Atendo a ligação no décimo toque, segurando o celular com a mão tremendo. Engulo em seco e coloco no ouvido.
– Alô? – Digo, meio rouco. Meu coração está a mil por hora.
– Oi, meu filho. Tudo bem? – A normalidade de sua voz me tranquiliza.
– Tudo sim, mãe. E com a senhora?
– Tudo bem sim, meu filho. Eu só queria te ligar hoje pra te pedir desculpas. – Ela faz uma pausa. Não digo nada. – Não era pra ser por telefone esta conversa, mas por minha culpa vai ter que ser assim agora.
– Tudo bem, mãe. – Meu coração se enche de esperança.
– Meu filho me perdoa! Eu não sei bem como tratar o que você me contou, mas andei pensando muito. Na verdade, nada mudou. Você continua o mesmo, eu é que fui boba. Você é o meu único filho e é tudo na minha vida, não quero te perder por uma bobeira.
Meus olhos se enchem de lágrimas. Essa era a única frase que eu queria escutar na vida. Vou até a janela e coloco a cabeça para fora para continuar escutando. Henri me olha de longe, mas eu não desvio a minha atenção.
– A verdade é que foi muito difícil para mim, mãe. – Fecho os olhos. – Está sendo até hoje. Mas eu não gostaria de ter que mentir para a senhora quando for dizer o que estou fazendo e com quem.
– Eu sei, meu filho. Você tem um coração bom. – Sua voz fica embargada.
– Eu nunca pensei que eu fosse gay mãe. Mas conheci Henri e minha vida mudou tanto. – Uma lágrima salta do meu olho.
– Henri é um homem de ouro! – Ela diz. – Eu não escolheria alguém melhor para ser o meu genro. – Ela ri. – Ainda é estranho falar assim, mas eu vou me acostumar.
– A gente se acostuma rápido. – Sorrio.
– Meu filho. Eu só queria te dizer isso. Não queria terminar o ano sem dizer o quanto te amo. E que você é tudo na minha vida. E se você está feliz, não importa com quem esteja, também estarei feliz.
– Obrigado, mãe. – Limpo minhas lágrimas. – Você não sabe o quanto esperei para poder ouvir isso de você. De todas as pessoas do mundo, ter você ao meu lado nessa fase da minha vida é a coisa mais importante.
– Eu vou estar meu filho. Sempre estarei aqui por você. – Sua voz muda para animada. – Agora vou desligar, mas quero ir te visitar aí. E conversar mais com meu genro.
– Nós vamos adorar. – Olho para trás e Henri dá um sorriso sincero.
– Ai, Pedro... tenho que te dizer... ele é tão lindo! – Ela suspira. – E tão fofo. Eu amo ele.
– Eu também. – Minhas bochechas ficam quentes. Minha mãe gargalha.
– Ai que bom que estamos bem, meu filho. Senti tanto a sua falta.
– E eu a sua mãe! Obrigado por me ligar.
– Agora vai lá. Não deixa meu genro esperando.
– Puxa-saco! – Dou uma risada.
– Beijo meus filho. Bom Réveillon!
– Pra você também, mãe!
Desligo o telefone, ainda com os olhos úmidos. Olho para trás e encontro o olhar de Henri. Seu semblante é sério, mas ele abre um sorrisão e eu sorrio também.
– E aí? – Ele pergunta, vindo ao meu encontro.
– Ah, nada demais! – Dou de ombros. – Só a sua sogra dizendo que te adora.
Ele me abraça forte e me levanta do chão.
– Amor! Eu te disse! – Ele me beija. – Eu te disse que tudo ia dar certo.
– Nem acreditei quando ela me pediu desculpas. – Estou transbordando felicidade. – Até disse que vai vir nos visitar.
– Que ótimo! – Ele me coloca no chão. – Já estou ansioso em ter a minha sogra aqui em casa.
– Eu estou com um friozinho na barriga.
– Por que você não chama ela para passar o meu aniversário com a gente? – Seu sorriso se alarga.
– É mesmo, Piloto! Está chegando! – Puxo ele para perto e dou-lhe um beijo rápido.
– Seria legal. – Ele me abraça. – Minha sogra visitando a gente... – sua voz se abaixa para quase um sussurro – ... já estou viajando nas possibilidades de uma vida com você.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Última Chamada (Amor sem limites #3)
RomanceQuando Pedro conheceu o piloto Henri, teve início um caso de amor que mudou a vida dos dois para sempre. Tudo era novidade para ambos, já que nunca haviam se envolvido com pessoas do mesmo sexo. A curiosidade, o desejo e por fim o amor aproximaram o...
