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Passar as férias em Santorini virou tradição da família Vieira em um estalar de dedos, e foi nos diversos passeios de barco que Malu Vieira foi criando amor pela imensidão azul do mar e descobrindo o quanto aquele lugar a atraia e a chamava...
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Eu desejava com toda a força que aquilo não estivesse acontecendo.
Desejava estar dormindo ainda, abraçada a Iago, enquanto ele fazia carinho em meu cabelo, assim como eu estava hoje de manhã, e que aquilo fosse apenas um sonho.
Sonho não, um pesadelo.
Após me afastar de Theo, encontrei Iago nos olhando sem expressão alguma no rosto.
— Meu amor, não é isso que você está pensando. — Digo e logo me arrependo.
Aquela era a frase mais clichê de todas e a pior para eu usar naquele momento.
Iago abriu a boca algumas vezes, desistindo de falar e saindo dali. Me virei para o seguir, mas uma mão em meu braço me impediu de fazer aquilo.
Respiro fundo, tentando acalmar os meus ânimos. Não rolou, então eu voltei a virar na direção de Theo, deixando um tapa estalado em seu rosto.
— Tira a mão de mim. — Mando e ele solta o meu braço. — E vai para o inferno.
Volto a virar as costas para ele, saindo apressada dali.
[...]
Eu cheguei em casa bem mais rápido do que Iago, já que eu estava de carro.
Andei de um lado para o outro naquela sala, sem parar, esperando ele chegar. A minha mente trabalhava milhares de maneiras de explicar tudo e de como fazer ele me escutar, pois eu tinha quase certeza que ele não iria.
O barulho da porta abrindo chamou a minha atenção para ela outra vez e logo eu vi a figura de Iago, que respirou fundo quando me viu.
— Meu amor, deixa eu explicar o que aconteceu. — Peço e me aproximo dele, que se afastou rapidamente.
— Não quero ouvir nada que saia da sua boca. — Falou, caminhando até o quarto.
— Iago, por favor. — Insisto, o seguindo. — Aquilo que você viu...
— Aquilo que eu vi foi a confirmação de que você nunca vai deixar de ter sentimentos por aquele cara. — Me interrompeu, parando de repente e se virando para mim. — Baita idiotice a minha pensar que isso mudaria.
— Não! — Falo. — Eu não sinto mais nada pelo Theo, eu juro, eu...
— Malu, você estava beijando ele!
— Não foi assim que aconteceu! — Digo e ele ri sem humor, negando com a cabeça e virando as costas, entrando no quarto.
O segui, também entrando no cômodo.
— Iago, eu estava esperando você para voltarmos para casa e então o Theo chegou e... — Me interrompo, vendo ele pegar as malas. — O que está fazendo?!
Era óbvio o que ele estava fazendo, eu só não queria acreditar.
Iago não me respondeu, abrindo as malas sobre a cama e depois caminhando até o guarda roupa dele, onde encheu os braços com as peças de roupa e trouxe para a cama.
— Você vai embora? — Pergunto baixo, sentindo meus olhos arderem por conta das lágrimas que os tomavam. — Iago, você não pode ir embora, nós...
— Que nós?! — Perguntou, me olhando. — Nunca existiu um nós, Malu. Era tudo de mentirinha.
— Era, mas no final de semana... — Murmuro. — Amor, aquilo não foi real pra você? — Pergunto baixo, me aproximando mais dele, que dessa vez não se afastou.
— Foi. — Respondeu no mesmo tom. — Muito real. Acho que pra você que não foi, não é?
— Claro que foi! — Digo rapidamente. — Deixa eu me explicar, por favor...
— Foi o melhor final de semana de todos. — Disse e eu senti o meu coração quebrar mais um pouco ao ouvir o quanto a voz dele saiu embargada. — Eu falei que queria você, que gosto de você, Malu.
— Eu também gosto de você, meu amor. — Sussurro.
— Beijando o Theo?!
— Iago, foi ele quem me beijou! — Digo.
— Ninguém beija sozinho. — Falou e voltou a atenção às roupas dele, colocando as mesmas dentro das malas de qualquer maneira.
— Ele veio falar que achava que eu sentia alguma coisa por ele, mas eu falei que tudo aquilo estava no passado e que agora você e eu estávamos juntos. — Falo de uma vez. — E então ele me beijou, mas eu não retribui, eu já estava o afastando quando você chegou.
Iago parou o que estava fazendo e se virou para mim.
— Iago, confia em mim, eu não faria isso com você. — Sussurro, me aproximando mais.
— Você já fez.
— Eu não fiz! — Afirmo. — Meu amor, por favor... — Digo e coloco a mão no rosto dele.
— Eu não sou o seu amor. — Disse e afastou a minha mão com certa brutalidade. — Não sou nada seu.
Senti o meu queixo tremer, enquanto eu tentava manter o choro preso em minha garganta.
— Por que você não acredita em mim? — Pergunto baixo.
— Por que será? — Ironizou. — Será porque você sempre quis ele? Porque começou um plano idiota apenas para chamar a atenção daquele cara? Porque você sempre colocava ele em prioridade quando se tratava de alguma coisa relacionada a ele, você e eu?
— Iago... — Murmuro, me afastando um pouco quando ele começou a se aproximar.
— Será porque eu acabei de ver você beijando ele depois de eu ter me declarado pra você?! — Perguntou, ainda se aproximando, e eu pude ver os olhos dele cheios de lágrimas. — Depois de termos dito um para o outro que queríamos tentar?
— Meu amor, eu não...
— Será porque uma hora estávamos juntos em um quartinho de limpeza transando e dizendo o quanto gostávamos de ficar juntos e uma hora depois você estava beijando outro cara como uma vadia?!
Um silêncio tomou conta do quarto, enquanto uma lágrima solitária rolava pelo meu rosto e eu o olhava com a boca entreaberta.
Queria gritar com ele. O xingar, o bater, berrar que eu não havia feito aquilo e perguntar se ele achava mesmo que eu era uma vadia.
Queria muito trazer a Malu que apontou uma faca para ele na primeira noite e o ameaçou para aquele momento, mas eu não conseguia nem formular uma frase, sem contar no tanto de lágrimas que rolavam sem parar pelo o meu rosto.
Me afastei de Iago, andando de costas até encontrar a parede próxima a porta e sair do quarto dele em seguida.