ITÁLIA, PALERMO
VALENTINA MONTANARI
ALGUMAS HORAS DEPOIS.
— Você acha que o que ele disse pode fazer sentido mesmo? — pergunto, sentada no sofá.
— Eu não sei... Eu realmente achei que tudo isso ia acabar com a morte dele. Mas tudo que ele disse lá dentro... Eu não sei. Nunca soube que seu pai iria sair do poder... E como ninguém nunca comentou sobre isso? — Adam me pergunta refletindo.
— Talvez eles achassem que você sabia, por isso não comentaram nada. — Petrus fala do outro lado. Olho na sua direção.
— Só uma pessoa pode saber disso... — Pego meu celular e envio uma mensagem pedindo para Derek vir até onde estou.
Ele não demora muito a vir. Assim que ele entra na sala o observo. Ele trabalhou com meu pai. Ele deve saber de algo.
— Você sabia que meu pai estava sendo ameaçado a perder o poder? — pergunto.
Ele me encara e fica pálido.
— VOCÊ SABIA? — pergunto, me levantando e indo até ele. — Por que porra você não me disse?
— Eu... não podia. Era um assunto confidencial. Depois que você tomou posse as coisas voltaram ao normal e eu não achei necessário contar isso pra você. Eu sabia que você sempre soube que se pai era respeitado, e o colocava em um altar. Não queria mudar essa visão sua sobre ele. Ou talvez você nem acreditasse em mim... — ele diz, e eu não entendo.
— Sai daqui! Agora! — ele não me espera repetir, sai rapidamente.
— Eu preciso ver o que iremos encontrar naquele galpão. Se tudo que o Vitali disse for verdade, eu mesmo o matarei. — falo saindo da sala.
×××
— Vocês irão cercar todo o galpão. Não sei se tem alguém aí mesmo e se tiver, não sei se ele está sozinho. Então, qualquer movimento diferente vocês podem atirar sem hesitar! — falo, enquanto observo pelo binóculo se algum carro se aproximou. Até agora nada.
Olho para Adam que está com uma metralhadora na mão ele faz um sinal positivo com a cabeça.
Pego novamente o binóculo e avisto um suv preto se aproximando do galpão bem devagar.
Que não seja ele, por favor!
Pego o notebook do Vitali e vejo uma nova mensagem avisando que já estava no local, mando outra o mandando entrar no galpão.
Que não seja ele, por favor!
Fico repetindo isso na minha cabeça até ver um movimento na porta do carro, assim que ele sai eu paraliso.
Não pode ser. Não pode ser. Não pode!
— Porra... — Adam diz, se virando na minha direção. — É ele mesmo Valentina...
Olho para o céu nublado com os olhos cheios de lágrimas.
Por que ele fez tudo isso comigo? Apenas por causa de poder?
Saio de trás das árvores juntamente com Adam e outros seguranças, indo em direção ao galpão.
Eu só preciso ouvir da boca dele. Apenas isso.
Assim que estamos próximo a porta da entrada, vejo ele tentando sair pela porta lateral, corro na sua direção com a arma em punho.
— Pare aí ou eu vou atirar! — digo e ele para quando ver que está cercado.
Ele se vira pra mim e tudo isso parece ser surreal.
— Por que? — pergunto, olhando nos seus olhos. — Por que você fez isso comigo? Se você tivesse me procurado, ou me dito no início de tudo, eu faria qualquer coisa porra! Você era um herói pra mim caralho! Só me diz porque! — falo indo na direção dele, dando um soco em seu rosto.
Ele cospe o sangue e me olha sorrindo.
— Você nunca ia concordar com os meus planos! Por isso que eu fiz tudo isso! — ele diz, olhando nos meus olhos.
— Você deixou ele matar ela! Por que você não o impediu? Ela te amava porra! Eu te amava! — Grito com ele sem acreditar.
— Não pode existir amor nesse mundo... — ele diz sorrindo, ajoelhado. — Só você que acha que pode ter pontos fracos e tá tudo bem, nunca vai tá. Isso nunca vai acabar!
— O que você pretendia no final disso tudo? — pergunto.
— Eu estava sendo ameaçado pelos outros capos. Eles queriam me tirar do poder porque eu tinha quebrado uma das regras quando matei o sobrinho de Miguel Schneider... Minha intenção nunca foi te matar mas você teimosa como sempre quis vingança por causa desse filho da puta aí, como você queria que eu agisse? Eu só queria apenas pegar o poder de volta. Simples e fácil. — ele diz com um sorriso sádico no rosto. — Só era você ter aceitado ser uma simples esposa da máfia que tudo tinha dado certo, mas não, você queria vingança. Quando eu falei pra você procurar o traidor, não achei que você fosse realmente levar aquilo ao pé da letra. Mas você levou. Então, pagou por suas decisões.
— Por que você queria que fosse apenas esposa do Vitali? Qual era a finalidade pra tudo? — pergunto, com as mãos trêmulas.
— Se você tivesse se apaixonado por ele, teria conseguido matar Adam e assim teríamos tudo de volta... — ele diz, colocando a mão no bolso da sua calça.
— Eu era sua filha... — falo, levantando minha arma na direção dele.
Ele sorrir e faz descaso para o que eu falei. Isso nunca importou pra ele.
Mesmo sentido ódio por tudo que ele fez, eu sei que não conseguirei tortura-lo. Independente de qualquer coisa, até umas horas atrás ele era o meu herói.
As lembranças da minha infância feliz ao lado dele vem com tudo na minha memória. A pessoa que eu mais amava e admirava era o culpado por tudo o tempo todo. A pessoa que me ensinou tudo que sei acabou com a minha felicidade uma vez, não permitirei que isso se repita.
E ali eu percebo que durante toda minha vida, estive acostumada a ser feliz e romântica. Sempre acreditei que o amor existe e que ele é algo belo e impossível de machucar, um grande engano, acabei percebendo da pior maneira que pode se estar feliz nesse momento e dentro de um minuto, um dia ou um ano tudo pode ruir, deslizar por seus dedos como se fosse água.
Sempre tive um lado positivo sobre a vida, pra mim tudo podia ser resolvido com um bom diálogo, sem precisar de agressão ou sangue. Mais uma vez fui enganada pela vida, tudo pode ruir em uma simples decisão. Tudo pode virar um banho de sangue por causa das decisões. E eu aprendi com isso.
Infelizmente, a minha aura feliz e romântica se foi sem eu se quer perceber, aos poucos.
E ao puxar o gatilho, eu sinto tudo, a emoção por finalmente está pondo um fim na vida da pessoa que destruiu a minha, a tristeza por saber que esse filho da puta me deixou frágil, a raiva por ter sido tão idiota, e o ódio que só aumenta ao ver seu risinho sarcástico e infelizmente a saudade de tudo que eu e ele vivemos e talvez nunca mais viveremos.
E a vida daquele filho da puta é tirada sem dó. Lentamente. Sofrendo como eu sofri durante anos, a única diferença de nossas dores, é que a dele é física, já a minha, é emocional, e dessa vez, depois de anos, posso finalmente dormir em paz.
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FRAGILE | ✓
RomanceDurante toda minha vida eu sempre ouvi as pessoas falarem sobre o amor, e eu sempre quis viver um, e eu vivi. Um amor leal. Um amor terno. Um amor recíproco. Mas nada na vida é eterno. Se posso afirmar algo com plena certeza é que uma decisão errada...
