O que te fez vir aqui?

2.2K 245 94
                                        


POV CATARINA

-Eu vou tentar, mas primeiro vamos fazer sua inscrição no curso de fotografia na Espanha. – Eu devia isso a minha filha, não posso mais tentar controlar tudo à minha volta, não agora que eu não consigo nem ao menos controlar os meus sentimentos. – Vamos fazer isso juntas.

-Obrigado por isso, mãe. – Minha filha agradeceu, mas notei seu olhar triste.

-Não tá feliz com isso? – Me preocupei, fazendo ela me encarar.

-As inscrições se encerraram semana passada, não dá mais tempo. – Senti meu peito se comprimir. – Não dá mais.

-Eu sinto muito, filha. – Valentina sorriu de lado e eu a puxei para um abraço. – Me perdoa por ter enxergado isso tarde demais.

-Não tem o que perdoar, mãe. – Algumas lágrimas molhavam minha face.

-Posso falar com seu pai, podemos olhar para outro lugar. – Me afastei, segurando seus ombros. – Deve haver outras escolas, até mesmo aqui no Brasil.

-Mãe, vamos com calma. – Ela sorriu, alisando meu rosto. – Primeiro vamos resolver a sua vida, temos tempo de olhar um lugar pra estudar, temos tempo pra decidir o meu futuro, mas agora você precisa ir atrás da Vanessa, falar pra ela tudo o que está acontecendo aqui dentro.

Valentina apontou pro meu coração, e as palavras dela me deixaram com palpitações, eu não sei se teria coragem de ir atrás de Vanessa. Minha filha me encarava, tentando me passar qualquer tipo de coragem.

-Eu não sei se consigo. – Soltei o ar dos meus pulmões. – Eu nem sei se ela ainda quer alguma coisa comigo.

-Sabe de uma coisa? Tem menos de sete meses que viemos pro Rio, e aqui eu pude aprender coisas que eu nunca imaginei que eu aprenderia, Luiza me ensinou uma coisa que devemos levar para toda a vida, quando queremos muito uma coisa, devemos ir atrás, o máximo que pode acontecer, é a Vanessa dizer não, mas isso não será o fim do mundo, pois você já aceitou que tem sentimento por ela, e isso é um passo enorme.

-O que as pessoas vão pensar disso? Eu sou uma mulher divorciada, tenho dois filhos com quase a idade de Vanessa. – Eu queria tentar, mas algo dentro de mim me sabotava.

-Mãe, não fique refém dos achismos, você é uma mulher madura, linda, dona de si e merece ser feliz. – Minha filha me tranquilizava de uma forma absurda. – Vai atrás da sua felicidade,  não perca tempo pensando no que os outros vão pensar.

-Agora? – Mordi o lábio ansiosa.

-Agora, mãe!

{...}

Dirigia pelas ruas, tentando ao máximo me concentrar na direção, mas meu pensamento fervilhava, não sabia o que dizer pra Vanessa, não sabia como seria sua reação. Sentia meu coração bater rápido demais, tinha medo de chegar lá e não conseguir dizer nada.

-O que eu estou fazendo, meu Deus? – Perguntei pra mim mesma ao parar no semáforo. – Preciso de coragem.

Falava pra mim mesmo como uma mantra, ensaiava palavras pra dizer a Vanessa, mas não conseguia formular absolutamente nada. Quando cheguei na entrada do prédio dela, meu coração parecia sair pela boca, minhas mãos suavam e minhas pernas tremiam. Me aproximei da portaria e me informei com o porteiro que já me conhecia, perguntei se ela estava em casa e o senhor me avisou que ela chegou ainda pouco, quando ele ia interfonar, eu pedi pra subir sem ser enunciada. Agradeci e segui para o elevador, a cada andar que ele subia, eu sentia vontade de desistir.

O elevador abriu as portas, dando de frente ao apartamento dela, eu já estava ali, não tinha como desistir, não posso ser covarde mais uma vez. Respirei fundo, contei até dez e toquei a campainha, esperei cerca de um minuto, mas ela não me atendeu, toquei mais uma vez e esperei, estava me corroendo de ansiedade, mas eu não poderia desistir ali. TOquei mais uma vez, e no mesmo instante a porta foi aberta.

Wildest DreamOnde histórias criam vida. Descubra agora