Débora narrando ⭐
Quando ele parou na porta da minha casa, meus olhos estavam cheios de lágrimas, se eu piscasse elas iriam começar escorrer. Eu sei, que se elas começassem, elas não iriam parar. Abri a porta o mais rápido possível, peguei minha chave dentro da bolsa e abri o portão mais rápido que consegui.
— Débora! — me chamou.
Antes eu pudesse fechar o portão e entrar, ele me alcançou. Continuei de costas, ele iria me achar uma louca por estar chorando. Eu só precisava ficar sozinha, até isso passar. Ia passar, sempre passava.
— Você está bem? — perguntou, depois de ver que eu não ia falar nada.
— Sim! — respondi, sem olha-lo.
Ele segurou meu queixo, e ergueu meu rosto. Seus olhos encaram os meus por logos segundos, ele passou o polegar em minhas bochechas, secando as lágrimas que estavam caindo. Fechei meus olhos ao sentir seu toque, quando reabri meus olhos ele estava próximo demais. Eu precisava acabar com aquela situação.
— Obrigado por hoje. — desviei meus olhos e me afastei.
Ele levou a mão no cabelo bagunçando o mesmo. Se ele não se lembrava de mim, por que ele estava fazendo isso? Ele não tinha o direito de brincar comigo desse jeito. Não mesmo. Ele não sabia o que era amar uma pessoa por cinco anos, sem ao menos saber se essa pessoa lembrava a sua existência, o que naquela altura eu já sabia que eu fui tão insignificante na vida dele, que nem se lembrar de mim ele se lembrava. Ele poderia não sentir nada por mim, mas o fato de que ele não lembrava nem do meu rosto, da minha voz, dos meus olhos, isso machucava. Eu sei que eu estava diferente, eu emagreci, meu cabelo cresceu, mas isso não justifica. O que tivemos naquele dia foi tão intenso, que... que... Esquece.
— Não precisa agradecer. Isso vai parecer estranho e talvez você ache que eu não presto, mas eu acho que faria qualquer coisa por você. Se aquele cara tivesse machucado você hoje, eu não sei o que eu faria... — disse e fechou os olhos, talvez não querendo lembrar o que ele viu. — Melhor eu ir embora.
Não o impedi, quando ele virou ás costas voltando para seu carro, eu bati o portão. Corri o máximo que pude, até chegar ao meu quarto, tranquei a porta e me joguei na cama.
Arthur narrando ⚡
Entrei no carro socando o volante diversas vezes. Que merda estava acontecendo comigo? Encostei minha cabeça no volante, e esperei que meus batimentos cardíacos diminuíssem. Por que ela não parecia assustada quando eu estava prestes a beija-la? Por que ela não me deu um tapa na cara quando eu disse aquelas coisas? Por quê? Por quê?
Como dizem, eu estava mais perdido que cego em tiroteio. Precisava sair da frente da casa dela, na realidade, eu precisava não ficar perto dela. O perfume da Débora ainda estava predominando dentro do carro. Eu estava enlouquecendo, não tem outra explicação.
Liguei para o Diogo e pedi que ele me encontrasse no quiosque da praia. Eu não queria encarar a Luara naquele momento. Estacionei o carro, e caminhei até o lugar marcado. Diogo já estava no quiosque conversando com duas meninas. Ele não perdia tempo, me aproximei e sentei em uma mesa.
— Meninas, foi um prazer conhecer vocês. — disse, fazendo as meninas darem aqueles sorrisinhos bobos.
Ele se afastou delas e foi até o quiosque, pediu alguma coisa. Depois ele apareceu na minha frente segurando duas cervejas. Ele me conhece, não preciso explicar muito para saber que estou com problemas. Peguei uma das garrafas, e tomei um longo gole.
— Manda. — disse sendo direto.
— Acho que estou com problemas. — confessei me sentindo um pouco derrotado por ter que confessar isso. Principalmente porque ele vai chegar e me dizer “Eu sabia”.
— Débora. Acertei o nome do seu problema? — Levei a garrafa na boca novamente e tomei outro gole. Ele gargalhou. — Eu sabia.
Não disse?
— Você não sabe de porra nenhuma. Nem eu sei que porra é essa. Isso está me deixando maluco. — baguncei meu cabelo, um pouco irritado comigo mesmo.
— Ela é uma tentação meu caro. A bunda dela, e aqueles peitos? Até eu fico maluco. — disse, e eu o encarei sério. Ele riu de novo. — Puta merda! A porra é mais séria que eu pensava.
