Prenúncios da guerra (parte 1)

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Confusão, medo, angustia, desespero. Esses eram os sentimentos predominantes nos rostos dos humanos e majins acumulados ali após as palavras da guardiã da Planice Uivante.

Ymir estava morrendo? Por que? Desde quando? 

Inúmeras perguntas ecoavam na mente de todos que começavam a verbalizá-las de forma desordenada e frenética. Estando ciente do caos que poderia se instaurar  caso não os acalmasse minimamente, a valquíria ergueu as mãos pedindo silencio:

- Acalmem-se todos. Eu vou responder a todas as perguntas que possam ter.

- Como pode ser? 

- Desde quando isso está acontecendo? 

- Explique-se! - eles continuaram, fazendo-a suspirar audivelmente.

- Já faz muitos séculos, na verdade. -começou por dizer- Nós mentimos quando dissemos que Ymir estava vivendo no reino das estrelas. Na verdade ela gastou muito de seu poder para criar os santuários para nos proteger e isso a deixou à beira da morte. 

- Mentira... - Armin sussurrou paralisado apenas a encarando com os olhos arregalados.

- Os espíritos da natureza optaram por manter o verdadeiro estado da deusa em segredo por razões de segurança e esperávamos que ela se recuperasse, mas não foi o caso. -ela continuou num lamento diante de todos aqueles rostos apavorados- Ela não melhorou por todo esse tempo e recentemente sua magia começou a falhar. 

- Não. Não é verdade. Não pode ser... - o loiro apertava os próprios braços. O que seria de Greenwood sem a proteção da deusa? O que seriam de todos os santuários?

Não queria morrer. Não queria ver seu povo ser aniquilado pela imunda humanidade:

- Todos vocês já sabem que proteção sobre a montanha dos Espíritos caiu vinte anos atrás e agora planície Uivante também foi destruída, mas isso não aconteceu porque os humanos se tornaram mais fortes. Foi Ymir que se tornou mais fraca. -afirmou puxando Levi para a frente dela fazendo com que todos o olhassem- Estaremos por conta própria em breve, mas ainda existe uma esperança. Esse homem. Eu não sei o motivo dela decidir fazer isso, ninguém sabe, mas Ymir está transferindo sua magia para ele. Ele é tudo o que temos agora e se não pudermos lidar com nossas diferenças e trabalhar juntos, então vamos todos perecer.

- Mentira... -o elfo protestou mais uma vez um tanto mais alto com um sorriso claramente forçado nos lábios- Quer mesmo que a gente acredite que esse humano vai herdar o poder de Ymir? Não me faça rir! 

- Não é mentira. Não tenho motivos para mentir. -ela rebateu- Ymir está morrendo e Levi irá a suceder. Apenas olhem para a assinatura mágica dele e vejam. Esse azul não pertence a nenhum dos cinco elementos da natureza. É a assinatura de um deus.

- Não brinque comigo! -exaltou-se agora realmente irritado- Como a deusa poderia escolher esse caçador para a suceder?! É ridículo!

- E quem é você para julgar a escolha dela? - a resposta soou ríspida. Estava cansada de tantos protestos. 

Por que ele não podia simplesmente aceitar suas palavras? Não era como se pudessem tirar a deusa de seu sono para perguntar o que ela realmente pensava. Tudo o que podiam fazer era confiar em suas escolhas e acreditar em suas promessas.

Ymir garantiu que os protegeria e ela cumpriu sua palavra. Agora Levi tomaria o lugar dela e agir daquela forma tão combativa com ele não traria nada de bom.

Aquele pequeno elfo insolente... Será que ele sequer havia considerado a possibilidade de que seu comportamento poderia fazer com que o humano os abandonasse sem nenhuma proteção? De que forma ele se responsabilizaria se as defesas de Greenwood ou qualquer outro santuário caísse por culpa de seu comportamento?

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