Chegou o grande dia. É o aniversário do meu piloto favorito. – Sorrio. – Estou muito feliz de poder ter comprado um presente para ele com o meu primeiro salário da academia. O início do ano, assim como quase todo o mês de janeiro foi maravilhoso para mim. Minha mãe e eu voltamos a nos falar. Ela me liga quase todos os dias e já quase não há resquícios de que um dia as coisas ficaram estranhas entre nós. O grupo Sol e Lua está indo de vento em popa. Ralph contratou uma pequena equipe para administrar, fazer pagamentos, marketing e Carla contratou uma nova professora que se integrou com a gente muito bem. Eu ainda sou muito coadjuvante, não dou aula sozinho, só fico por ali apoiando e ajudando nas campanhas de marketing. Aliás, Ralph parece gostar de usar a minha imagem ao lado de Carla para fazer publicidade. Enfim, foi tudo muito bem até agora e espero que seja assim o ano inteiro.
– Qual é a desse sorrisinho aí? – Henri sorri para mim, enquanto caminhamos.
– Só estou feliz. – Respondo, ainda sorrindo.
– Parece até que o aniversário é seu! – Ele me cutuca de leve com o cotovelo.
– De certa forma, eu que ganhei o presente. – Mordo o lábio, tentando fazer cara de sexy. – Você, seu gostosão!
– Tá me deixando excitado... – Ele levanta uma sobrancelha e faz cara de safado.
– Bobo! – Empurro ele para o lado. – Mas e você? Está feliz por estar mais velhinho?
– Estou me sentindo ótimo. – Ele empina o corpo, abre a palma de uma mão e começa a contar. – Tenho um emprego que eu amo, um namorado lindo que mora comigo, e que faz um sex...
Eu paro e ele me olha de esguelha. Minhas bochechas ardendo.
– O quê? – Ele se vira para mim. – Não posso nem falar que você faz um sexo gostoso?
– Assim na cara dura? – Tento disfarçar minha timidez com humor.
– Sim, senhor. Entenda como um elogio. – Uma rajada de vento passa e atrapalha meu cabelo. – E só de pensar eu já fico daquele jeito.
– Henri!
– Tá bom! – Ele levanta os braços. – Não está aqui quem falou. Vamos? – Ele faz um gesto para que eu continue andando na frente.
– Mas que é gostoso, é! – Começa a sorrir sozinho.
– Bobo! – Ele volta a caminhar ao meu lado. – Você vai ver o que é gostoso quando chegarmos em casa.
–Hummmmmm.... – Ele alisa das duas mãos. – Gostei do presente.
– Na verdade, seu presente é este. – Balanço a sacola branca de papel na minha mão.
– Isso é pra mim? – Ele sorri.
– Claro. – Tiro a sacola do alcance da pegada dele. – Mas só vou te dar lá dentro. É o seu jantar de aniversário.
Ele ri.
– Tudo bem. Então vamos apertar o passo.
O lugar que escolhi para trazer Henri no aniversário dele foi uma indicação secreta que Ralph me deu. Reservei mesa para dois com antecedência, já que Henri deixou explícito que queria passar o aniversário só comigo. Carla ficou meio decepcionada de não poder participar do jantar, mas não pude fazer nada, foi ele quem pediu assim.
Uma recepcionista de roupa preta nos atende em um tablado de madeira perto da porta. Dou o meu nome e ela acha a reserva instantaneamente. Todos os empregados aqui são muito chiques, parecem até sócios do lugar. Ao mesmo tempo são sérios e atenciosos e se vestem usando roupa esporte fino. O lugar chamado Cozinha de Dom Pedro é um restaurante lindo à beira-mar em Niterói. Viemos de carro, sem muito trânsito na ponte por ser sábado à noite.
Toda a fachada do restaurante é de madeira e os fundos são todos de vidro super transparente dando uma vista linda para o mar noturno. O toque final na decoração natural foi a lua cheia, iluminando a água azul marinho com poucas ondas. Seguimos a atendente a caminho de nossa mesa. Reparo em algumas pessoas aqui e ali em mesas diversas espalhadas pelo ambiente. Todo o restaurante é iluminado por uma luz baixa, complementada por velas redondas nas mesas com toalhas impecavelmente brancas. Chegamos no nosso lugar e a atendente já nos mostra a carta de vinho. Eu mesmo faço a escolha. Henri fica observando de longe com expressão bem humorada.
– Tô gostando de ver você escolhendo as coisas para mim hoje. – Ele se ajeita na cadeira. – Tô me sentindo importante.
– Você é, meu bem. – Sorrio para ele.
– Olha que eu me acostumo a ser chamado assim.
– Nunca disse que não podia se acostumar.
–Pedroooo... não brinca comigo.
Levo a sério sua provocação. Henri vem dando sinais de que quer alguma coisa mais séria comigo e eu estou simplesmente aterrorizado. Sempre que ele começa a falar eu desconverso. Tem tanta coisa mal resolvida ainda, não quero dar um passo mais sério em relação à nada. Mas ao mesmo tempo eu sou tão apaixonado por ele que é difícil não imaginar como seria.
– Olha o presente! – Mudo de assunto e entrego a sacola branca para ele.
– Obrigado. – Ele sorri, pegando a sacola da minha mão. – Vamos ver o que temos aqui.
Ele tira o primeiro pacote da sacola e abre a embalagem. Fico reparando no seu rosto sorridente. Parece até uma criança.
– Olha! Uma camisa nova! – Ele faz uma cara de aprovação. – Gostei muito. Obrigado.
– Tem outro... – Cruzo as mãos em cima da mesa. – Abre o outro, Piloto!
– Outro?! – Ele balança o corpo, feliz. – Nossa! Quantos presentes!
Ele pega o pacote, faz uma cara de misterioso, balança e tenta adivinhar o que tem dentro, depois bate devagar com o punho e por fim acaba abrindo. Sua expressão de surpresa me enche de satisfação. Fiz o presente à mão na última semana, e foi totalmente escondido dele. Peguei as nossas melhores fotos, incluindo a do paraquedas e coloquei em um mini álbum e escrevi algumas coisas à mão, bem à moda antiga.
– O que é isso? – Ele diz folheando, perplexo.
– É um mini álbum de fotografia. – Sorrio. – Peguei as nossas fotos mais legais e fiz como se fosse um diário, com a foto e uma descrição sobre o dia. Claro, foi a descrição da minha experiência sobre o dia. Espero que você goste.
– Amor... – ele diz embasbacado, folheando – esta é a coisa mais linda que eu já ganhei na vida. – Ele lê algumas coisas em voz baixa. – Que lindo, amor!
Ele fecha o álbum e olha para mim. Seus olhos estão brilhando, parece que ele vai chorar. Sua expressão acaba me emocionando. Ficamos ali nos olhando por um minuto até que eu resolvo falar.
– Feliz aniversário, Henri!
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Última Chamada (Amor sem limites #3)
RomanceQuando Pedro conheceu o piloto Henri, teve início um caso de amor que mudou a vida dos dois para sempre. Tudo era novidade para ambos, já que nunca haviam se envolvido com pessoas do mesmo sexo. A curiosidade, o desejo e por fim o amor aproximaram o...
