05 - LIBERDADE ENFIM

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POV: (S/N)


Minha jornada seria solitária, assim como a de tantas Gerudos antes de mim.

Com uma pequena bolsa de couro nos braços, pois aquilo não poderia ser considerado uma mala, e uma mochila nas costas, parti ao som das vozes de minha avó, tia e mãe.

— Isto é para você, (s/n). — Nos reunimos na casa da vovó na noite anterior a minha partida e Teake retirou a pequena espada cravejada com rubis e de ponta curva que trazia presa ao quadril e me entregou. — Espero que aprenda alguma coisa enquanto estiver fora. E pelos nossos ancestrais, não se apaixone por um Zora, como sua mãe fez.

— Não sei não. Pelo que soube o príncipe Sidon é bonitão e está sofrendo uma desilusão amorosa. — Comentei, me divertindo ao notar seus lábios e nariz franzirem. Mas a curiosidade venceu a vontade de irritá-la. — Qual o motivo da sua aversão à raça de meu pai?

— Nunca ouviu as lendas sobre as sereias e o povo do mar? — Ergui as sobrancelhas, o sorriso reprimido fazia meus lábios tremerem. Eu suspeitava para onde seu raciocínio se direcionava, e me recusava a acreditar. — São feiticeiros! Magos! Demônios! Que corrompem a mente das pessoas com suas vozes melodiosas e escamas reluzentes!

Explodi em uma gargalhada e recebi socos nos braços por fazer pouco caso de sua história.

— Isso não existe, Tea! — Retruquei, tentando me erguer em meio aos espasmos que me invadiam cada vez que uma risada ameaçava irromper de minha boca.

— Como não?! — Ela gritou, apontando um dedo acusadoramente para mamãe, que se encontrava debruçada sobre a carta que pretendia enviar para papai, avisando acerca de minha jornada. — Ela está possuída! — Eu já me curvava segurando a barriga enquanto ela continuava sua ladainha e balançava os braços no ar, possessa. — Nunca se interessou por homem algum. E do nada volta para casa com você nos braços, um anel no dedo e um sorriso idiota na cara!

— A inveja ainda vai te matar.

— Ora, me poupe! — Ela afastou meu argumento com um movimento de suas mãos desprovidas de anéis, e afivelou o cinto em que prendia a espada, na minha cintura, apertando com força desnecessária.

Eu não conseguia me acostumar ao calor do deserto fora dos muros da Gerudo Town, eu culpava meu sangue Zora por isso. Nas poucas missões que tive fora de suas paredes fresquinhas quase morri desidratada. Mas não poderia ter certeza, já que nunca tive água em abundância para poder nadar, como minha mãe sempre dizia que meu pai fazia espetacularmente.

Retoquei novamente a loção que bloqueava os raios solares em minha pele já dourada. E na altura do Kara Kara Bazaar me sentei um pouco à sombra das palmeiras, observando o mapa de Hyrule com satisfação. Não faltaria muito até que eu alcançasse os Portões do Deserto de Gerudo e estivesse livre dessa caixa de areia escaldante.

Como tinha partido com duas semanas de folga até me apresentar no acampamento militar no East Akkala Plains, eu faria uma visita a meu pai no Zora's Domain, que ficava no caminho.

Estava ansiosa para vê-lo sem ser em retratos.


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 🔴 OBSERVAÇÃO: As imagens utilizadas nas capas dos capítulos, estão disponíveis para download no Pinterest. E não possuem link direto para o criador da imagem, portanto não sei quem são os donos das ilustrações. Qualquer problema nesse sentido, me enviem uma mensagem aqui mesmo que removo a imagem imediatamente.

Filha do Sol e do Mar__FANFIC: Link x Leitora (BOTW)Onde histórias criam vida. Descubra agora