o amor aproximaram o...
