Capítulo 10.

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— Anne, você pode ir comprar refrigerante para o jantar? — A voz da minha vó vem de longe.

— Refrigerante faz mal a saúde! — Respondi. 

Me lembro da distância até o lugar mais próximo que vende refrigerante, bate uma preguiça.

— Então compre um suco! — Ela para em frente a televisão. — Não quero jantar bebendo água.

— Mas vó...

— Se você demorar a lasanha vai esfriar.

Dou um pulo do sofá, pego o dinheiro, meu skate e saio rápido.

Distância nenhuma me separa de uma lasanha!

Um dos poucos lugares que consigo ir sem me perder, para dizer a verdade, é a mercearia. Mas de skate a viagem não fica tão longa, apenas na saída da mercearia que sou obrigada a percorrer um pedaço do caminho a pé por conta da movimentação constante de carros e esbarro em um casal se despedindo em beijos. Quando eles se viram vejo que são Miguel e Alice.

Passo por eles e sigo meu caminho sem esboçar qualquer tipo de reação. Atravesso a rua e coloco meu skate no chão, quando sinto alguém segurar meu braço. Me viro rápido, para ver o Miguel.

— Dá para me soltar?

— O que você viu? — Ele mantém os olhos fixos em mim.

— Dá para você me soltar? — Repeti.

— Não conta nada. Por favor!

— Você sabe pedir por favor. Mas... não sabe me soltar. Você tem algum problema? Acha realmente que eu perderia meu tempo falando de você?

— Então você viu. Não conta para a Helena, ela nunca iria me perdoar.

— Acho que você não estava pensando nisso quando estava com a Alice. — Disse e senti ele apertar o meu braço. — Se você não me soltar agora, juro que eu grito.

— É mesmo? — Ele me desafia.

— Socorro! — Grito o mais alto que consigo e ele me solta.

Subo no meu skate e sigo para casa enquanto ele me chama de maluca. 

👟

— Esses jovens vivem pendurados no celular! — Minha vó invade o meu quarto carregando um cesto. — Na minha época era diferente.

— Como? O que vocês faziam quando ficavam entediados? — Retiro os meus fones.

— Não ficávamos entediados, minha mãe sempre arrumava alguma coisa para fazermos. — Ela deposita alguns lençóis no armário. — Mas gostávamos de jogar.

— O quê?

— Vem, desce que vou lhe mostrar.

Desligo a música do celular e desço a escada. Encontro minha vó sentada à  mesa com o dominó espalhado sobre a mesma.

— Nossa, a quanto tempo não vejo um dominó. — Me sento à mesa, de frente para a minha vó.

— Claro, vocês agora vivem com a cara enfiada no celular. — Ela separa as peças.

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