— Anne, você pode ir comprar refrigerante para o jantar? — A voz da minha vó vem de longe.
— Refrigerante faz mal a saúde! — Respondi.
Me lembro da distância até o lugar mais próximo que vende refrigerante, bate uma preguiça.
— Então compre um suco! — Ela para em frente a televisão. — Não quero jantar bebendo água.
— Mas vó...
— Se você demorar a lasanha vai esfriar.
Dou um pulo do sofá, pego o dinheiro, meu skate e saio rápido.
Distância nenhuma me separa de uma lasanha!
Um dos poucos lugares que consigo ir sem me perder, para dizer a verdade, é a mercearia. Mas de skate a viagem não fica tão longa, apenas na saída da mercearia que sou obrigada a percorrer um pedaço do caminho a pé por conta da movimentação constante de carros e esbarro em um casal se despedindo em beijos. Quando eles se viram vejo que são Miguel e Alice.
Passo por eles e sigo meu caminho sem esboçar qualquer tipo de reação. Atravesso a rua e coloco meu skate no chão, quando sinto alguém segurar meu braço. Me viro rápido, para ver o Miguel.
— Dá para me soltar?
— O que você viu? — Ele mantém os olhos fixos em mim.
— Dá para você me soltar? — Repeti.
— Não conta nada. Por favor!
— Você sabe pedir por favor. Mas... não sabe me soltar. Você tem algum problema? Acha realmente que eu perderia meu tempo falando de você?
— Então você viu. Não conta para a Helena, ela nunca iria me perdoar.
— Acho que você não estava pensando nisso quando estava com a Alice. — Disse e senti ele apertar o meu braço. — Se você não me soltar agora, juro que eu grito.
— É mesmo? — Ele me desafia.
— Socorro! — Grito o mais alto que consigo e ele me solta.
Subo no meu skate e sigo para casa enquanto ele me chama de maluca.
👟
— Esses jovens vivem pendurados no celular! — Minha vó invade o meu quarto carregando um cesto. — Na minha época era diferente.
— Como? O que vocês faziam quando ficavam entediados? — Retiro os meus fones.
— Não ficávamos entediados, minha mãe sempre arrumava alguma coisa para fazermos. — Ela deposita alguns lençóis no armário. — Mas gostávamos de jogar.
— O quê?
— Vem, desce que vou lhe mostrar.
Desligo a música do celular e desço a escada. Encontro minha vó sentada à mesa com o dominó espalhado sobre a mesma.
— Nossa, a quanto tempo não vejo um dominó. — Me sento à mesa, de frente para a minha vó.
— Claro, vocês agora vivem com a cara enfiada no celular. — Ela separa as peças.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Arianne
Spirituale(ROMANCE CRISTÃO) Uma jovem cristã apaixonada por Deus e pela música, tem seus planos de férias alterados e se depara com algumas situações em que seu jeito explosivo a coloca em situações complicadas... O que sempre acontece quando as suas convicç...
