Acordo sentindo alguma coisa quente na minha boca. Abro os olhos lentamente já sabendo do que se trata. A boca de Henri. – Sorrio. – Ele se afasta e sorri para mim. Está todo arrumado, vestido de camisa social e gravata.
– Bom dia, amor! – Ele diz baixinho.
– Bom dia, Piloto! – Eu puxo o seu pescoço e dou beijinhos na sua boca.
– Que jeito gostoso de começar o dia. – Ele diz.
– Estava com saudade. – Ele se afasta e se deita do meu lado.
– Eu também amor. – Ele me dá outro beijo. – Como foi com sua mãe e sua prima ontem?
Penso por um momento no que responder. Vai ser complicado explicar agora que o tio de Henri passou por aqui para me cobrar a resposta de uma proposta indecente que ele me fez e que acabou encontrando minha mãe e eles conversaram. Vou deixar esse assunto para depois.
– Ah, foi muito bom! Minha mãe já chegou sedenta por cozinhar. Aí não pude fazer nada a não ser comer muito.
– Imagino. – Ele sorri. – Que bom que ela veio!
Ele me dá outro beijo e começa a se levantar.
– Vou me trocar pra gente tomar um café da manhã e sair por aí com nossas visitas.
Henri tira a roupa e coloca uma roupa mais casual. Fico observando o homem forte e tatuado na minha frente e começo a sentir um calor. Deus do céu! Nunca na vida ia imaginar ficar com um homem desses! Começo a me abanar e ele me olha.
– Que foi? Tá com calor? Quer que ligue o ar? – Diz vestindo uma bermuda.
– Não... – me viro envergonhado, sento na cama e me levanto. – Vamos?
– Vamos. – Ele diz, colocando uma regata.
Abro a porta e saio para a sala, onde a mesa de jantar já está cheia de coisas de café da manhã. Minha prima está sentada de pijama com o celular na mão.
– Bom dia! – Henri e eu dizemos ao mesmo tempo.
– Bom dia! – Ela responde.
Minha mãe aparece com uma garrafa de café.
– Bom dia, meninos! – Ela está vestida com um short azul escuro, uma camisa branca e chinelos. Bem praieira.
– Bom dia! – Respondemos os três.
Nos sentamos. Henri e eu de uma lado e Lalá e minha mãe do outro. Servimos café, leite, bolo, manteiga, queijo e muitas outras coisas do interior de Minas. Minha mãe e Henri conversaram muito sobre o emprego de Henri e os muitos lugares que ele já conheceu no Brasil e no mundo, Lalá pergunta uma coisa aqui e ali, muito curiosa sobre a vida de Henri e eu fico mais na minha, sorrindo o tempo todo. É um dia especial de encontro familiar. Henri me abraça, segura minha mão debaixo da mesa e tudo se passa na maior naturalidade.
Depois do café da manhã, saímos para caminhar um pouco na orla. Minha mãe colocou um chapéu, um óculos e uma bolsa no ombro. Achei muito ousado da parte dela. Ela está sempre vestida de roupa de casa, quase nunca sai. Me sinto feliz por poder proporcionar um dia diferente na rotina de dona de casa dela. Minha prima vestiu um biquini debaixo de uma camiseta e um short jeans. Henri e eu viemos nas roupas que costumamos a usar aqui. Fico muito satisfeito de poder sair com minha família em um dia de praia. Minha mãe faz questão de parar em alguns ambulantes na rua e comprar alguma lembrancinha para levar para minha tia e para a mãe de David.
As meninas vão comprar água em um quiosque. Henri e eu ficamos debaixo de uma sombra. De repente o celular dele toca e ele se afasta com uma expressão estranha, uma mistura de surpresa com curiosidade. Ele fala um pouco no telefone em voz baixa e eu fico de longe observando tudo, tomando água de côco no canudinho. Elas esperam uma pequena fila para pegar a água enquanto Henri volta.
– Que estranho! – Ele franze a testa.
– Que foi? – Me viro para ele.
– Era meu tio. – Ele franze os lábios. – Ele queria uma coisa inusitada.
– O quê? – Sinto um frio na barriga.
– O número do telefone da minha sogra, sua mãe.
Meu rosto começa a queimar de vergonha por não ter contado antes. Mas aquela hora da manhã não estava no clima. E também não pretendia esconder isso de Henri mesmo. Mas já que ele descobriu, fazer o quê?
– Então, Piloto, eu ia te contar mais tarde. – Olho de relance e as duas ainda estão no quiosque. Minha mãe começou a conversar com uma senhora. – O seu tio apareceu lá em casa ontem. E minha mãe chamou ele para conversar.
– O meu... tio... lá em casa? – Ele faz expressão de confuso. – Que louco... mas e aí? Agora fiquei curioso!
– Então... a conversa foi particular dos dois. Minha mãe só falou que eles conversaram sobre a experiência dela comigo me assumindo gay e tudo mais... – dou de ombros – talvez seu tio tenha se interessado em saber mais e agora queira falar com ela.
– Caramba! – Ele levanta os óculos escuros. – Nunca pensei nessa possibilidade.
– Pois é, eu também não. Mas agora tenho esperança que ele possa aceitar as coisas.
–Ahhhheu to torcendo muito! – Ele estufa o peito, transbordando empolgação. – Então me passa logo esse número aí que eu vou passar pra ele.
– Ei, calma aí Piloto! – Digo fazendo cara de metido. – Minha mãe, minhas regras.
– Passa logo esse número! – Ele diz sorrindo, me empurrando e lado. Não consigo conter um sorriso e a esperança que tudo pode se ajeitar.
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Última Chamada (Amor sem limites #3)
RomanceQuando Pedro conheceu o piloto Henri, teve início um caso de amor que mudou a vida dos dois para sempre. Tudo era novidade para ambos, já que nunca haviam se envolvido com pessoas do mesmo sexo. A curiosidade, o desejo e por fim o amor aproximaram o...
