38. Caminho do Matadouro

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DIAS DEPOIS, A CAMINHO DA CIDADE DE ESTETINO...

A jornada de Glasow até a fronteira foi uma verdadeira prova de resistência e determinação. Os soldados carregavam um fardo que desafiava a gravidade, suas costas curvadas sob o peso das mochilas e os pés castigados implorando por alívio.

Percorreram a estrada implacável, fazendo sete paradas estratégicas para descansar os membros fatigados e saciar a fome voraz que os consumia.

Enquanto os soldados marchavam com bravura, os oficiais de alta patente os lideravam em motos e veículos, determinados. Por fim, fizeram uma última parada em um pitoresco vilarejo próximo à fronteira.

Foi ali que Hans, comovido, observou os jovens soldados aliviarem-se dos sapatos, seus rostos contorcidos pela dor.

— Descansem, homens, amanhã será o nosso dia glorioso! — berrou o Hauptmann ao descer do veículo. Sob um céu sem sinais de tempestade, o frio implacável parecia torturá-los lentamente. Hans, apoiado em uma árvore imponente, observava atentamente aqueles soldados, a maioria jovens inexperientes, cujo pânico era visível em seus rostos.

— Parece um pouco distante, senhor — disse Edmund ao se aproximar de Hans.

— Olhe para esses garotos — apontou Hans discretamente para os soldados, que comiam em silêncio o mingau doce, sentados no solo congelado, suas expressões revelando o desconforto.

Edmund moveu a cabeça e voltou os olhos para Hans.

— São bravos soldados; é tudo o que vejo.

— Você está enganado, meu caro! — rebateu Hans, fazendo Edmund franzir a testa. — São apenas meninos, alguns nem sabem manusear uma pistola, quanto mais enfrentar inimigos astutos como os malditos vermelhos.

— Na hora do confronto, eles saberão, pode ter certeza — respondeu Edmund com serenidade, desviando os olhos para o horizonte cinzento.

No meio do silêncio absoluto, o ar foi repentinamente rasgado por uma enxurrada de explosões distantes. Hans, o brilhante e estrategista comandante, estava posicionado em um local seguro, de onde podia apreciar uma visão panorâmica dos campos que circundavam a bela cidade polonesa de Estetino. Seus soldados aguardavam ansiosos por suas ordens, ávidos para mostrar sua coragem na batalha iminente.

— Senhor! — chamou um dos soldados à direita de Hans, um jovem rapaz de cerca de vinte anos.

— Diga — respondeu Hans, virando seus olhos para ele com interesse.

— Quando é que iremos contra-atacar esses malditos? Estamos esperando há dias.

Edmund, absorvido pela cena épica que se desenrolava diante de seus olhos, focalizava o binóculo. Os soldados, com sua valentia inabalável, travavam uma batalha intensa contra as forças inimigas, logo após atravessarem o imponente rio. Os disparos das armas de fogo ecoavam como trovões a cada tiro.

Lá embaixo, o pelotão alemão, destemido, desferia rajadas de fogo contra os adversários, numa demonstração de coragem sem igual. Hans e seus homens, estrategicamente protegidos pelas árvores, encaravam o perigo constantemente, cientes de que poderiam ser confundidos com soldados poloneses ou soviéticos e atingidos pelos aviadores inimigos.

A adrenalina pulsava no ar, enquanto a incerteza do desfecho dessa batalha épica pairava sobre todos.

— Precisamos ter paciência, não podemos agir precipitadamente — repreendeu Edmund, virando o rosto sujo e cansado para o rapaz. — O reforço está a caminho, somos apenas vinte homens e não teremos a menor chance de atravessar o rio sem sermos metralhados.

Pássaros no InvernoOnde histórias criam vida. Descubra agora