— Você não está ajudando em merda nenhuma. — bufei.
— O que você quer que eu faça? Eu não sei caralho nenhum sobre relacionamentos. Até hoje não entendo como você come a mesma buceta por dois anos seguidos, sem enjoar. — disse sendo sincero.
— Isso se chama sentimentos.
— Exatamente, eu não sei o que é isso. Se quiser falar comigo sobre sexo, eu sou um professor. Mas sobre essas coisas de mulherzinha, sério meu amigo, eu não sei como te ajudar. — disse, deu uma pausa para olhar para a bunda de uma menina passando. — É por isso, que eu amo o Brasil. — após comentar, voltou me encarar. — Voltando o assunto, uma coisa que eu posso dizer é, quem muito quer nada tem.
Depois daquela conversa que não me ajudou em merda nenhuma, a única coisa que fiz foi pedir mais uma rodada de cerveja.
Quando saímos do quiosque já estava ficando de noite, Luara já havia me ligado algumas vezes, afinal eu sumi o dia inteiro sem dizer para onde ia. Mas eu não atendi nenhuma das ligações, minha cabeça estava uma porra de uma confusão. Eu precisava primeiramente entender o que estava acontecendo comigo.
— Acho melhor irmos. Você já bebeu demais, amanhã você precisa treinar, os regionais estão aí. — Diogo disse, pegando a carteira.
Concordei, mas quando levantei da cadeira, percebi que as cervejas foram demais. Não estava bêbado, mas estava um pouco alterado, bem pouco mesmo. Nada que me fizesse passar alguma vergonha na rua. Diogo pagou a conta, e voltamos para meu carro. O hotel não ficava longe de onde estávamos, mas eu não iria deixar meu carro ali, isso aqui é Rio de Janeiro, a chance do meu carro não estar mais onde deixei, era grande.
Colocamos o cinto, e dei partida, eu só precisava fazer um retorno dirigir por mais cinco minutos e pronto, havia chegado ao hotel.
Mas como dizem, quando acha que está ruim, calma que pode piorar. Realmente piorou, quando passamos por uma blitz e os policiais nos parou.
— Fudeu! — Diogo murmurou.
Mentalmente eu concordei com ele, paramos o carro no acostamento. Tentei parecer o mais normal possível, para não aparentar que eu havia ingerido bebida alcoólica.
— Boa noite! — cumprimentei o policial assim que abri a janela.
— Boa noite. — disse e passou os olhos dentro do carro. — Documento do carro, e carteira de motorista.
Peguei minha carteira, e tirei os documentos necessários, entreguei-os. Ele analisou por alguns minutos, depois me entregou de volta. Mas, me mandou descer do carro. Porra! O que foi? Meus documentos estavam certos. Tudo em dia. Fiz o que ele me pediu, então veio outra policial com aquela maquina do teste do bafômetro. Puta que pariu!
— Coloca isso na boca e assopra. — ela explicou. Assenti e fiz exatamente o que ela falou. — 0,29mg/1. — Disse para o policial que me parou.
(...)
Minha carteira foi recolhida, meu veiculo foi apreendido e além disso tive que pagar uma multa. Tive que ligar para Luara, para ela trazer o dinheiro e me buscar. Depois de tudo resolvido saímos da delegacia. Meu carro eu teria que resolver no dia seguinte.
Luara dirigiu calada todo o tempo, ela estava brava, não precisava ter nenhum poder de ler mente para saber disso. Quando chegamos ao hotel, Diogo se dirigiu até seu quarto e nós fomos para o nosso.
— Bêbado? Você estava dirigindo bêbado? — disse irritada assim que entrou.
— Não grita. OK?! E eu não estava bêbado, eu bebi, mas não estou bêbado. — Respondi, tirando minha camisa e jogando em cima da cama.
— Essa atitude irresponsável não combina com você.
— Luara eu não sou nenhum santo. Ás vezes eu faço merda, e hoje foi uma dessas vezes. Agora, foda-se já foi, esquece isso. — falei sem muita vontade. Eu estava com sono, queria dormir.
— Tudo bem. — disse um pouco retraída.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sempre foi você
Teen Fiction+15 | Por um deslize, a vida de Débora mudou de um jeito irreversível. Obrigando-a mudar seus objetivos, dando outro caminho para suas preocupações. Após anos, quando finalmente ela está conseguindo colocar sua vida nos eixos, algo acontece perturba...
