Enfim estou em casa depois de um dia de apresentação de trabalho na escola. Deixo minha mochila em cima da cama, tiro meus sapatos e corro pela casa de meia procurando por ele. Estou ansioso por vê-lo, ele ficou o final de semana inteiro fora. Quero contar para ele que fiz um novo amigo na escola, seu nome é Jeferson. É um aluno novo que entrou há pouco tempo, está sempre em silêncio e sempre prestando atenção quando a professora está passando alguma coisa no quadro. No começo eu achava Jeferson estranho, ele é um pouco diferente, tem um jeito de menina. Os meninos da minha sala estão sempre rindo dele, mas eu não consigo entender qual o motivo.
Meu coração está acelerado de ansiedade, mas a casa está vazia e escura. Onde ele está? Talvez minha mãe saiba, ela sabe de tudo. Mãe!– Grito. Mas ninguém responde. Muito estranho. Bom, ela deve estar lá em cima lavando roupa ou então foi ao mercado comprar alguma coisa para o jantar. Volto a me lembrar sobre o que quero contar para meu pai: Jefinho! Bom, agora ele é o Jefinho. A tia Cláudia mandou que formássemos duplas e ele veio se sentar comigo. Formamos uma grande equipe, ele é muito inteligente e caprichoso com as coisas. Até a sua letra é mais bonita que a minha. Fiquei impressionado em como ele respondeu as perguntas de ciências tão rápido.
– Pai! – Grito.
Não queria gritá-lo. Queria fazer uma supresa para ele, mas não o encontro. Já rodei a casa inteira e nada. Aonde será que ele se enfiou?
– Pai! Cadê você? – Grito uma vez mais.
Meu pai é uma pessoa muito legal. Nós brincamos muito quando estamos juntos. Bom, quando ele não está trabalhando. Ele é um cara muito ocupado. Está sempre mexendo com alguns papéis, fazendo continha. Às vezes fico entediado esperando que ele termine tudo para falar comigo, mas sempre vale a pena. A melhor parte é quando ele me joga bem alto e me deixa cair. É uma sensação boa. Vou pedir a ele que jogue o Jefinho também. – Sorrio. – Ele vai dar gritinhos finos, como quando um grilão verde entrou voando pela sala de aula e pousou perto dele. Foi engraçado.
Jefinho está sempre sozinho, acho que sou o seu único amigo. Uma vez perguntei a ele por que ele não faz mais amigos, inclusive ofereci para que ele conhecesse o João e o Bruno. Ele disse que os meninos riam dele e o chamava de veadinho. Bem, isso é verdade. Vi eles fazendo isso algumas vezes, mas eu não disse nada. Meu pai me disse que veadinho é uma palavra feia. Falei isso com Bruno e João, mas eles disseram que seus pais dizem isso o tempo todo.
Volto para o meu quarto meio triste. Não sei onde o meu pai está. Minha mãe disse que ele estaria aqui quando eu voltasse da escola. Me sento na cama, e fico olhando para os meus pés. Minha mãe vai brigar comigo por ter corrido pela casa de meia branca, vai sujar tudo. Passo a mão por um pé e depois pelo outro, tirando as meias e as colocando dentro do meu sapato.
– Onde está todo mundo? – Digo baixinho. – Estou sozinho em casa.
De repente uma luz se acende e o corredor que estava escuro se ilumina. Meu coração se acelera de ansiedade. É ele!Dou um salto da cama e vou em direção à porta do quarto, com um sorriso no rosto.
– Pai?! – Grito outra vez.
– Não venha aqui, Pedro Otávio! – A voz dele é a mesma de quando ele me dá algum sermão. Paro na mesma hora. Meu pai está bravo.
– Mas por quê? – Grito, já com o choro preso na garganta.
– Este lugar não é para você. – Sua voz é firme. – Volte para o seu quarto e espera a sua mãe vir te buscar.
– Mas... – volto chorando para minha cama e me sento na beirada.
Meus olhos se enchem de lágrimas. Não gosto quando meu pai briga comigo.
– Mas... eu só queria te contar...
De repente uma dor forte invade o meu peito. Me deito na minha cama e aperto o peito com as mãos. Uma coisa começa a me apertar, mais forte e mais forte. Não consigo respirar direito. Tento puxar o ar para meus pulmões, mas eles não me obedecem. Pai!– Queria gritar, mas não tenho forças.
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Última Chamada (Amor sem limites #3)
RomanceQuando Pedro conheceu o piloto Henri, teve início um caso de amor que mudou a vida dos dois para sempre. Tudo era novidade para ambos, já que nunca haviam se envolvido com pessoas do mesmo sexo. A curiosidade, o desejo e por fim o amor aproximaram o...
