Capítulo trinta

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Atendo a ligação no décimo toque, segurando o celular com a mão tremendo. Engulo em seco e coloco no ouvido.

– Alô? – Digo, meio rouco. Meu coração está a mil por hora.

– Oi, meu filho. Tudo bem? – A normalidade de sua voz me tranquiliza.

– Tudo sim, mãe. E com a senhora?

– Tudo bem sim, meu filho. Eu só queria te ligar hoje pra te pedir desculpas. – Ela faz uma pausa. Não digo nada. – Não era pra ser por telefone esta conversa, mas por minha culpa vai ter que ser assim agora.

– Tudo bem, mãe. – Meu coração se enche de esperança.

– Meu filho me perdoa! Eu não sei bem como tratar o que você me contou, mas andei pensando muito. Na verdade, nada mudou. Você continua o mesmo, eu é que fui boba. Você é o meu único filho e é tudo na minha vida, não quero te perder por uma bobeira.

Meus olhos se enchem de lágrimas. Essa era a única frase que eu queria escutar na vida. Vou até a janela e coloco a cabeça para fora para continuar escutando. Henri me olha de longe, mas eu não desvio a minha atenção.

– A verdade é que foi muito difícil para mim, mãe. – Fecho os olhos. – Está sendo até hoje. Mas eu não gostaria de ter que mentir para a senhora quando for dizer o que estou fazendo e com quem.

– Eu sei, meu filho. Você tem um coração bom. – Sua voz fica embargada.

– Eu nunca pensei que eu fosse gay mãe. Mas conheci Henri e minha vida mudou tanto. – Uma lágrima salta do meu olho.

– Henri é um homem de ouro! – Ela diz. – Eu não escolheria alguém melhor para ser o meu genro. – Ela ri. – Ainda é estranho falar assim, mas eu vou me acostumar.

– A gente se acostuma rápido. – Sorrio.

– Meu filho. Eu só queria te dizer isso. Não queria terminar o ano sem dizer o quanto te amo. E que você é tudo na minha vida. E se você está feliz, não importa com quem esteja, também estarei feliz.

– Obrigado, mãe. – Limpo minhas lágrimas. – Você não sabe o quanto esperei para poder ouvir isso de você. De todas as pessoas do mundo, ter você ao meu lado nessa fase da minha vida é a coisa mais importante.

– Eu vou estar meu filho. Sempre estarei aqui por você. – Sua voz muda para animada. – Agora vou desligar, mas quero ir te visitar aí. E conversar mais com meu genro.

– Nós vamos adorar. – Olho para trás e Henri dá um sorriso sincero.

– Ai, Pedro... tenho que te dizer... ele é tão lindo! – Ela suspira. – E tão fofo. Eu amo ele.

– Eu também. – Minhas bochechas ficam quentes. Minha mãe gargalha.

– Ai que bom que estamos bem, meu filho. Senti tanto a sua falta.

– E eu a sua mãe! Obrigado por me ligar.

– Agora vai lá. Não deixa meu genro esperando.

– Puxa-saco! – Dou uma risada.

– Beijo meus filho. Bom Réveillon!

– Pra você também, mãe!

Desligo o telefone, ainda com os olhos úmidos. Olho para trás e encontro o olhar de Henri. Seu semblante é sério, mas ele abre um sorrisão e eu sorrio também.

– E aí? – Ele pergunta, vindo ao meu encontro.

– Ah, nada demais! – Dou de ombros. – Só a sua sogra dizendo que te adora.

Ele me abraça forte e me levanta do chão.

– Amor! Eu te disse! – Ele me beija. – Eu te disse que tudo ia dar certo.

– Nem acreditei quando ela me pediu desculpas. – Estou transbordando felicidade. – Até disse que vai vir nos visitar.

– Que ótimo! – Ele me coloca no chão. – Já estou ansioso em ter a minha sogra aqui em casa.

– Eu estou com um friozinho na barriga.

– Por que você não chama ela para passar o meu aniversário com a gente? – Seu sorriso se alarga.

– É mesmo, Piloto! Está chegando! – Puxo ele para perto e dou-lhe um beijo rápido.

– Seria legal. – Ele me abraça. – Minha sogra visitando a gente... – sua voz se abaixa para quase um sussurro – ... já estou viajando nas possibilidades de uma vida com você.

Última Chamada (Amor sem limites #3)Onde histórias criam vida. Descubra agora