Capítulo vinte e seis

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Acordo com uma batida atrás de mim. Estou no escuro e não consigo enxergar nada. Demoro um tempo para perceber que acabei adormecendo encostado na porta do quarto de hóspedes. Minhas bochechas queimam ao lembrar do motivo. Henri!Levanto o corpo e minhas costas reclamam. Estava em uma posição não muito confortável. Outra batida na porta.

– Pedro. Me deixa entrar. – A voz de Henri é alta do outro lado.

Fico em silêncio. O resquício da raiva que estava sentindo quando adormeci ainda percorre nas minhas veias. Henri foi um babaca comigo. Eu não precisava ter escutado tanta besteira, estava trabalhando – fecho o punho com força. Uma parte de mim tenta me acalmar. Não! Me recuso a continuar sentindo raiva. Neste momento eu só quero um pouco de paz.– Me levanto sem fazer barulho, apoiando as mãos na parede ao lado. – Vou deitar nesta cama e só vou sair quando ele sair para trabalhar. Olho para o relógio no criado ao lado da cama, está marcando cinco da manhã. Caramba, eu dormi demais!

Outra batida na porta.

– Pedro, por favor, abre a porta. – A voz de Henri já não dá resquícios de álcool.

Penso por um momento se quero abrir a porta. Fico tentado a abrir, meu coração diz que sim, mas minha cabeça diz que devo deixar ele sentir um pouco de remorso pelo que fez. – Balanço a cabeça afirmativamente. – Foi muito feio o que você fez, Henri! Não quero falar com você hoje.

Outra batida.

– Pedro, eu sei que você está acordado. Abre a porta, por favor. – Sua voz transmite ansiedade.

Suspiro fundo. Tenho certeza de que Henri não vai me deixar dormir e ambos temos que sair para trabalhar em algumas horas. O que eu faço? Você deveria dar uma chance para ele se desculpar– meu cérebro me diz. Mas eu estou muito ressentido– respondo mentalmente.Isso não vai te levar a lugar algum. Fale com ele! – Meu cérebro retruca.

– Pedro, por favor. – Ele bate outra vez.

Levanto da cama, respiro fundo e abro a porta antes que eu me arrependa. Ele está do outro lado apenas de short de pijama, com o peito nu e se sobressalta ao me ver. Seus olhos transmitem tristeza e arrependimento.

– O que você quer? – Minha voz sai rouca.

– Quero te pedir desculpas. – Ele diz sem tirar os olhos de mim. – Não queria ter dito aquilo. – Ele balança a cabeça. – Só fiquei frustrado por você ter almoçado com ele ao invés de mim. E depois que bebi algumas cervejas, acabei ficando com aquilo na cabeça.

– Henri...

– Eu sei que foi irracional, Pedro. Não queria ter dito aquelas coisas.

– Você só disse o que já estava pensando quando estava são, Henri. Você não leva a sério o meu trabalho na academia e acha que Ralph tem segundas intenções comigo.

Ele fica calado.

– Henri, já está sendo muito difícil para mim ter que largar a minha profissão e fazer uma coisa completamente diferente para ganhar dinheiro. – Ele abre a boca para falar e eu levanto um dedo. – E antes que você me diga qualquer coisa, o seu dinheiro não é meu! Eu não quero ficar à toa em casa o dia todo sem fazer nada. Eu quero uma atividade para ocupar a minha cabeça. Não importa que dançar ou fotografar não vão me sustentar completamente, pelo menos eu sei que estou tentando dar a volta por cima. – Solto o ar que prendi sem perceber. – Não é tanto sobre o dinheiro, é sobre poder fazer alguma coisa.

– Eu sei. Me desculpe. – Ele segura a minha mão e a levanta até seu rosto, beijando-a. – Eu sei que não mereço você, Pedro. Tenho muito medo de te perder... de te perder para ele!

– Você tem que confiar em mim, Henri! – Digo olhando nos seus olhos negros. – Eu poderia ficar no meio de cem homens apaixonados por mim, mas no fim do dia eu só vou querer um. – Ele arregala os olhos. – Você, Henri, eu só vou querer você! É você que eu quero encontrar no fim de um dia exaustivo de trabalho. É você que eu quero beijar, abraçar, me sentir protegido. É o seu calor que eu quero sentir, são os seus beijos que me fazem feliz. Ninguém mais poderia me dar isso, só você.

Ele levanta a mão e limpa uma lágrima que escapou sem querer do meu olho. Fecho os olhos ao sentir a eletricidade do seu toque, sua pele macia e quente. Inspiro fundo e sinto seu cheiro. Volto a abrir os olhos. Ele está olhando para mim com um olhar cheio de carinho.

– Me desculpa. – Ele diz mais uma vez.

– Promete que isso não vai se repetir? – Ele faz sinal afirmativo. – E que vai confiar em mim? – Ele concorda mais uma vez.

– Eu prometo, amor... eu prometo.

Ele me abraça e toda a frustração e o ressentimento que senti mais cedo se esvai. Meus olhos estão pesados por ter chorado tanto antes, mas agora a única coisa que importa é seus braços em volta de mim e sua promessa de que tudo vai ficar bem. Ele se solta do abraço e olha bem nos meus olhos um segundo antes de me beijar profundamente. Seu hálito é sempre fresco. Seus lábios são macios e quentes e os seus braços fortes voltam a me envolver. Me deixo levar pela sensação invadindo minhas veias. Começo a ficar sem ar e ele me solta.

– Eu te amo, Pedro. – Ele me abraça. – Com todas as minhas forças.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora