🌻GUIA DE PRONÚNCIA: CIARAN (som: KÍU-RAN): nome de origem irlandesa que significa negro como a noite. É só uma dica. Então, sintam-se livres para lerem da maneira que quiserem. 🥰
Aproveitem o capítulo 18! 😊💕
________________________________________________________________________________
POV: (S/N)
Além de um demônio, o Link também era um mentiroso.
Uma vida inteira relaxando nas águas termais não seria o suficiente para preparar meu corpo, considerando o que me esperava na segunda parte de treinamentos da manhã.
Nosso grupo foi escoltado até uma praça abandonada nas planícies de Akkala, seu piso de pedra cinza com fontes de água desativadas e árvores desmanteladas me deixavam triste, pela guerra ter feito tantas áreas caírem no esquecimento.
— Escolham um parceiro. — Ouvi a voz do Link soar distante. Sacudi a cabeça, focando na tarefa imediata.
Olhei ao redor, esperando que algum dos recrutas não tivesse um par. Ainda não tinha tido a chance de fazer amizades.
— Posso me unir a você? — Um rito se aproximou. Suas penas reluzentes em um tom escuro de vermelho com padrões dourados. A armadura de couro marrom destacava os músculos de seu peitoral, ao passo que um lenço azul se encontrava amarrado ao bíceps.
— Por favor. — Concordei e caminhamos para mais perto de nosso instrutor.
— Pensando bem, é melhor ver do que vocês são capazes antes de começarmos. — O herói concluiu após avaliar as nossas duplas.
Ele retirou o arco dourado, o escudo e o tridente prateado das costas, além da espada e aljava que carregava na cintura, e os depositou no chão ao seu lado. Mas o que eu não esperava era que ele se despisse da túnica azul também. O tecido, puxado acima da cabeça, bagunçou seu cabelo que ainda estava molhado, do nosso pequeno intervalo nas termas. As botas com cadarço também foram abandonadas e apenas uma calça de couro marrom restou.
Seu corpo vestia o sofrimento que Kass tinha mencionado à beira do fogo, na canção do herói que precisou acordar sozinho em um tempo que não mais lhe pertencia, e sem lembranças da vida que viveu até aquele momento. E posteriormente, encarar o fracasso da guerra que matou seus amigos e destruiu o Reino. As cicatrizes lhe trespassavam todo o torso e desciam dos ombros aos pulsos, e com pouco esforço, imaginei as que dançavam em suas pernas, com pesar.
— Podem começar. — Observei seu rosto, perplexa. Ele queria que todos os recrutas o atacassem ao mesmo tempo.
Receio pintava as feições de todos que se reuniam em uma meia-lua ao seu redor. Ninguém ousava mover um músculo. E foi com o coração preso na garganta que dei um passo à frente. Ele virou a cabeça ao som da minha movimentação. Pensei em recuar, mas ele o fez antes de mim, me dando a oportunidade de tomar distância da multidão.
Sequei as mãos suadas na barra da saia que compunha meu uniforme. Ela imitava a armadura tradicional da minha tribo. Isso me fazia sorrir, visto a consideração que a rainha tinha por nossas origens, não querendo forçar sua cultura em nós, mesmo que agora fizéssemos parte de seu exército.
Avancei ainda mais, e quando estávamos a distância de um braço, ele se curvou, adquirindo posição de defesa.
Uma zora tentou acertá-lo pelas costas. E em um movimento ágil, Link agarrou seu pulso e girou o braço da mulher em um ângulo doloroso, a pressionando de bruços no chão com um joelho prostado em sua coluna.
Link recuou apenas quando ela berrou de dor, e observou a multidão completamente congelada até que seus olhos azuis encontraram os meus. Todo o meu corpo sacudiu em antecipação quando vi seu sorriso frente ao meu avanço confiante em sua direção.
Mirei um soco em seu queixo seguido de uma joelhada para lhe acertar o plexo solar, assim que percebi sua esquiva do primeiro movimento. Ele bloqueou meu golpe com a palma da mão e me acertou nas costelas. O impacto me arremessou para trás, meus saltos criando faíscas no piso de pedra. Contudo, presumindo a força necessária para cumprir tudo o que ele havia conquistado, aquela não deveria corresponder nem a um terço de sua verdadeira capacidade.
O pressionei cada vez mais, ansiosa para ver do que o herói da lenda seria capaz. Mas como tinha imaginado antes de compor seu exército, eu não era páreo para ele. Após incontáveis investidas que eram bloqueadas, rebatidas e desviadas, acabei estatelada de costas no chão ao levar uma rasteira. Sua figura, apesar de não ser necessariamente imponente em altura, exalava selvageria, determinação e força bruta.
Sorri ao aceitar sua mão.
— Muito bem, (s/n)! — Ele me puxou para cima como se eu não pesasse nada e me deu um tapa nas costas, que eu apostava ter deixado a marca de seus dedos, devido a animação impressa no cumprimento.
— O-obrigada. — Respondi com a voz abafada, tentando identificar se alguma costela havia perfurado o pulmão.
— Quem será o próximo? — Ele disse animadamente, desviando sua atenção para os soldados, que na ocasião se escondiam atrás dos finos troncos das árvores da praça antes abandonada.
— Ainda estão nisso? — Bufei ao reconhecer o tom autoritário e notar as escamas pretas do Ciaran passarem raspando ao meu lado.
— Quantas horas? — O Link olhou para o céu e seu semblante empalideceu ao perceber que nosso treinamento havia ultrapassado e muito o horário do almoço, e prejudicado a aula do outro instrutor.
— Escutem! — Ciaran elevou a voz, ao passo que movimentava o braço, chamando os recrutas para mais perto. — Os que não estão escalados para a patrulha ou auxílio, retornem ao acampamento e comam alguma coisa antes de me encontrarem no desfiladeiro próximo a ele.
A multidão de uniformes azuis se dispersou aos cochichos, até que só nós três restamos na praça circular.
— Tente segurar sua empolgação, meu caro. — O zora tocou o ombro do Link e me acenou um adeus, com o sorriso transbordando deboche.
— Qual é o problema dele? — Reclamei antes que pudesse segurar minha língua. Olhei de soslaio para o hylian que já me observava, sua face perplexa, no modo como seus olhos se arregalavam e os lábios se entreabriam. — Que foi? — Toquei meu rosto, buscando vestígios de sangue, mas nada escorria dali, além de suor.
Ele sacudiu a cabeça e pôs-se a recolher suas armas, túnica e botas, que se equilibravam perigosamente em seus braços, e lhe bloqueavam a visão.
— Me deixe te ajudar. — Sorri e tomei para mim o que estava em frente ao seu rosto. — Link, está passando mal? — O tom vermelho de suas bochechas se espalhava pelo pescoço e pintava as pontas de suas orelhas.
Novamente não recebi uma resposta.
Ele pressionou os lábios com força e soltou um suspiro trêmulo, desviando o olhar do meu.
— Vamos voltar? — Chutei seu traseiro antes de o ultrapassar e pegar a trilha na direção do acampamento.
"O Link, definitivamente, era estranho". Pensei enquanto o meu próprio rosto esquentava devido à confusão.
________________________________________________________________________________
Até o próximo capítulo! 😘
VOCÊ ESTÁ LENDO
Filha do Sol e do Mar__FANFIC: Link x Leitora (BOTW)
FanfictionO herói, agora aliviado do peso da profecia e da morte das pessoas que amou, enfrenta um novo dilema. A paixão pela guerreira de cabelos perolados pode bagunçar a paz que ele já experimentava nos últimos meses vivendo ao seu lado. Ela estava com o c...
