ITÁLIA, PALERMO
VALENTINA MONTANARI
ATUALMENTE.
Resolvo mudar minha rota hoje, preciso ver minha mãe, estou com saudades.
Desde que meu pai morreu, ela se trancou em seu mundo e não ligou mais para nada. Vive intocada nessa casa o tempo todo. Só sai para ir ao seu escritório e pronto.
Ao atravessar os portões, o mesmo sentimento de ontem volta. Nostalgia. De tudo. De cada momento que passei aqui. Com meus pais, com meu irmão, com Alina e com ele. É incrível como tudo volta só ao olhar algo que te lembra seus momentos felizes.
Desde que me casei Alina não entrou mais em contato comigo. Nunca entendi porque. Só sei que ela foi morar na Inglaterra, fazer alguma especialização no seu curso, desde então não nos falamos mais.
Quando entro dentro de casa procuro por alguém, tudo está uma silêncio, será que minha mãe não está em casa?
Sigo direto para cozinha para ver se acho Marie. Avisto ela no fogão fazendo alguma comida maravilhosa como sempre.
— Olá Marie. — falo e ela toma um susto e termina derrubando a colher que estava em sua mão.
— Minha garotinha, que susto você me deu! — ela fala agora me abraçando e dando um beijo em meu rosto.
— Você sabe que sempre gostei de chegar no silêncio. — digo sorrindo.
Poucas vezes consigo sorrir verdadeiramente. Esse é um desses momentos.
— Ah, como sei. Você sumiu. Nunca mais deu o ar da graça depois que se casou com aquele rapaz. Você está feliz? Vejo tristeza em seu olhar.
Ela me pergunta, mas no fundo eu sei que sabe qual é a resposta.
Mudo de assunto rapidamente.
— Marie, nada disso importa. Eu só vim visitar minha mãe. Ela está? — pergunto sendo um tanto grosseira com ela. Não gosto de tocar muito nesse assunto.
— Eu sei que é difícil falar sobre isso... Me desculpe. Sua mãe está lá em cima no quarto. Não acordou muito disposta hoje. — ela fala me olhando com um olhar amoroso.
Dou um sorriso para ela e sigo atrás de minha mãe.
Entrar nesse corredor me lembra coisas boas, passo pelo porta de meu quarto mas não entro, ali é onde está todas as lembranças.
Passo direto para o quarto de minha mãe no final do corredor. Bato na porta e ela fala um "entre" quase inaudível.
Entro dentro de seu quarto e a vejo na sacada, olhando para o jardim, quando se vira em minha direção me olhar com um olhar cheio de ternura, carinho e saudades.
— Minha filha, que saudades! — ela fala vindo me abraçar.
— Também estava com saudades mamma. — digo beijando seu rosto.
Senti saudades disso. Desse carinho. As vezes tudo que precisamos é de um abraço terno para renovar as energias.
Olho para ela e continua do mesmo jeito, linda e elegante mas com uma tristeza no olhar.
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FRAGILE | ✓
RomansDurante toda minha vida eu sempre ouvi as pessoas falarem sobre o amor, e eu sempre quis viver um, e eu vivi. Um amor leal. Um amor terno. Um amor recíproco. Mas nada na vida é eterno. Se posso afirmar algo com plena certeza é que uma decisão errada...
