Capítulo sete

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A conversa e depois a comemoração com a Carla foi demais! Ela riu muito da minha cara e disse ser uma ótima atriz e dona de uma boca de túmulo sem igual. Também ficou muito feliz de poder dançar comigo de novo e disse que o vídeo da formatura ainda continua bombando na internet. Me deu uma leve curiosidade de ler os comentários. A maioria das pessoas falaram bem do vídeo, mas infelizmente acabei focando no negativo. Um monte de gente falando não só mal da dança como dos dançarinos. Fiquei muito incomodado de levantarem tantas hipóteses sobre eu ser gay só porque eu havia dançado. No final das contas, parei de ler. Estava me deixando extremamente estressado.

E o estresse que estava sentindo só piorou quando Henri chegou do trabalho e foi logo me perguntando o que eu tinha feito hoje. Contei tudo a ele, incluindo a parte de ter aceitado trabalhar para o Ralph. Sua reação foi pior do que eu esperava. O que eu imaginava que era apenas ciúmes bobo, se transformou em uma discussão pesada, me deixando ainda mais estressado. No final das contas, ele foi para um lado e eu para o outro. Tomei o meu banho no quarto de hóspedes e arrumei a cama para dormir.

Agora já estou mais relaxado, deitado no quarto escuro, fitando o teto e pensando na discussão que tivemos. O principal argumento de Henri foi que eu não era um dançarino, que era um engenheiro. Nisso ele estava certo. Daí eu argumentei que precisava de dinheiro, que precisava trabalhar e dançar era um trabalho digno como qualquer outro. Ele me ignorou meu argumento e ficou insistindo que eu não precisava trabalhar. Que o que ele ganhava nos negócios com seu tio e como piloto de avião era o suficiente para sustentar nós dois. Quem ele pensa que é?! Meu marido?! – Bufo e me viro para o canto. – Não, Henri você não é meu marido! E pelo jeito não vai ser tão cedo!

Fico deitado com o coração disparado de raiva. Aos poucos meu olhos começam a ficar pesados e eu começo a me sentir sonolento, mas não consigo dormir. O quarto de hóspedes não tem ar condicionado, apenas um ventilador de teto que não está fazendo vento quase nenhum. Fico pensando. O que eu mais temia acabou acontecendo mais cedo do que eu esperava. Não tem nem um mês que moro aqui e já brigamos. Talvez seja melhor ir para a casa do Ralph...

Fecho os olhos e tento pegar no sono. De repente escuto a porta se abrindo e um frio na barriga toma conta de mim. Será que ele veio pedir para eu ir embora? – Engulo em seco. – Sinto sua presença se aproximando e depois fazendo peso na cama. Ele se deita atrás de mim e me envolve em seu braços quentes.

– Me desculpa. – Ele sussurra em meu ouvido e todos os pelos do meu corpo de arrepiam.

Meu coração dispara. Meu corpo simplesmente perde o controle quando ele se aproxima de mim. É algo muito inexplicável. Tento controlar a minha respiração e me acalmar, mas seus braços estão me envolvendo e sinto seus lábios no meu pescoço.

– Conversa comigo? – Ele volta a sussurrar.

Respiro fundo, tentando obter de volta o meu autocontrole e me viro. Já me sinto muito mais calmo que antes. Seu toque e sua atitude me fizeram acalmar. Ele fica de lado, apoiado no cotovelo direito eu de barriga para cima. Antes que eu fale alguma coisa ele continua:

– Eu sei que eu exagerei. – Ele suspira. – Sei que você está entediado e que quer muito ter um emprego.

– Sim. – Digo baixinho.

– Mas você não quer mesmo esperar mais um pouco? – Ele toca no meu rosto. – Você não precisa trabalhar agora.

– Henri, eu não aguento ficar sem fazer nada. – Minha voz sai rouca.

– Eu sei amor. – Me arrepio de novo ao escutar a palavra "amor". – Só achei um pouco precipitado aceitar qualquer coisa assim.

– Não é qualquer coisa, Henri. É um emprego! – Minha voz sai mais alta do que eu pretendia e eu sinto que voltamos à estaca zero.

Ele se senta na cama de costas para mim e resmunga alguma coisa que eu não consigo entender. Também me sento na cama, já com o rosto começando a ficar vermelho de nervoso.

– O quê?! Fala! – Tento não gritar.

– Mas tinha que ser com ele?! – Ele responde, se virando para mim.

– O que você tem contra o Ralph?!

– Nada... só não gosto do jeito que ele olha para você! Será que você não percebe que ele te quer?!

Fico vermelho. Dessa vez de vergonha. Ele fica me olhando e esperando uma resposta. Meu cérebro demora alguns segundos para processar. Respiro fundo e me acalmo. Quando volto a responder minha voz sai baixa e firme.

– Não, Henri. E sabe por que não percebo? – Espero, mas ele não diz nada. – Porque eu não olho para ele com os mesmos olhos que eu olho para você. É pra você que eu olho com carinho, com desejo, com amor... – Seguro a sua mão e ele entrelaça seus dedos nos meus. – É só você que eu amo. Será que você não consegue enxergar isso?

Ele fica me olhando no escuro. Não consigo decifrar o seu olhar. Seguro sua mão firme e dou um beijo nela.

– Eu te amo, Henri. Só você.

Ele suspira alto.

– Você não sabe como é bom ouvir isso. – Ele sussurra.

Então ele se aproxima e me beija. E depois me beija de novo e de novo, e quando percebo estamos nos beijando e nos abraçando e nos apalpando em todos os lugares. O corpo de Henri começa a esquentar muito no calor do quarto fechado e até eu começo a suar. Depois de um tempo ele se levanta e quando penso que ele vai embora, ele me puxa e me pega no colo.

– Henri! – Me assusto, achando que vou cair.

– Vamos para o nosso quarto! – Ele diz, já abrindo a porta com os pés.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora