12 - UM DIA NO ZORA'S DOMAIN

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POV: (S/N)


— Então... — Meu pai andava rapidamente pelo Palácio, comigo em seu encalço. — Se tornou uma desertora? — Seus lábios se repuxavam em um sorriso travesso.

— Não. — O corrigi, partilhando de seu humor. — Eu fui dispensada pela Capitã do meu esquadrão.

— Imagino que Tea tenha ficado extasiada com sua decisão.

— Pode apostar que sim. — Falei, sarcástica. — No que está trabalhando? — A joia prateada presa a sua cintura parecia um festival de ferramentas de construção.

— Em reparos na estrutura do Palácio. Com todos ocupados com o grande evento daqui a uma semana, fiquei encarregado das tarefas cotidianas.

— Que pena. — Ele me direcionava até uma parede cristalina, mas ao seu toque, portas duplas surgiram, e ele as empurrou com ambas as mãos. — Wow, esse lugar é mágico! — Mencionei enquanto um Zora com suntuosas escamas negras, olhos vermelhos e um sorriso perfeito, vinha da direção contrária e acenava para nós.

— Gosto de pensar que sim. — Meu pai sorriu para ele enquanto falava e eu não fui capaz de pintar uma expressão gentil no meu rosto há tempo de cumprimentá-lo também. Ele andava rápido demais!

Girei o corpo para observá-lo melhor e a cada segundo que eu passava ali percebia que talvez minha tia não estivesse completamente enganada acerca da magia dos Zora. Os homens daquela raça eram incrivelmente charmosos. Principalmente para mulheres Gerudo, que apreciavam a força física. E eles, com suas estaturas superiores, músculos bem desenvolvidos e sorrisos encantadores, poderiam ser minha completa perdição.

Meu pai me empurrou bruscamente até um corredor deserto.

— O que foi? — Espiei por entre o braço que me mantinha presa no lugar e pude ver o príncipe dos Zora seguir pelo caminho em que estávamos, na companhia de uma das escudeiras do herói. — Uhh! Escândalo!

— Nem tanto. — Meu pai se afastou assim que eles se perderam em meio aos muitos corredores da Ala Real. — Estão juntos a um bom tempo. Ele aguardou seu retorno por seis anos.

— Ê?! Mas ouvi dizer que ele estava sofrendo uma desilusão amorosa.

— Também ficamos sabendo desse boato. Mas o que as pessoas não conseguem entender é que o herói e a híbrida são melhores amigos.

Não poderia concordar ou discordar, nunca havia visto os dois juntos e o reino inteiro dizia o contrário.

Continuei seguindo-o. Aquela parte escondida do Castelo era gigantesca. Andamos por vários minutos, subindo escadas, fazendo curvas bruscas por entre os labirintos de corredores. Descendo escadas até nos depararmos com um beco sem saída. Onde nossas únicas opções seriam retornar ou nos jogar através da abertura na parede para o abismo abaixo.

— Posso presumir que saiba nadar?

— Não...? — Olhei a correnteza que vinha da cachoeira que desaguava no laguinho com preocupação. — Bom, não que eu me lembre.

— É bem simples. Basta saltar. E quando tocar a água mecha os braços e pernas com vigor.

— A-ham! — Minha voz falhou com a ironia daquela situação. Onde uma descendente do povo do mar, criada pelo povo do sol, não sabia nadar. Típico.

Mesmo assim, dei três passos para trás e corri em direção à abertura. Desenhando um arco no ar e esticando meus braços acima da cabeça ao inclinar o corpo para frente. A queda era profunda, e o baque surdo que meu corpo fez ao entrar em contato com a água gelada, aplacou o meu receio. Emergi e flutuei debilmente até uma rocha na margem, balançando os braços para que meu pai descesse também.

Minha mãe tinha razão quando disse que ele mergulhava de maneira excepcional. Com uma cambalhota no ar, ele inclinou o corpo para frente e quando atingiu o lago, não espalhou água como eu havia feito, mas a cortou sem resistência alguma, como se fossem uma coisa só.

— Impressionante! — Bati palmas quando sua cabeça despontou no outro extremo do lago. — Acha que eu poderia aprender a fazer isso em dois dias?

Sua gargalhada foi contagiosa. E a resposta que ela carregava era óbvia: não.

Ele nadou até as colunas maciças que sustentavam o Domínio acima de nós. Com a marreta em mãos ele começou a reparar a estrutura. Fiquei "nadando" por todas as horas em que ele esteve trabalhando.

Música e vozes animadas surgiram acima de nós, ao passo que o sol se punha no horizonte.

— Vamos voltar? — Ele recolheu os fragmentos que estavam ao seu redor e os colocou na bolsa de couro presa a cintura.

— Ok! — Saí da água torcendo o tecido da saia e olhando em volta a procura de uma escada. — Como faremos isso, exatamente?

Seu sorriso cresceu ainda mais com a perspectiva de ensinar, mesmo que minimamente, o estilo de vida dos zora.

— Ascendendo quedas d'água. — Ele apontou para uma mini cachoeira que vinha do andar principal do Domínio. Esticou a mão para mim em convite. Quando eu a aceitei ele me colocou em suas costas e com um salto, nos mesclamos à água. Era surreal a ideia de que estávamos realmente subindo. Gritei animada e o ouvi fazer o mesmo.

Quando a cachoeira terminou, ele se precipitou pelo ar, e com um giro elegante posou no chão de pedra cristalina.

— De novo! — Berrei, antes de perceber que estávamos rodeados por pessoas bem-vestidas e compostas. E eu me encontrava descabelada e encharcada. Passei as mãos no tecido, na vã tentativa de arrumá-lo ao redor do corpo.

— É você (s/n)! — Uma voz animada perfurou a multidão que aos poucos desviava o olhar de nós. — Sabia que conhecia esse cabelo turquesa.

— Kayra! — Minha voz subiu uma nota ao encontrá-la novamente.

— Ah, você já conhece o príncipe? — Ela emendou quando percebeu que o Zora a havia acompanhado até ali.

— Não. — Fiz uma profunda reverência e fiquei constrangida por achar seus olhos dourados encantadores. — É um prazer conhecê-lo vossa majestade.

— O prazer é meu. — Ele abaixou a cabeça e tocou o peito antes de levantar o olhar novamente.

— Veio para a coroação da Zelda?

— Na verdade, não. Só estou de passagem. — Apontei para o meu pai, que tinha se afastado para conversar com outras pessoas. — Vim visitar meu pai antes de seguir para o acampamento militar.

Ela pareceu confusa por um momento, mas então uniu as mãos em frente ao rosto e depois agarrou meus ombros com força.

— Você vai entrar para o nosso exército? — Concordei com a cabeça, um sorriso tímido se formando em meu rosto, frente a sua animação genuína. — Que notícia maravilhosa! O Link ficará satisfeito em vê-la compondo nosso batalhão.

— Espero que tenha razão.

— Qual o problema? — Levei a mão à boca para reprimir um sorriso ao notar que tanto ela quanto o príncipe partilhavam alguns maneirismos. Como o costume de inclinar levemente a cabeça ao esperar por uma resposta.

— As lendas narram todo o seu passado glorioso. Suas conquistas no campo de batalha, a maioria na sua companhia. — Um sorriso carinhoso surgiu em seus lábios quando ouviu aquilo. — Mas eu não sei se estou à altura de servi-lo.

— Ora, se não estiver à altura, o que acredito não ser o caso, poderá treinar pessoalmente com ele. — Meus olhos brilharam com essa perspectiva.

— Obrigada! — Fiz mais uma reverência e ela se afastou com os dedos entrelaçados aos do príncipe. Apesar de tão diferentes, eles ficavam incrivelmente bem juntos.

Filha do Sol e do Mar__FANFIC: Link x Leitora (BOTW)Onde histórias criam vida. Descubra agora