POV LUIZA
No momento em que nossos lábios tocaram um ao outro, senti como se meu estômago soltasse fogos de artifícios. Foi como se eu tivesse passado a vida toda à deriva no mar e esse beijo foi o meu resgate. Eu acho que busquei minha vida toda por esse beijo e não sabia disso. Era suave, meigo, delicado, mas intenso na mesma medida, e eu daria minha vida para ter esse beijo pra sempre. Quando o ar nos faltou e precisamos nos afastar, eu senti um vazio, mas ao mesmo tempo eu senti a alegria transbordar pelos meus olhos. Dei mais um selinho em seus lábios e o sorriso de Valentina me iluminou como o primeiro raio de sol da manhã.
-Eu... – Ela não conseguiu completar.
-Você?... – Brinquei, fazendo ela sorrir sem graça.
-Me desculpa, Lu. – Valentina encarou as próprias mãos. – Eu agi no impulso.
-A gente não pede desculpa depois do beijo, a não ser se você beijar mal. – Segurei seu rosto deixando mais um selinho. – E não é o seu caso.
-Você me deixa sem graça, poxa. – As bochechas coradas deixaram ela ainda mais linda.
-Não precisa ficar sem graça, eu gostei. — Alisei seu rosto com o polegar.
Ficamos mais um tempinho na exposição, conversamos, brincamos , trocamos mais alguns beijos, até que a fome se manifestou em meu estômago. Valentina se levantou e me puxou pela mão, seguimos até a praça de alimentação e optamos por uma massa, nos acomodamos e começamos a comer em um clima delicioso.
Era difícil explicar o sentimento presente no meu peito, Valentina simplesmente conseguia me manter segura dos meus próprios pensamentos, ela me passava leveza, eu estava a salvo. Era como se finalmente eu estivesse me encontrado em uma pessoa. Eu não conseguia parar de olhar pra ela, já estava ficando vergonhoso.
-Você está me deixando sem graça. – Valentina largou os talheres, em seguida limpou os lábios. – Tô com alface nos dentes?
-Boba. – Sorri abertamente. – Você é linda.
-Você é muito mais. – Senti seus dedos tocarem os meus. – Eu tô sentindo como se estivesse sonhando.
-Acho que estou com a mesma sensação. – Entrelacei nossos dedos. – Aquele dia que eu "fugi". – Soltei um sorriso sem graça. – Eu passei a noite em claro tentando entender o que havia acontecido, fiquei com medo de perder sua amizade, fiquei com medo de não saber lidar com as consequências, mas eu já estava sentindo algo dentro de mim, só não sabia o que era. Mas você chegou tão derrepente na minha vida, me fazendo sentir coisas que eu nunca havia sentido antes, isso é muito estranho pra mim.
-Acho que estou com a mesma sensação. – Ela brincou fazendo com que nossas risadas se misturassem. – Lu, eu nem sei explicar o que estou sentindo, só que sei que não paro de pensar em você, e no dia da sua "fuga', passou um filme pela minha cabeça, pois eu achei que tinha perdido tudo, até sua amizade e eu não ia saber continuar sem você, pelo menos como minha amiga.
-Isso é muito louco. – Falei e ela concordou. – Eu só sei que esses dias aqui em São Paulo, estão sendo incríveis.
-E quando a gente voltar? – Ela perguntou com certo receio. — Como vamos ficar?
-Não vamos pensar nisso, vamos viver esses dias, sem pensar em nada? – Pedi ainda com as nossas mãos juntas.
-Tudo bem. – Valentina me presenteou com um sorriso e assentiu com a cabeça.
Passamos o resto do dia no shopping, comemos, batemos pernas, comprei algumas coisas e no fim ainda pegamos um cinema. Nem preciso dizer que não assistimos o o filme, ficamos trocando beijos e carícias, eu estava completamente rendida naquela sensação que Valentina me causava.
